quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

MORNAS E COLADEIRAS...




Mornas e Coladeiras...

 
A Saudade 
geme nas cordas 
dos cavaquinhos e do violão 
e nas cordas vocais
da bela mulata 
de olhos verdes
que a canta no quente langor
da morna...

O estertor 
dos ultimos raios de luz
do Astro Rei, 
nas cambiantes cromáticas 
que só nos trópicos vislumbramos ,
dá lugar à escuridão 
rapidamente dissipada
pela argentea luminosidade 
da Lua...

Na praia 
sentado à beira mar 
ouço o sussurro 
das pequenas ondas
que se desfazem em espuma
aos meus pés, 
juntando o seu marulhar
ao toque da saudade...

Lágrimas caem-me salgadas 
em mistura de saudade,
alimentada pelo extenso oceano
que nos separa
e a comoção
da recepção daqueles
que me trataram sempre
como um dos que aqui nasceram...

Calada a lenta harmonia da saudade , 
a morna dá lugar á alegria contagiante da coladeira, 
levanto-me determinado a viver de novo 
a alegria de ter voltado
e prometo dar de mim o meu melhor
por quem me recebeu com fidalguia, 
de braços abertos...