quinta-feira, 9 de abril de 2015

MEUS OLHOS RASOS D' ÁGUA...


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Meus olhos rasos d´água…


Corre no rio do meu ser
Eternas brisas de mar…
O alvor do dia por nascer,
Etéreo no verbo amar:

- Minh’ alma vestindo a mágoa…
Bebe o luar da noite, em vão,
Vazando o seu coração,
Os meus olhos rasos d´água…

DA NOITE PARA O DIA

 
 
 

DA NOITE PARA O DIA


Mais uma noite passou e eu tão saudoso,
Não me deste atenção, má sorte a minha,
De te amar tanto como grande é o Mundo,
Mundo onde nós não cabemos, é a sina.

Noite longa que se arrastou até à aurora,
E eu sem te falar, sem te ver, a hibernar,
Sentiste prazer em me deixares suplicar,
Por teus beijos tão doces, como outrora.

Vejo os minutos e as horas a passar,
Sem ter imaginação para os agarrar,
Afaguei meu travesseiro, sensação
Tive eu, de sentir pulsar teu coração.

Ilusão, sonhos duma noite acordada,
Em que as aves noturnas agouravam
Tua ausência, maldade, sabor a nada,
E as pessoas reais já se levantavam.

Mergulhei então num sono profundo,
Sonhei que viajava por todo o Mundo
Para te encontrar e te poder acariciar,
Foi apenas a minha vontade de beijar.

Ruy Serrano

HOMENAGEM A HERBERTO HÉLDER

 
 
 

“Homenagem a Herberto Hélder”


 “Meu Deus, faz com que eu seja um poeta obscuro!”
Será que o lídimo poeta cria em Deus,
Sabendo bem o quanto escrever era duro
Sendo poucos os que liam versos seus?

Toda a escrita gerada pela excelsa lira,
Cuja ténue fronteira entre prosa e poesia
Qualquer leitor atento a descobre e admira
Num patamar de praia em pasmos de agonia…

A própria confissão do poeta fica obscura,
P´ la contingência do seu horizonte baço,
Num país onde medra e bem a incultura
E onde a Arte se evapora passo a passo.

O seu grito sincero é gémeo do silêncio
Paredes-meias com a fiel constatação
De que o mundo poético, qual vazio imenso,
Nunca lhe sustentava a identidade, não.

Se a escrita herbertiana é uma fortaleza,
Devido à perfeição da arte que contém,
Ela é poesia, ela é prosa, ela é certeza
E é Virtude que voa sempre mais além!

Frassino Machado

 In MUSA VIAJANTE 

terça-feira, 7 de abril de 2015

ASSIM SEJA!

 
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ASSIM SEJA!


 A velhice não é um velho estado de alma,
Um qualquer coração raso de vida,
Um trapo amarfanhado de outro tempo.
Assim seja!
Que seja ruga tão bela e vincada
E grisalho cabelo, que segredo flama,
Sabedoria a perpetuar outro tempo.
Assim seja!

A velhice é sempre aquele vento agradável
A qualquer olhar. É um mistério à vida,
Lágrima e alegria d’um tempo saudável.
Assim seja!
Que seja tão bela aos olhares quanto ao tempo,
Que nem beija-flor, pena suave e açucarada.
Assim seja!

® RÓ MAR
 

COMO VIVER...

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Como viver…

 
Vive-se na terra queimada
Sem se saber o porquê
Ouve tempo em que ela era amada
E neste tempo nada se vê
Já não homens como antes
Falta-lhes a pujança do rigor
Quase todos são uns infantes
Que desconhecem o que é amor
Amor palavra tão querida
Mas que alguns a desconhecem
Seu significado entra nesta vida
Em palavras que a amor se parecem
Não sei porque é assim
Pois poderia ser diferente
E que ninguém me diga a mim
Que sendo assim anda contente
Não… Não poderá andar
A não ser que não seja ninguém
Porquanto o saber amar
É no outro ser o que nos convém
Mas apenas se vive pró dinheiro
Neste mundo tão conturbado
Em que o amor já não é verdadeiro
Pois apenas o vil metal é adorado
Não me quero ver assim
Não me quero junto de outros
Antes ser flor num qualquer jardim
Mesmo que isso seja de loucos
Pelo menos terei quem me cheire
E me dê um pouco do seu amor
Quando de mim alguém se abeire
Colherá em mim o meu odor
Esse odor forte e sereno
Que sai de um homem tão a sério
É pujante e tão ameno
Eu vos digo… Não é mistério!
 
Armindo Loureiro