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quinta-feira, 19 de junho de 2014

IMPRESSÕES


Imagem - Natalia Maroz - Voyage au coeur de l' Art


IMPRESSÕES


Deixem murmurar os rumores,
Há excesso de impulsos.
São curtas as horas!...
São pequenos os dias.
Fala-se muito de pouco.
A palma da minha mão,
É como um retrato.
Uma árvore seca enrugada.
As folhas, de tão verdes,
Murcham exaustas. E caem.
Uma árvore nua e crua,
Como nua te amo, mulher.
Imóvel como uma pedra,
Uma composição selvagem,
Uma qualquer vida própria.
São rumores. Suposições.
Só os meus poros gritam,
Incomodados do ciúme.
Suo como a chuva,
E crescem árvores e flores.
Da boca cuspo fogo,
O que mata e renova vidas.
As horas são curtas.
Os dias cada vez mais pequenos.
Falta-me tanto de tudo!

Carlos Lobato

segunda-feira, 2 de junho de 2014

SE...




SE...


Se...

Se eu soubesse.
Recebia de mãos abertas...
Tudo.

Se eu soubesse.
Dava de mãos abertas
Tudo.

Se...

Se fosse simples,
cantar poemas com aves.
Declamar a batida das asas.
Cantar a felicidade.
Cantava.

Se...

Se te visse triste,
Se tivesse o poder num beijo,
beijava-te.

Se...
Ver-te sorrir,
fosse a minha vontade,
Ajudava-te.

Se...

De longe me chames,
eu te não oiça,
Eu vou.

Se...
Ao sentir-te,
olhando para ti,
rezaria.
Espera por mim.

Se...

Se eu não pensasse,
Seria tudo tão mais fácil.
Seria feliz, talvez.
Nem tão pouco tento.
Nem tão pouco fujo.
É prisão.

Mas sinto.
Sim!
Sinto-te despertar,
Sinto os teus sentidos.

Se...
Tivessemos adormecido,
Não te poderia encontrar.

Se...
Os dias seguem as noites,
o frio aquece-me a alma.

Se...
Não te vejo,
nem por um pouco,
Sei que sim...
Que te vou encontrar.

Se não me apetecesse escrever.
Se não me apetecesse pensar.

Seria mais feliz,
talvez...
mas não!

Se...
É assim que quero estar!

Carlos Lobato

quarta-feira, 30 de abril de 2014

TRANSPARÊNCIAS


 Images Inaire


TRANSPARÊNCIAS


A transparência ultrapassa-me
seguindo uma direcção.
Isto faz-me pensar. Será essa coisa,

o ultrapassar inocente dos limites?
Talvez seja uma fronteira. Um teste
que violo, sem saber como, nem porquê.
As horas, o tempo, têm uma cadência
infernalmente monótona. Previsível.
A transparência, é algo inesperado,
que torna agradável atravessá-la.
As palavras, são quase sempre transparentes,
especialmente sarcásticas, metafóricas
ou até mesmo irónias. E gosto!
Mas transparente, é tanta coisa.
O vidro que é frágil e quebra,
o ar que é invísivel e respiro,
as almas que não vejo mas sinto.
Pessoas são as que menos entendo!
Prefiro a transparência do sonho,
tenho a dúvida do "dejá vu",
o suor da alma hiperactiva,
tudo, tudo enquanto o corpo dorme.
Ultrapassar motivos que não conheço,
com histórias que afinal não invento,
sempre voando para um mundo paralelo.
Depois outro, depois outro,
ainda mais outro, e ainda mais outro.
São tantos os meus mundos.
Viajando nessa transparência,
toco sempre a felicidade.
A transparência não me trava.
Serão portais, gelatinosos e turvos,
apenas ao toque que não sinto, e avanço.
As cores são reais, apenas alteradas
pela lógica de todo o real, o outro...
Meu Deus.
Sem blasfémias, tendo poder de escolha,
óbviamente optaria pelo outro lado!

Carlos Lobato