segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

IMPRESSÃO DIGITAL




IMPRESSÃO DIGITAL


Abro os caminhos
ladrilhados pelos passos
que não dei.
Mantenho a verticalidade
mas permaneço na perdição.
Para onde vou, não sei.

Ultrapasso os muros
que me cercam.
Num passo em falso,
sei da robustez do chão.
Fico a seus pés.

Da terra posso ver as estrelas
e as pedras choram por mim.
Suportam o peso
e o que sou.

Fico à distância do estender de mão.

Amparo-me
na impunidade
que se mantem firme.

Não subo degraus.
Elevo-me
para ficar vertical.
Foge-me a língua
para os olhos.

Vejo a serenidade
quieta da existência.

Deixo o sorriso sofrido
enroscado nos murmúrios
das ruínas 
do meu corpo
retorcido.

Não voltei a pisar
as pedras da rua
que me possuíram
e onde deixei a minha
impressão digital.

Ana Pereira