sábado, 6 de setembro de 2014

DENTRO DO AMOR


DENTRO DO AMOR


 Concreto e denso é o amor
Igual ao querer de permanência constante
Desejo insatisfeito por mais a haver
Como aquela criança livre que tudo espera.
Além-platónico estar contínuo de alerta total de
ânsia de viver o sonho divino na forma humana.
Encontro ocasional entre duas diferenças
Que se tornam iguais em seres diversos
Achados ao acaso de destinos inconcebíveis, raros de únicos
com tamanhos gigantescos, capazes de devolverem à Terra
O Sonho de um mundo há muito escrito no Céu. 


Fernando Figueirinhas

AO VENTRE DO VENTO

 


AO VENTRE DO VENTO


Quando as letras se prendem na memória
E o olhar persiste em escrever uma página
Respira fundo e conta outra história,
A que é a viver sem linhas de rotina!

Quando não houver lapiseira a agendar
Vira a página da memória e escreve
O que observas, não tens outra história
Tão igual e que mais possas recordar!

Encerra o capítulo com teus lábios
E alada ao vento escreve novas páginas,
Pelas sílabas do olhar há verbos sábios!

Quando os olhos lacrimejarem segue
Ao ventre do vento e leva as meninas
A passear pela natureza que ergue!

® RÓ MAR
 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ACORDA-ME LÁ PARA O FIM DE SETEMBRO


ACORDA-ME LÁ 

PARA O FIM DE SETEMBRO


Acorda-me lá para o fim de Setembro
quando os patos selvagens partem
e as ilusões param 
de cozinhar ao sol...
podemos então ficar na sombra
das últimas folhas a cair das árvores
e, suavemente ensaiar
cantos de despedida...
vindimar a vida
separar as castas
e beber vinho novo
e atravessar rios, ainda calmos...
por passadeiras de granito
firmes entre os rápidos de água fria...
podemos então dormitar
ao sol doirado
do entardecer de nós...
olhar o céu 
e deixar a alma migrar
até outras terras
onde ainda é permitido existir apenas
sem contas correntes, sem luto
sem a tormenta agonizante
sem a alternativa
de esperar o fim da nossa vida...
Acorda-me lá para o fim de Setembro
doirada ainda, vermelha e roxa
a ver se me lembro
de como se fermenta o mosto
do perfil honesto do meu rosto...

r.r. - Rosa Ralo

ARCOS


ARCOS


Entro em arcos de vida que o tempo marcou.
Vejo claro no início, sombras a passar, escuro ao fundo. 
Sinto o aroma de momentos inesquecíveis,
falo em pensamento o que não digo.

Há jardins e terraços que me atravessam ao meio,
campos verdes como o azul-mar
e eu no meio, horizonte perdido em paisagens.
Colunas suportam bustos conhecidos,
pessoas íntimas, família e aqueles que passam.
Esculpo Platão, penso em Hegel,
Rachmaninoff acompanha.
Ando pelas arcadas, encontro outros:
divas, musas e artistas em bandas.
Descubro vontades que traçam gestos,
gente desesperada por amor tardo.
Querem alma, 
entregam-se aos sentidos,
fundem-se.

Fernando Figueirinhas

GUITARRA... DEIXA-ME TOCAR!


Guitarra… Deixa-me tocar!


Sinto-te como uma guitarra
Que eu gosto de dedilhar
Se a mão a corda agarra
Alma nua, te quero amar
Toco-te com sentimento
E com muita suavidade
Mas que beleza de momento
Se te toco é só vaidade
Mas não sou só eu que o sinto
Porque te sinto tremer
Sinal de que eu não minto
E até sinto o teu prazer
Escrevo-te isto a correr
Gostava que fosse diferente
Devagar seria um prazer
Se tu te desses de presente
Gosto das cordas a vibrar
Ainda que não sinta as notas
É tão bom o desbravar
Ai amor… Será que topas?
Queria teu corpo encostado
Neste corpo que te quer
Jamais perderia um bocado
Dessa guitarra que é mulher.

Armindo Loureiro