segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CORRE POR MIM UM RIO


Arte: Bruno Augusto Gavino


Corre por mim um rio
 

Corre em mim um rio,
que se espraia por campos largos e estreitos,
com águas que correm mansa e lentamente, 
por entre margens diferentes, que se distanciam de mim o suficiente
para me permitir correr em liberdade, sem pressas,
acelerando a velocidade e tornando-me alteroso e vociferante 
quando me comprimem as margens...
...apertando o meu curso sereno, condicionando-o 
por plantarem no meu leito obstáculos que me tornam difícil...

O rio que há em mim é navegável, 
sem correntes e remoinhos
que dificultem o sulcar das aguas serenas,
se souberem respeitar a natural força da água,
coesão admirável de pequenas gotas,
que fazem a força e o segredo do movimento...

A serenidade e a navegabilidade termina quando
as margens se apertam, encurtando o espaço de liberdade, 
por me terem atulhado o caminho com ciúmes, 
amuos, cobranças e demais obstáculos 
a uma serena e sã convivência de troca de afectos
e aí as águas ganham velocidade, 
troam com o embate nos obstáculos 
e têm pressa, revoltosas, de voltar ao largo leito 
onde se colhe Liberdade, Respeito e Confiança...

E aí o rio volta ao silencioso remanso do afecto,
acolhendo quem o queira navegar, 
respeitando-o...
 
Hamilton Ramos Afonso