sábado, 24 de setembro de 2016

O OUTONO E EU




O OUTONO E EU


Chegou o outono, tempo de melancolia
Chegou em dia de sol,
Mas seguiu-se a noite amanhecendo fria...
Hoje me sinto outono, sem sorriso nem alegria
Sou meu próprio sonho, que tivera algum dia
Mas é triste e medonho como é enfadonho este dia!!

Estação ingrata esta estação me vigia,
Ela me deixa triste, outono sem alegria
Faz perder sorrisos, porque é cinzenta
E a que vem a seguir é a mais triste e violenta
É a estação onde eu estou a entrar fraca e lenta
É estação, que para muitos será a da tormenta!!

É uma linda e bela estação quem a ver entrar
Mas mais bela será ainda, se alguém lhe mostrar
Que pode muitas estações ainda viver,
Mas que a qualidade de vida se faça presente
Porque se esses condimentos não tiver,
Quero que de mim todas elas fiquem ausente.

Joana R. Rodrigues

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

SOMOS OS FILHOS DA (IMAGI)NAÇÃO




Somos os filhos da (imagi)nação


descendestes da casa que nos deu a mão
caminhamos infantes...nas bolhas da ilusão
enquanto filhos desta nação...
rimos e choramos com emoção
singramos da alma a razão
mesmo vibrando no pulsar de um coração
seja numa colina prado ou clareira
no charco enlameado ou rio cantante
poiso de um barco naufragado e seco 
curso e rumo do nosso ser estridente
fazer do silência a escola eterna da gente
hino que a alma desfolha
pela olhar de uma criança
que tudo sabe e ainda nem foi à escola
(...)

© Ana'Carvalhosa 

A BELEZA DOS DETALHES




“Os caminhos insondáveis da Arte”


Há caminhos insondáveis em toda a Arte...
E mais ainda nos meandros da Poesia,
Qualquer detalhe com beleza em toda a parte
Faz abrir os sentidos, em luz e em magia.
Olhando o horizonte fica-se em descarte
Na perspetiva contumaz da fantasia 
E a máscara da ficção assume-se como arte
Na retorcida imagem de torpe miopia.

Nos intermédios do poeta ou do artista
Pululam os detalhes feitos circunstância
Que apenas a emoção consegue detetar. 
Faz-se de espanto a reação da humana vista
Pois que descobre ao perto o que era na distância
E a obra de arte faz-se em breve germinar.

São belos os detalhes nos variados temas
Que cada encruzilhada pode revelar
E deles brotam as palavras e os poemas …

Os caminhos, p´ ra lá chegar, são insondáveis 
E os condimentos para a alma admiráveis! 

Frassino Machado

In JANELAS DA ALMA

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

PRECISO...




PRECISO...


preciso do meu silêncio
o que calmo me vem 
em trovoadas da minha gente

preciso do meu espaço
o que na imensidão do vácuo
possuo e tenho como sala de estar

preciso do meu bosque encantado
o que enfeito com as cordas dos dedos
e pinto-o no peito de amar

preciso do meu brinquedo
o que levo de trás para a frente
e corro com ele contente

preciso da minha almofada 
a que de ar é cheia e permanente
e deixa-me sonhar que sou gente

preciso do meu caminho
no meio de todo este bosque
na fantasia que é minha

preciso de não precisar
porque o que não tenho 
eu própria sei criar

Ana Carvalhosa

domingo, 11 de setembro de 2016

EU, TU E O MAR…


Imagem - Jean-Paul Avisse


EU, TU E O MAR…


Quando não estás perto de mim fujo
Para outro planeta, onde só há uma rosa
Vermelha a ancorar meu porto marujo
E ali fico, até o tempo voltar, em prosa.

Encontro-me no aconchego de pétalas
Que perfumam noites a laivos de um mar
Que é nosso e perco-me por ali a adora-las,
Remo até ao infinito de um recordar.

Quando não estás perto de mim amo
O universo que é tão nosso e respiro poesia
Pelos ventos de outro planeta, meu bálsamo.

Centelha pelo luar, leito de um amor
Que adormece ao meu lado até ser dia.
Eu, tu e o mar letra que desperta em flor.

® RÓ MAR