quinta-feira, 7 de maio de 2015

CEMITÉRIO DE SONHOS






“Lampedusa, meu amor”


No lusco-fusco daquela alta madrugada
Por entre inesperado e denso nevoeiro
Surge o fantasma de um barco forasteiro
Carregado de corpos co´ a sorte tramada
Desafiando a triste sina em tudo ou nada
Em troca de um destino, dito alvissareiro,
Chegaram finalmente ao éden derradeiro
Daquela terra promissória e encantada.

Lá mais p´ ra trás ficaram navios perdidos
Na tragédia do mar e nas marés suicidas 
Que sepultaram, sonho a sonho, tantas vidas…
E na mira da esperança, náufragos vencidos
Pela angústia, p´ la fome, p´ la sede e p´ lo medo
Repousam no teu cemitério de segredo.

- Mas até quando, ó Lampedusa meu amor,
Conseguirás ser âncora e asilo nessa dor
E nesse vazio oásis que se fez degredo?

É tão agreste o caminho da liberdade
E tão obscura a luta pela Eternidade!

Frassino Machado

In ODISSEIA DA ALMA

SOU SEMPRE A TUA LUA, TEU ASTRO


Imagem- Bellissime Immagini 


SOU SEMPRE A TUA LUA, 

TEU ASTRO


As tais palavras que guardaste em ti…
Só para ti, são fulgentes sempre em mim.
A cegueira que nos possuiu… lê aqui,
Em braille, almas que partiram de mim.

Almas que partiram sem um destino…
Almejam outros corpos… pele tua
Que se estende pelos ventos, algo hino…
Coração da mulher que é sempre tua.

Esfinge da tua boca, que soa a lágrimas
Pelo tempo… aqui ergue as suas asas...o mastro
Aos teus braços (novamente) e tu amas
Como ninguém. Sou sempre a tua lua, teu astro.

® RÓ MAR

TEMPO


Imagem - Bellissime Immagini 



"TEMPO"


Trás contigo o cheiro dos lírios do meu jardim,
o orvalho das manhãs com perfume de feno acabado de cortar,
a aurora rosada a surgir das encostas, onde...o rio canta.
O trepidar do carro de bois, ao passar pela minha rua esburacada,
onde as estrumeiras de mato rasteiro, se transformavam em húmus
para fertilizar as terras.
Trás contigo, aquelas rosas vermelhas, que enfeitavam as paredes das hortas,
onde cresciam as alfaces, e a figueira estava coberta de figos" pingo de mel".
Trás o pirilampo com olhos de estrelas, a iluminarem os meus passos,
e as rãs a coaxar nas poças de água que corria da mina.
Ai, tempo, tempo...
Onde andará aquele brilho do teu olhar que eu desfolhava na contra luz da janela,
quando desenhava sonhos, que as rugas escondem, e guardam na arca
que tem dentro, um bloco de folhas em branco.

Margarida Fidalgo

E QUE HOJE SEJA O DIA...


foto de Cristina Vieira


SENÃO ESTE


e que hoje seja o dia 
de não ser dia nenhum
senão este...

que baste olhar
através de uma janela
sem fecho
sem vidraças
sem parede para repousar...
mas não se prescinda 
do verde das trepadeiras
do ar para respirar
e que o simples dia
seja só para celebrar
a vida
a terra
o céu
o mar...

r.r. - Rosa Ralo

PINTURA ABSTRATA




Poema e Imagem de Paula Delgado