quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ROSEIRA BRAVA




Roseira Brava

 
Conheci-te Roseira Brava
torcida, crescendo sem nexo,
raras folhas, espinhos aguçados
quase seca, flores poucas
e essas definhavam mal abriam.

Cuidei-te, adubando-te com ternura,
as minhas mãos nuas,
podando o excesso de lenha, 
endireitando o teu caule, 
para que crescesse erecto
regando-te com agua fresca
que colhi da fonte da vida...

Desde então recuperaste o viço
as folhas cobrem-te os ramos agora vigorosos,
e as rosas que proliferam no teu corpo
têm a beleza das flores frescas 
e o indelével perfume da vida.

Tratarei de ti, com minhas mãos nuas,
sem medo que os teus espinhos me firam
porque esses definharam 
à medida que a tua vida regressava.

Hamilton Ramos Afonso

«Amor como o primeiro...»