segunda-feira, 17 de novembro de 2014

NOITE AZUL


Imagem - net (autor desconhecido)


«Noite Azul»


Na tua ausência, no pesado gume da saudade,
procuro encontrar o teu sorriso gaiato, nas
enredadas recordações dos traços do teu
rosto iluminado pela luz do luar em noite
clara junto ao mar.

A luz prateada que empresta à calmaria da praia
um lindo manto ondeando ao sabor dolente das
ondas que vêm beijar meus pés, levemente enterrados
nos finos areais onde pulsa vida quando o astro-rei se
faz presente, ilumina a noite vestindo-a dum belo azul

E então a minha alma em silêncio, enche-se de felicidade 
e o meu rosto ilumina-se naquele sorriso que me encanta e 
que aprendi a gostar de ver no teu jovial rosto,
o sorriso gaiato que me seduziu e me prende ao amor
que ambos jurámos um ao outro , pela vida fora…

O doce sentir da promessa jurada que um dia será cumprida
talvez , quem sabe ,em noite azul, numa praia onde estejamos
sós em enleio de amor, apenas testemunhado pelos ténues raios
de prata da lua.

Da lua cheia, como plena será a nossa entrega.

Hamilton Ramos Afonso

SEARAS DE SAUDADE


"SEARAS DE SAUDADE"


Aquelas searas ondulantes
Que o vento faz baloiçar,
São murmúrios de saudade
Beijos dados ao luar.

Leiras de trevo dourado
Que o sol pincelou,
São perpétuas floridas
Que a geada secou.

Repenicados gorjeios
Ao romper da linda aurora,
Uivos por trás dos fraguedos
E,o burro a puxar à nora.

Margarida Fidalgo

ÂNCORA




Âncora!


Sou âncora de um pensamento, jamais esquecido, 
em que o homem do leme adormeceu 
caindo nas águas profundas de um rio.

Emaranhada em algas e perdida no tempo por lá fiquei, como o barco enraivecido 
em tormentas, onde o céu desceu para o beijar.

Ainda preso aquela âncora em que o pavio vai desfalecendo 
nas horas já gastas do pensamento entre o ontem e o amanhã, porque as lágrimas 
vertidas e retidas em imagens de um passado vivido 
e de um presente futuro, morrem no abismo 
negro desse mar.

Âncora enferrujada, despojada, abandonada, sem rumo 
esquecida, sem dó ou lamento neste agora que se perdeu.

Só restam as lágrimas
desse rio.

M.C. - Manuela Clérigo


EM TUDO ME DEI



EM TUDO ME DEI


em tudo me dei,
meu amor entreguei,
a quem ousou, 
a quem passou,
a quem me leu,
a quem me folheou,

a quem me deu,
um pouco de atenção,
mostrei o meu interior,
mostrei a minha alegria,
mostrei a minha dor,
mostrei a fantasia,
mostrei o meu amor,
a minha sinceridade,
a minha sensibilidade,
a minha ânsia de liberdade,
o saber estender a mão,
o valor da amizade,
a minha infelicidade,
nunca fiz contradição,

se alguém não viu,
se não acreditou,
se não sentiu,

não soube ler-me o,

coração...

Rosamar

terça-feira, 4 de novembro de 2014

AINDA NÃO TE DISSE QUE AINDA TE AMO


Imagem - Emozioni ed Atmosfere


AINDA NÃO TE DISSE QUE AINDA TE AMO


Ainda não te disse que ainda te amo,
Que ainda não te esqueci; não sei dizer
Ou até saiba, mas, sei que é longe a ser;
Nada escutas de mim, mas, amo-te.

Amo-te tal outrora, ou, até ainda mais,
Perco-me em entrelinhas e esqueço
Que nem entenderias que ainda penso
Em nós e o quanto ainda tenho a dizer-te.

Ainda não te disse que ainda te amo;
Nunca é tarde demais para o fazer,
Ou até seja, mas, jamais é demais;
Nada que o tempo não dê, porque amo-te.

Amo-te tal outrora, ou até ainda mais;
Quando escapulirem as turvas águas
De meu olhar, notarás o `Sol´ das tréguas
Então, direi-te o quanto ainda tenho a amar-te.

® RÓ MAR

LAREIRA ACESA


Lareira acesa


Lareira acesa em fogo vivo,
com a lenha a crepitar
no rito devorador do fogo
a contrastar com o aguaceiro
que cai lá fora 

acompanhado daquela brisa desagradável

que arrasta os pingos da chuva
e nos molha, obrigando-nos ao malabarismo
de rodar o guarda- chuva , 
para tentar evitar o inevitável…

O langor do calor que impregna o ambiente,
convida ao enroscar de dois corpos
no abrigo de um colo acolhedor, 

ancorando-nos no amplexo de dois braços
que nos acolhem e nos abraçam sem sufocar…

As carícias e os mimos da paixão e do desejo
fazem com que o chão da sala
fique juncado da roupa que nos cobria a nudez
e então os dois descobrimos, 
com prazer e volúpia que a roupa
que melhor nos assenta é a pele um do outro, 
cobrindo-nos e aquecendo-nos…

Como é bom descobrir, 
que até com o calor da lareira a aquecer-nos,
há arrepios e suores frios que nos são sublimes, 
e contradição, nos aquecem o coração…

Hamilton Ramos Afonso

SONETO OUTONAL



SONETO OUTONAL 


Gotas de água deslizam nas janelas
E o vento agita as folhas no arvoredo
Que vão caindo tristes, em segredo
A denunciar as penas dentro delas.

As aves, ainda ontem sentinelas
Cantando ao desafio de manhã cedo,
Abrigam-se por hoje entre o vinhedo
Esperando que o sol chame por elas.

Também eu, com as penas engelhadas
Num fim de tarde muito denegrido,
Trauteio as minhas ânsias em baladas.

Compondo este soneto desvalido
Com as ideias meio emparedadas
Não oiço deste outono o seu ruído…

Mas cá dentro de mim, em sinfonia,
Sinto porém um disperso alarido
Com sonhos e emoções em sintonia.

Frassino Machado

In MUSA VIAJANTE

DESEMBRULHO PALAVRAS...


Imagem - Bellissime Immagini  


Desembrulho palavras…


Escrevo-te aqui ao luar
No ventre do meu querer
As tuas paredes são de amar
Tua vida nelas sente prazer

Saco das gavetas palavras
Melhoro assim meu pensamento
São palavras que me foram dadas
Para em ti sentir este momento

Sois as mãos que eu quero ver
A desembrulhar palavras vivas
Há traços e riscos do meu crer
Nessas palavras por ti queridas

Jorram palavras nesse papel
Escorre a tinta do tinteiro
Nenhuma delas sabe a fel
Destinam-se ao mundo inteiro

Há palavras que me vestem
Desde a noite até ao ser dia
Quando assim que se prestem
Para te darem alguma alegria.

Armindo Loureiro 

SABOREIO



SABOREIO


Saboreio cada um dos teus passos
cada um dos teus mistérios
cada olhar distraído que me lanças.
Percebo-te nos mais indeléveis traços
sentimentos claros que se revelam
em teus passos.
Sufoco-me quando te pressinto
sem saber como sentir.
Penso naquilo que me trazes
sem nada te pedir -
conforto de amado sentir eleva-me
não sei se para perto de ti,
se para longe de mim.

Fernando Figueirinhas


sábado, 1 de novembro de 2014

N O V E M B R O


Imagem - Lo Charme è un nodo da stringere con stile


N  O  V   E  M  B   R  O


N   ovembro tem pitada de misticismo e largo coração,

O   tal décimo primeiro mês do ano!

V   erão de S. Martinho trajado de tradição,

E   ntre chuvas e ventos há fogueiras ateadas,

M   aré alta, trovoadas de castanhas assadas;

B  élicas parreiras que esparralham seu frutos

R   otulando a terra de safra diva, néctar de novo ano.

O   lvidai os maus presságios e colhei estes belos frutos!


® RÓ MAR

TEMPORAL


TEMPORAL


A chuva beija-me a face, gotículas reluzem meus olhos.

Empoço meus pés, mesmo molhados, levitam conhecem
o caminho...

As roupas encharcadas, olhares curiosos, faces desconhecidas,
gracejos e sorrisos...

Minha mente alimenta-se da nona sinfonia, Beethoven acelera meu
coração...

Ponteio o céu, o vento afasta as nuvens, meu caminhar é leve, meu
coração acelera...

Atento-me a uma sombra de corpo presente, enlaço-me nos seus braços,
banho-te com o doce e o sal, o amargo e mel...

Adentra no meu ninho, constata a escassa síndrome de cinderela.

Observa as rosas sem viço, saudosas das suas mãos, do brilho do seu
olhar...

Querido, tingi as paredes de azul, o cinza ficou envelhecido, isolado
no passado...

Ruborizo diante dos seus olhos castanhos, disfarço, desconverso, embaraço-me com o seu olhar,
sua ternura em falar...

Repouso meu cansaço no seu corpo.

Seu calor abrasa-me o corpo, numa febre que faz enlouquecer, nessa magia, somos apenas um
Eu sou você.

Rosely Andreassa