domingo, 7 de setembro de 2014

REFLEXÃO INTIMISTA...


Imagem - net (autor desconhecido)


Reflexão intimista…


 Bem cedo, 
aproveitando os ténues lampejos
da primeira luz do dia, 
raios de sol a romperem, timidamente,
o enorme reposteiro plúmbeo das nuvens
que ensombram o dia, 
rumei ao lugar da Caparica, 
para olhar o mar que mais uma vez,
se torna confidente das agruras
que me dilaceram o corpo sem conseguirem,
ainda , tomar conta da minha alma…

Esta teima em resistir, em lutar, em ordenar-me
que me erga e que caminhe decidido , em frente 
aguentando firme o que me dilacera o corpo

A força do mar que em ondas fortes lambe o paredão 
onde algumas pessoas aproveitando 
a calmaria do dia cinzento,
sem chuva e sem vento, caminham,
é tónico que me incita a imitá-lo
e vem-me à memória os dois seres pequenos,
onde corre o meu sangue
que me preenchem nestes dias a vida 
e alguma da réstea de esperança
de que o mal não me derrube de vez…

Descalços os pés,
arregaçadas as calças até ao joelho
foi bom experimentar a sensação 
do choque entre a temperatura do corpo 
e o frio da água, e sentir em leve arrepio 
o vigor e coesão das gotas de água 
que em espuma se esvaíam na sequiosa areia fina
da breve língua do areal da praia…

É assim que me sinto, nestes dias de puro chumbo…

Como a água, em espuma a esvair-se…

Um dia ao mar voltarei, em cinzas,
para que o torne,
definitivamente, 
meu confidente…

Hamilton Afonso