domingo, 18 de dezembro de 2016

PALAVRAS



Palavras


Boa tarde, princesa do meu navegar!
Hoje, mais do que nunca, sinto uma vontade imensa de te abraçar!
E de te dizer, sem correr o risco de errar, que te quero dentro de mim para sempre, para quando tu quiseres, mesmo que o tempo teime em nos afastar!...
Hoje, desejo-te em pensamento, em sonhos, em palavras...
Palavras...
Palavras juntas, soltas, pesadas, leves amarras que guardam a voz do passado e julgam olhares do presente...palavras ditas por gente que não sabe o que quer dizer. Apenas sabe que tem de esconder a dor e calar o sofrimento. Por toda a vida, por uma parte dela, às vezes por um só momento. Um só momento que lhes leva a alma e arrasa o esquecimento.
Palavras...
Palavras quentes, frias, loucas, roucas de tanto serem gritadas no peito da nossa ilusão! Palavras que significam tudo ou querem dizer nada, mesmo quando viram canção...trauteadas por vozes gritantes, sussurros alados e rasantes no espaço de qualquer imaginação.
Palavras...
Palavras levadas pelo vento, ao sabor de um sentimento que nasce ali mesmo, bem perto do coração. Junto ao cais da esperança, onde cresce em segurança a força da nossa razão! Sentidas, sofridas, malditas, tão queridas que chegam a ser ditas no chorar da emoção.
Palavras...
Palavras mornas, tépidas, agrestes, silvestres da tanta paixão! Que se soltam e esvoaçam em florestas de solidão, ténues e sombrias mordaças que teimam em deslizar no verde da sua ilusão...um dia de cada vez, como a vida que nos fez teima em querer ensinar.
Palavras...
Palavras caídas no mar, levadas pelo vento que, ao soprar, bem longe as tenta largar, longe de mim e de ti, longe de tudo o que vi, longe do nosso navegar! Destemidas, ousadas, na fúria do tempo guardadas como se o mesmo quisesse, timidamente, parar. Mas o tempo não pode parar. 
Porque o tempo tem pressa em chegar. 
Porque o tempo é um imenso, um infinito e constante...verbo amar!

Mário Filipe Neves