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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MEU PEQUENO TEATRINHO

 

Meu Pequeno Teatrinho


Meu pequeno teatrinho de ópera
Desde pequena na noite amena
Os sons são maiores que todos os sons do mundo
Deixo que penetres a minha alma serena

Traviata, Aida, Falstaff, Barbeiro de Sevilha
Acompanharam-me toda a vida embalando-me
Num acorde, que me fez acordar para a arte... e brilha!
O teu brilho resplandece meu pequeno teatrinho... rendo-me

Ouço... Apaixono-me...
Pelo som que sai da garganta perfumada do violino
Ele está triste... o som agonizado é um prenuncio
Ouve-se um sussurro irresistível na plateia

Sotto Voce!
Voz feminina ecoa através das tuas paredes meu pequenino
Sinto-me arrebatar... a voz, essa... encontra-se com o som do violino
E juntos riem... e o meu coração salta agitado em ti meu menino
Música sublime!!!Momento perturbante... só tu meu pequeno teatrinho!

Áurea Justo

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A FLORESTA, O GATO E EU


A Floresta, o Gato e Eu


Era meia noite...
Em passos leves entrei de mansinho
Os ramos artríticos tocavam ao som do vento norte
Fui à procura de repouso e de um ninho
Atravessei mansamente trepando pé ante pé
Não queria acordar o silêncio nela contido
A cabeleira da montanha deixou soltar um grito
Estremeci!... De repente estagnei!
Olhando em volta, senti-me aterrorizada!
Calmamente algo surgiu de entre as giestas amareladas
Preto... era a sua cor... só lhe vi os olhos reflectidos
Aproximou-se de mim cognitivo... sem mais, sentou-se à minha frente
Olhou-me no olhar... entrou-me dentro da alma... deixei-o cheirar
o meu espírito.... Com a sua agilidade felina inextinguível
O teu pelo preto reluziu quando uma nuvem passou ao lado da lua
As tuas sete vidas entrançaram-se na minha...
E algo mágico sucedeu... insaciável procuravam algo no meu âmago
Mas o quê???
Quando finalmente te desprendeste de mim
Senti-me flutuar como que num sonho etéreo
Como se a alma tivesse deixado o meu corpo por breves momentos
Acordei na minha cama, tranquila, serena,
Senti-me elevada na tua sabedoria e doce altivez
Voltaremos a encontrar-nos algum dia?

Áurea Justo

terça-feira, 26 de agosto de 2014

SPECULUM (O ESPELHO)

 

Speculum (O Espelho)


Esta noite olhei para ti
E vi... reflectido aquele abraço inacessível
Mostraste-me o caminho para um amor inatingível.

Reflectem...
A verdade... a pureza...
O desgosto que trago na alma
A ilusão desfeita é uma estranheza.

Estando coberto de pó
Mostras o espírito obscurecido pela ignorância
Esta dor... é o sonho perdido...
Uma luta interior pela abundância.

És a miragem solar de manifestações
Sucessão de formas que Transportas
A limitada mutabilidade dos seres
Procuro-te nas minhas recordações.

Símbolo de pureza perfeita da alma
Do espírito sem mancha...
A tua força de atração me acalma
Faz-me amar a vida numa avalancha.

A descoberta da minha própria essência
O reflexo de mim mesma na consciência
Os meus olhos são uma porta aberta
Ao encontro da alma certa!

Áurea Justo

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MÃE AUSENTE


Mãe Ausente


É muito triste ter uma mãe ausente...
Precisar de uma palavra amiga 
Ansiar por um carinho silenciosamente
Palavras que doem afagam-nos o ventre
Lembrando-nos sentimentos inatingíveis
A hipocrisia é uma virtude tua mãe ausente
Como hei-de lidar com situações inverosímeis?
Este mar de dor que banha o meu âmago
Esta flor espinhosa cravada no meu coração...
Não estive eu embrulhada na tua placenta?
Sentimentos abatíveis como o amuo
Dominaram-te como se um sacrifício se tratasse...
Então no meio deste cenário onde a minha pessoa entra?
Sonhos povoam o meu espírito durante a noite
E eu vejo-te... e sonho contigo mãe ausente...
E o que me dói saber que nunca realizarei esses sonhos...
A música que me embala melodiosamente
Contem sons de paz e amor...
Sabendo nesta inquietação profunda
O estado da tua alma imunda...
Uma lágrima cai do meu rosto...
Deixo-a rolar e cai na almofada amparada...
Assim está a tua filha... amparada por doces almas...
Mães adoptadas.. .que me amam... e eu sinto-me amada...

Áurea Justo

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ROSAS E FLORES AMARELAS...


ROSAS E FLORES AMARELAS...


Rosas e flores amarelas....
Para mim as mais belas...
A cor do sol e das areias do deserto
Levam-me a sonhar que estás mais perto...

Meu amor imaginário...
Estou fora do teu horário...
Não tenho máquina do tempo...
Este é o meu lamento...

Vagueias de noite nos meus sonhos...
Procuro por ti e não te encontro...
Tenho-te como que em embrulhos
No meu âmago como um sopro...

Flores amarelas do meu absinto
Recordações mais belas são as que sinto
Amo-te com abnegação...
Amas-me com afeição....

Áurea Justo

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"MOINHO DA ARQUEOLOGIA"


"MOINHO DA ARQUEOLOGIA"


As pessoas morrem, mas as coisas ficam.
As casas, as cidades e os monumentos que as pessoas constroem podem resistir durante milhares de anos.
Às vezes, estes edifícios estão extraordinariamente bem conservados ao fim de séculos, outras vezes escondidos sob vegetação ou ainda debaixo de estruturas construídas posteriormente.
Um dia poderão ser estudadas por arqueólogos do futuro.
Que histórias irão c...ontar?
A vela do "moinho da arqueologia" gira lentamente.
.....................

In Anéis De Fogo
Áurea Justo