sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

GÉLIDAS ÁGUAS





Gélidas águas


Não sei de onde tu vens, oh, gélida água,
Assim dourada pelas fagulhas do dia
Que te atravessam o mel, e as minhas mágoas,
Sem saber vais levando em tua agonia...

Não sei se de uma rocha teu ventre fizeste 
Ou se entre raízes profundas, seculares,
Nasceu filete, e farto do frio agreste,
Teu solitário caudal quer buscar os mares!

Em ti me banho e por mim passas, friamente...
Somos iguais, pois, na luta vã e constante
De descobrir o que nos torna aparentes!

Meu corpo quente, tu aquecida nos galhos,
Se vão perdendo, quanto mais morno e distante,
For o deserto, e além da fonte, os atalhos...

Luciana Nobre