sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O ÚLTIMO POEMA PARA TI...


O ÚLTIMO POEMA PARA TI...


Escrevi-te o último poema
depois vou esquecer-te
às vezes...
sempre que o coração deixar...

e sem pressa
sem tragédia
deito o olhar no crescente da lua
absorvo o aromas das rosas de outono
corro as persianas
acendo um candeeiro suave
sobre a poltrona

e com um sorriso doce
adormeço-te em mim...

r.r.- Rosa Ralo

FALTA POESIA


FALTA POESIA


Faltam flores nas ruas,
faltam os romances de outrora, 
faltam alamedas cobertas
de copas a cruzar a rua.
Faltam olhares indiscretos
entre os casais,
faltam flores à mesa
que atrapalham o olhar.
Faltam pétalas
de rosas na cama.
Faltas tu e eu à melodia,
sentimentos de admiração.
Faltam sonhos ao mundo,
falta tudo.

Fernando Figueirinhas

QUIXOTESCO QUOTIDIANO


Arte : Setowski, Tomasz (1961- ) - 2011 Evening Don Quixote (Private Collection)



Quixotesco quotidiano


Todos os dias ao acordar
ouço o tropel
dos meus sentimentos por ti,
mente e corpo em desalinho,
tal a força do torvelinho
do vento adivinhando tempestades…

Por vezes penso-me
um Quixote moderno
em permanente busca
da minha Dulcineia,
sem o velho roncinante
e não tendo por companhia
o velho aio da mítica figura…

Determinado,
mesmo que sofra
a chacota da turba
e que por vezes,
vezes de mais admito,
aviste ao longe
no longínquo horizonte
os míticos moinhos de vento
porfiarei na minha busca de ti,
Brumosa Dulcineia,
até que habite o teu belo sorriso,
ou me desengane
em rude e brutal quimera…

Hamilton Ramos Afonso


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

DIZER-TE QUE…É MUITO POUCO!


Imagem - Bellissime Immagini 


DIZER-TE QUE…É MUITO POUCO!


Dizer-te que o Outubro está prestes a acabar
E que entre brincadeiras as bruxas rebolam
As abóboras-meninas de um final de mês;
Que o dia um de Novembro é os finados
E que vêem mais feriados
É muito pouco! 
Temos em frente um mês
De castanhas assadas ou piladas
E muito mais que o S. Martinho
Traz aos corredores das cidades
E erguem-se sementes pelos campos, que os enfeitam
De ervas e tais que erguem presépios lindos,
Algures nota-se rebentos de azevinho;
Crescem os pinheiros mansos que assentam
Em bom corte ao Dezembro que tem um lar!
Os ventos que embrulham este final de mês
Enrolam as folhas de Outono em chuvas várias
E o Inverno tece as pinhas que tentamos colorar
Para dar graça às mesas de nossos lares;
Perdem-se algumas pelos trigais que são alento
De tantos outros e o Natal está à porta do coração!
Dizer-te que ainda ontem era Primavera
E que esteve presente um Verão
Pelo raiar do Sol que cativou o Outono, sonho
Que desperta ao Inverno de amanhã, é muito pouco!
Dizer-te que a vida é um conjunto de falácias
Que se deleitam no paraíso da natureza
E deixam saudades arquitectadas em múltiplos sentidos,
Cousas que se perpetuam e não têm mês,
Nem ano certo a ser;
Têm algo, um nó que se fez beleza
Quando nossos corpos fecundaram o luar;
Talvez um Agosto ou um Setembro ensolarado
Que não foi arrefecido, quis ir mais além;
E, vai germinando
Pelo ar o vento cálido que tem o pensamento!
Dizer-te que foram alicerces de quimera
É muito pouco! Teve que ser o que era
E é talvez 
Um pouco mais que utopia; 
É a vida que tem suas partituras;
Consolidaram-se as folhas caídas, brochuras
Que o tempo não consegue ler
Talvez um dia 
Seja Primavera outra vez;
Talvez assim consiga expressar
O quanto tenho a dizer-te!
Por ora deixo-te o sopro do vento
Que vem em boa-hora, Verão;
S. Martinho vem abençoar
As terras de alguém!

® RÓ MAR

 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DOLOROSO ESQUECIMENTO




 DOLOROSO ESQUECIMENTO


Como dizer-te
que pinto catedrais noturnas
e não consigo iluminá-las
desde que o teu olhar se foi
para decifrá -las?

Como falar dos dedos tinta
com que contornava
o teu corpo alucinado?
Como posso acender fogueiras
no claustro
em cinza atormentado?

Como posso passear o sorriso
vestido de burel
se um anjo triste
apagou o meu pincel?

Mas digo saudade
e ribeira
e poeira no vento
cravos duros
doloroso esquecimento...

Rosa Ralo

ÉS LINDA MESMO



ÉS LINDA MESMO


Já te pintei o rosto com a arte
que, à minha maneira, pratico 
– várias vezes, a maioria das quais,
auxiliado pela obviedade,
dizendo, por estas ou outras sinón...imas palavras: és linda.
Porque és. És linda mesmo. Sabes que o és mas,
mesmo sabendo, como todas as que o são e sabem,
já ruborizaste acima das alas do teu sorriso,
quando a minha voz te pincelou os ouvidos
com um avermelhado de timidez ligeira 
que, sem tempo, te escorreu para o rosto.
Poeta que se preze serve para isso mesmo: para pintar.
E,se alguém me chama poeta do amor,
em que outra tela que não o teu rosto eu haveria de pintar?
Pinto também sobre paisagens, mas não as conheço assim…

Sérgio Lizardo

SENTIMENTOS DE POETA



SENTIMENTOS DE POETA


Poeta que ris, que choras e cantas
Contas a tua vida em poesia
São poemas com que encantas
Não vendo o rosto de quem sofria

Mas encantas com tua poesia
Quer nos momentos sonhadores
Contas quando vives a alegria
Ou até quando perdes os teus amores.

Poeta escreve com sentimento,
A poesia tem sempre um encanto
Mesmo tendo seu coração em lamento
E seus olhos em lágrimas de pranto.

Poeta que vives a poesia
E dela fazes tua confissão
Porque não vives com mais alegria
E deixas sair essas mágoas do coração?

Em cada dia que passa o poeta se revê,
Tantas vezes, na poesia que lê e escreve
Sentindo seu coração mais leve,
Mas o sentimento esse ninguém o vê.

Joana Rodrigues

MIL ESTROS...


Imagem - net (autor desconhecido)

Mil estros…


Mil estros d´Amor em Fogo Eterno!...
Estendem à noite as mãos erguidas...
Às trevas. E astros num enlaço fraterno,
Dão vida às figuras de mil ermidas!...
Quanta nobreza?! Ó almas de Monge!...
Pérolas neste desumano mundo,
Sede! Espírito iluminado, longe...
Em meus pobres versos! Oiro profundo!...
Cantando a dor que neste peito paira,
Cinzelada a pálida pedra rara,
As flores desfolhadas de ansiedade…
Tão finas!... Feitas pétalas jasmim!...
Tombaram, estarrecidas em mim,
Os Céus da mais pura claridade!...

Helena Martins



CALOURA




Caloura


 Bem rente ao Oceano
em zona onde a força do Mar,
em azul opulento,
nos lembra a força da coesão da agua
encontro o local ideal,
para no meio do ruído das ondas,
com as ondas a lamber a piscina natural
e deixando-me salpicar pelas gotas da agua
que se desfazem em espuma,
reflectir silenciosamente
na força da saudade...

O mar imenso que teima em separar-nos,
que teima em se interpor no abraço
que ambos queremos, 
é o mesmo mar que nos une
pela vontade de dar corpo ao amor
que ambos sentimos um pelo outro…

E no meio do ruído da voz do mar distingo
o teu grito de saudade
e nele encontro forças para seguir em frente, 
usufruindo do sossego que me rodeia 
no meio do barulho das ondas do mar…
… a serenidade que reina no meu coração.

Hamilton Ramos Afonso

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ABRE A PORTA DO CORAÇÃO...



Imagem - Aimer la Nature (Love the Nature) 


Abre a porta coração…


Jamais me quero perder
E deixar o meu amor fugir
Ao relento que seria do prazer
Que em ti eu gosto de sentir

Nunca me feches a porta
Quando entra o sentimento
A ideia pode andar torta
Mas ama-me nesse momento

Quero sonhar com emoção
Quero sentir a consciência
Empoeirada numa ilusão
Da beleza da existência

Gosto de te ver sorrir
Gosto por seres diferente
As mágoas lavam o meu sentir
Num carinho sempre presente

Gostaria de ser perfeito
Poder-te abraçar com alegria
Mas contudo este meu jeito
Relaciona-se mais com a poesia

Por isso aqui vai meu toque
Que é feito com a ponta do dedo
Que jamais haja em ti remoque
E de mim nunca tenhas medo.

Armindo Loureiro 


VISÃO DE OUTONO


Imagem - Bellissime Immagini 

"VISÃO DE OUTONO"



Vejo crescer o nevoeiro,
vestido de cinzento aveludado
que sai do rio a correr
e vem deitar-se no meu telhado.

Vejo o vale do anoitecer,
a endoidecer a noite que se aproxima
trás chamas de ventos que se perderam
lá no fundo das montanhas
onde corre água fresca de uma mina.

Vejo os castanheiros a dar à luz
castanhas com cascas luzidias 
que se desprendem do ouriço com lentidão
e beijam a terra ao cair no chão.

Vejo campos verdes a baloiçar
e pássaros de muitas cores garridas
cestas de verga cheias de maçãs
a bailar nos braços de lindas raparigas.

Margarida Fidalgo

ACREDITO



ACREDITO



Não acredito que existam diferenças biológicas entre homens bons e maus, salvo alguns casos mórbidos de patologia comprovada.
Acredito na diferença evidente entre seres racionais e irracionais.
Acredito na vontade dominada pela consciência que é própria da inteligência e que dá vida à liberdade.
Acredito na necessidade de justiça, de igualdade de oportunidades e dos direitos individuais.
Acredito também no egoísmo, na indiferença, e na falta de sensibilidade que caracteriza alguns seres que se esquecem ou recusam sua humanidade.
Não acredito que o mundo não possa mudar para melhor, quando depois de pensado e avaliado por sã consciência, e amado em cada gesto, se torne indiferente perante a grandeza de cada um dos seus seres que o tornam diferente.
Não acredito que estas possibilidades provenientes da inteligência partam de seres desprovidos de consciência.
Não acredito na lógica que pretende diminuir o homem àquilo que ele não é.
Acredito que há algo acima do homem que o torna maior do que aquilo que ele é.

Fernando Figueirinhas


ESQUINAS QUE ABASTECEM LARGAS RUAS!


 Imagem - Bellissime Immagini


ESQUINAS QUE ABASTECEM LARGAS RUAS!


Amo sempre mais que a conta, defeito
Que me sobra de pequena, meu jeito,
Mais olhos que barriga, que fazer!?
O tempo dirá os sonhos que irão ser!

Vivo sempre o tempo que irá nascer,
Que me tem ao colo desde pequena,
E, passo os dias regalados, serena
Pelo presépio que é meu tão parecer!

Sou ser igual, equidistante e diferente
Aos quais que passeiam pela vida da gente;
Tenho as minhas ideias, não filosofias,
Esquinas que abastecem largas ruas!

® RÓ MAR

PARTITURA


Arte: Roger Suraud + Tutt'Art@ (14) 

Partitura


As minhas mãos lêem o teu corpo
como quem lê uma pauta de música
e dessa leitura resulta uma harmoniosa melodia
que vibra no meu corpo e tem eco no teu…

As minhas mãos arrancam do teu corpo 
os trinados de uma guitarra,
os gemidos suaves e lânguidos de um violino
os harpejos ofegantes duma harpa...

Os dedos das minhas mãos,
em harmonia, 
fazem melodia no teu corpo 
e o meu vibra com a leitura da pauta...

Hamilton Ramos Afonso


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ESTA NOITE

Imagem - net (autor desconhecido)


ESTA NOITE


Esta noite só quero adormecer
não quero sonhar nem sequer
pensar que um sonho possa ter
porque são dias e noites,as que
tantas fiquei sem adormecer,

Mas esta noite são de recordações
pensar em tudo o que contigo vivi
os dias eram dias de celebrações
hoje apenas restam as emoções
tantas foram aquelas que contigo reparti

Esta noite quero que minha memória
se liberte, me deixe num sono inerte
em que o passado passou a ser história
e eu ao olhar o céu vestido de azul celeste
deixasse voar e libertasse a minha memória.

Joana Rodrigues

PERDÃO


Imagem - net (autor desconhecido)

PERDÃO


Não segurei suas mãos
estendidas em aflição
tal dor em comoção
não dei atenção!

Perdi a razão,
a emoção se findou
como um iceberg
congelou.
Esqueci as orações
que em noites agitadas
acalmava seu coração!

Segui a razão, mas é meu
sangue meu irmão...
Acomodei a brasa em 
chamas da resignação
mesmo queimando
minhas mãos.

Perdoe-me, sou um simples
mortal, que te ama, além
do mal, mesmo as vezes
sendo o próprio sal esparramado 
em vendavais da incompreensão,
deveria beijar tua face, ver-te feliz
sorrindo, sem graça, secar tuas 
lágrimas...

Sem propósito ferimos, mesmo 
sentido-te arredio, por tão poucos
motivos que levam a desunião.
Sentimento egoísta, que esvazia 
o coração, mas entenda e permita
o perdão.
Sentimento doce, que abranda o
coração.

Rosely Andreassa 


APRENDI...




Aprendi...


Aprendi, 
com o tempo,
por vezes amargamente 
que as palavras brandidas 
sem ter o interlocutor ao alcance
de um olhar saem equívocas
na forma como chegam ao destinatário...
...que tem o mesmo problema
de não ter o meu olhar ao seu alcance.

Aprendi a calar alguns desabafos, 
a medir as minhas palavras, 
a fazer com que os gestos de afecto
fossem substituindo a verbalização dos mesmos, 
mas sobretudo a calar alguma da vontade 
de replicar para evitar os equívocos naturais
de não me lerem a emoção e a ênfase
colocada na sua emissão acompanhadas 
pelo olhar de ternura e de carinho
com que elas me saíam...

Assim passei a falar-te de afecto com os meus abraços, 
as carícias das minhas mãos e a doçura dos beijos
com que respondo aos teus...na exacta medida e dimensão 
daqueles gestos que em nós fizeram a magia
de nos silenciar as palavras e aquecer os gestos...

Hamilton Ramos Afonso


MINHA QUERIDA, FLORES DE QUÃO LAÇOS!


Imagem - Beautiful world. Nature, love, art.



MINHA QUERIDA, FLORES DE QUÃO LAÇOS!



São singelas flores, minha querida,
Embrulhadas em refinada seda;
Tecida pelas camponesas da aldeia
Que penteiam corações que têm à ideia.

Níveas, tal a beleza que ais guardado,
De olho amarelo, que sou enamorado;
Escrevo nos teus olhos margaridas
A mais linda estória de nossas vidas.

São o símbolo de tais e quão segredos,
Os que ouso desnovelar ao teu lado
Pelo singelo abraço que une os namorados.

Letras que quero que sintas nos braços;
Reflexos de coração apaixonado,
Minha querida, flores de quão laços!

® RÓ MAR


QUEM SOU?


Pintura - Claude Monet Art


Quem sou?


Eu sempre levei a sério
O que era de o levar
A sério é um mistério
De quem não o sabe amar
Sou um homem sério
Ou julgo que o sou
Em mim não há mistério
Porque a sério ele o levou
Ser sério não é filosofia
Mas um princípio de vida
Já tive mais alegria
Numa poesia por mim sentida
Levam-me a ser o que não sou
E eu fico muito descontente
Ele há coisas que de mim dou
Porque existem na minha mente
São existências fenomenais
Que eu gosto de dar aos outros
Não há dois homens iguais
E nem todos serão loucos
Sou louco por natureza
Em meus belos pensamentos
Para mim todos têm beleza
E lembram meus bons momentos
Vou-me deixar de sonhar
Em sonhos que seriam belos
Mas vou continuar a amar
Os sonhos… Que bom é tê-los
Sou um homem bem diferente
De outros homens deste mundo
Por vezes tenho presente
Que também sou um ser profundo
Profundo no meu pensamento
Profundo nas minhas atitudes
Lembrando sempre a tempo
Que o momento é de virtudes
Vivam os homens que são assim
Que sabem sempre o que são
E que nenhum me diga a mim
Que assim não há paixão…

Armindo Loureiro 


BRONZEEI AS IDEIAS


BRONZEEI AS IDEIAS


Abri a porta há muito fechada
larguei os livros que me mandaram para fora 
saí a ver o sol que há muito não via
calor escaldante no deserto de gente
que ia em mim.
Acalmei os ímpetos da máquina frenética
horrores de palavras do poeta maldito.
Fazia-se paz em meu espírito
distante de qualquer momento repentino.
Deixei o sol entrar e bronzear as ideias
de alegrias.
Senti queimar o fogo que me ardia
ondas de calor me derretiam
as frases presas na memória
calafrios provocados por um querer incontido.

Fernando Figueirinhas

FIM DA CAMINHADA


Arte : Aurora brutality by Tommy Richardsen 


Fim da caminhada


 Esta angustiante espera
da despedida daquilo que foi 
a tua passagem pela vida 
cava bem fundo a dor da perda, 
deixa marcada em sulcos a saudade 
que a tua ausência vai deixar-nos

O Património que nos legas,
vazio de bens materiais,
é infinitamente rico do exemplo, 
da força que nos transmitiste, 
dos valores que nos ensinaste, 
do orgulho que nos deixaste
em desfrutarmos do teu caminhar 
ao nosso lado em vida...

Coube-me a mim acolher nos braços
o teu ultimo suspiro, momento inolvidável, 
que me marcará ao longo da minha caminhada
que corre também ela, a passos largos, para o ocaso...

Que seja digno desse testemunho 
e que o possa transmitir aos que me seguem 
como se fosse apenas e só um abraço de despedida 
como os que te fui dando ao longo da vida 
sempre com um cúmplice até já.

E quando olharmos para o Céu,
em noites tantas vezes contigo repartidas
saberemos que lá em cima há mais uma Alma
a cuidar dos que cá ficam com a imensa saudade 
da tua ausência mas ricos do exemplo
que foste para todos nós...

Hamilton Ramos Afonso


AMA-SE, PONTO.




AMA-SE, PONTO.


Ninguém acha que ama: ninguém acha que existe,
ninguém acha que tem fome, ninguém acha nada
quando aquilo a que se refere ou é ou não é, certo?

Tem-se fome, ponto. Existe-se, ponto. Ama-se, ponto.

Tem-se fome de existir, e isso é amar.
Existe-se com amor, e isso é fome de mais.
Ama-se com fome de existir, e isso é certo. 

Mas ama-se, ponto – até desde antes de se concluir que se ama.
Ainda que não se ache logo que é assim, vai-se ver e é, ponto.

(Tenho agora como certo que te amo
desde antes das dúvidas que não tive!)

Sérgio Lizardo

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O OUTONO PELO ALPENDRE DE UMA SÓ CALMA


Imagem - Viktoria Mullin Photography


O OUTONO PELO ALPENDRE DE UMA SÓ CALMA 


Quando o apagão surge há sempre um céu
Azul que acolhe a vida, um só chilrear
De alva luz, encolhe o temível breu;
Universos, sustenidos de encantar!

O Outono escreve pela pauta os mais belos
Poemas, o coração teima escutar
As letras musicadas pelos alvéolos;
Que ventos, engenhos doces de amar!

Linhas cor-de-rosa, que nem as penas,
Revoando pelo céu, bicos de nova alma;
Eis o sol das Primaveras de Atenas!

O Outono pelo alpendre de uma só calma
É diferente, traz anilhas de asas
Múltiplas, alegorias em quão praças!

® RÓ MAR


AGORA,


 Agora,


alimento-me do teu silêncio,
da escassez do toque,
do desinteresse do teu sorriso,

agora,

sonho o momento da lembrança,

a eficácia da saudade,
ou a memória dos afectos,

agora,
eu que gritei o amor,
que vesti e despi a dor,
limito-me a sorver a espera,
ou a beber dessa fonte uma gota,
de quimera,

talvez, um destes dias,
mesmo com as noites frias,
e as horas tão vazias,
me sorria a primavera,

talvez, um destes dias,
por entre rosas bravias,
me lembre como sorrias,
me lembre de como eu era...

agora,

alimento-me do teu silêncio...
limito-me a sorver a espera...

Rosamar

O ENCANTO DO ENCANTAMENTO


Imagem - net (autor desconhecido)


O Encanto do Encantamento 


 Um rosto, 
onde reside
um sorriso gaiato,
fresco e franco,
onde apetece permanecer, 
sorvendo a alegria 
que nele pulsa vibrante...

Sobrancelhas irrepreensivelmente tratadas
pestanas bem destacadas
com ajuda de uma boa mascara, 
ornam dois olhos ladinos 
cheios de vida ,onde se instalam
miriades de pequenas e cintilantes estrelas…

Os lábios sensuais,
de carnuda seda 
encantam e apelam ao meu desejo 
de neles beber o suco de fruta vermelha,
que o baton me sugere...

E naquela esplanada frente ao teu rosto 
ali fiquei enfeitiçado,
despertando apenas quando ouvi alguém dizer 
que se tivesse que legendar a fotografia do nosso encontro
estaria perante 
«o encanto do encantamento»

Hamilton Ramos Afonso


VOU PINTAR O PENSAMENTO


Ademaro bartelli - Open ArtGroup


"VOU PINTAR O PENSAMENTO"


Vou pintar o pensamento
com tintas de cores dos sonhos
onde deambula a noite 
numa algazarra medonha
que me tolda os sentidos
e me confunde o pensamento.
Na rua desnudada apanho a tela
que está fria e abandonada,
mas eu gostei dela, e nela vou pintar
os meus pensamentos cheios de luar.
Às vezes quero saber tudo...
mas tropeço e fico perdida
deixo cair as tintas na calçada
e o pincel nas mãos adormecidas.
Que raio de pensamento é o meu!
Que se confunde nas teias da insegurânça
não sei se pinte o pensamento
Ou a minha incerta esperânça.

 Margarida Fidalgo