segunda-feira, 2 de junho de 2014

O AMOR É DAS ESSÊNCIAS, NÃO DAS CIÊNCIAS




O AMOR É DAS ESSÊNCIAS, 

NÃO DAS CIÊNCIAS 


O que tu amas em alguém não está no que tu abraças
(por isso muitos amaram sem terem abraçado amados).
O que tu amas em alguém,
se é pele, é outra pele por baixo da pele;
se é o olhar não é o dos olhos, é do que vem de dentro deles;
se é o calor do aconchego, não é a temperatura;
se é o sorriso não é o da boca;
se é a forma de andar,
se é o modo de mexer,
se é o jeito de te tocar,
nada tem que ver com o corpo ou seu apelo,
tem que ver com as naturezas dos dois, que nasceram irmãs,
e por isso se querem e se cuidam sem se questionarem.
O que tu amas em alguém é o fado comum,
é a irmandade dos não irmãos,
a amizade dos que se são mais,
a companhia que quilómetros no meio não afastam,
o desejo que a idade não consegue tirar e transforma.
O que tu amas em alguém é a sua inevitabilidade,
a sua imprescindibilidade,
a sua não substituibilidade
e o que te faz até seres tu, e te confere verdade.
(E o que tu amas em ti é o reflexo do que é de quem amas.)

Sérgio Lizardo

NOSSOS ARES




NOSSOS ARES


Meu amor conquistar o universo
É sinonimo de te ter a meu lado
E pelas minhas quadras beijo o verso
Que o coração declama ao mundo.

Que o coração declama ao mundo
Na prosa e poesia do nosso ninho
E pelas nossas penas de jasmim o todo
Que a alma escreve em silabas de sonho.

Que a alma escreve em silabas de sonho
Na melodiosa luz dos nossos olhares
E pelas nossas bocas ao céu soa a cantares
Que as peles dedilham em traço bisonho.

Que as peles dedilham em traço bisonho
É prelúdio pelo êxtase que fervilha
O nosso sangue em ébrios que componho
Nas letras nossas que circunscrevem a ilha.

Nas letras nossas que circunscrevem a ilha
Que descobrimos no planeta Marte
Onde a tinta é vermelha e sabe a arte
Que eleva o nosso ser ao sol que brilha.

Que eleva o nosso ser ao sol que brilha
E reflecte pela terra os nossos olhares
Que não distingo nesta breve centelha
Se são teus ou meus! Digo, nossos ares.

© RÓ MAR

SE...




SE...


Se...

Se eu soubesse.
Recebia de mãos abertas...
Tudo.

Se eu soubesse.
Dava de mãos abertas
Tudo.

Se...

Se fosse simples,
cantar poemas com aves.
Declamar a batida das asas.
Cantar a felicidade.
Cantava.

Se...

Se te visse triste,
Se tivesse o poder num beijo,
beijava-te.

Se...
Ver-te sorrir,
fosse a minha vontade,
Ajudava-te.

Se...

De longe me chames,
eu te não oiça,
Eu vou.

Se...
Ao sentir-te,
olhando para ti,
rezaria.
Espera por mim.

Se...

Se eu não pensasse,
Seria tudo tão mais fácil.
Seria feliz, talvez.
Nem tão pouco tento.
Nem tão pouco fujo.
É prisão.

Mas sinto.
Sim!
Sinto-te despertar,
Sinto os teus sentidos.

Se...
Tivessemos adormecido,
Não te poderia encontrar.

Se...
Os dias seguem as noites,
o frio aquece-me a alma.

Se...
Não te vejo,
nem por um pouco,
Sei que sim...
Que te vou encontrar.

Se não me apetecesse escrever.
Se não me apetecesse pensar.

Seria mais feliz,
talvez...
mas não!

Se...
É assim que quero estar!

Carlos Lobato

domingo, 1 de junho de 2014

CRIANÇA




Poema e imagem de José Sepúlveda

PAISAGEM ROMÂNTICA


MANLIO MORETTO (1917-2013)
“PAISAGENS BRASILEIRAS” (PARATI) [ÓLEO]


PAISAGEM ROMÂNTICA


Estendem-se os campos
para outros lugares.
Casas distantes
mares entre montanhas
barcos
um ponto de vida 
bem perto dali.
Cores mornas 
nuances de momentos
e a paixão 
de um dia feliz.
Quadro romântico
obra de um sonho escrito
por um pintor.

Fernando Figueirinhas