domingo, 7 de setembro de 2014

JARDIM


JARDIM


Jardim frio
Sem bancos, sem flores, 
Sem nada de jardim, além do banco debaixo da Tília
Nevoento e triste
Jardim avarento de verde
A dizer não a cada um que o visita
Jardim a chorar cada madrugada
Sonhando os meninos de hoje
A baloiçar escondidos no seu espaço

Jardim com histórias escondidas entre ervas daninhas
De meninos já velhinhos
Que se esqueceram dos seus baloiços de corda
Baloiços de corda com assentos de madeira
Onde gritavam e reluziam de brincadeira
Jardim sem água fresca
Janelas abertas para dentro
Grande, gigante noutras épocas
Hoje morto, estranhamente posto de lado
Jardim de ervas mortas
Embirrentas que teimam em o tapar 
E a tantas histórias vividas que nunca hão-de falar.

Até a Tília um dia há-de murchar
Pelo silêncio
Por tanto esperar.

Inês Maomé