sábado, 26 de dezembro de 2015

O QUE É A POESIA?




O que é a poesia?


Hoje perguntei
Ao meu pensamento,
Disse-me que eu sabia
Era da alma um chamamento
Escrever e dizer o que sentia
Na hora e em qualquer momento

Não sei se acredite na teoria
Mas afinal o que é a poesia?
Será mesmo algum talento!
Ou o tal chamamento,
Que não tem hora nem dia,

Há dias assim em que as palavras
Se soltam como se fosse magia
Umas saiem outras voltam,
Continuo a não saber o que é poesia,

Eu escrevo aquilo que a minha alma dita
Será isto um chamamento,
Ou apenas gostar da palavra escrita
Eu não sei se é talento, porque é a alma que dita

Gosto de palavras que mostram sentimento
Umas vezes de amor ou apenas louca paixão
Tudo é sentimento ,até a dor e o sofrimento
Mas se ser poeta é escrever o que diz o coração
Eu escrevo mas não sei se é poesia ou não...

Joana R. Rodrigues


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

E NÃO HOUVE OUTRA NOITE




E NÃO HOUVE OUTRA NOITE


As horas passaram e a noite adormeceu lá,
Ao ensurdecedor vento, numa manta de lua cheia
De sonhos… suplicando ainda à neblina, na mão cheia
De esperanças, que houvesse alguém omnipresente.
E, assim os ponteiros definharam lentamente…
Eis que surge a monopegia de um novo dia
Que tem uma vida enraizada em memórias que ficaram lá:
Onde ninguém poluiu a alma, num relógio intermitente
De um tempo indefinido, quando a lua estava lá
De braços abertos… E não houve outra noite.

© RÓ MAR


ÉS UM RAIO DE LUZ




És um raio de luz


Nesta noite 
onde sinto 
a minh’ alma 
cheia de nada 
e vazia de tudo 
procuro-te
e recolho-me
na tua força 
confio-te 
as minhas dores
e a minha maneira
de viver.
Neste noite
onde por diversas
vezes me perco
no vazio 
do meu olhar
mas sei que tu 
estás lá 
a olhar-me 
e fazes 
com que encontre 
um pouquinho 
do céu 
és o meu
reflexo 
és como 
um raio de luz
e sei que 
estás sempre
ao meu lado
eu só sei 
o que sinto
eu só sei
que nada sou
sem ti.

Mila Lopes


SIMBIOSE


Arte: Igor Zenin


SIMBIOSE

 
Conhecemo-nos numa altura
em que ambos sofriamos
o embate das tempestades que a vida proporciona
a quem tem a alma sensível como nós, 
tempestades que nos fazem abanar, 
vergar, mas sem torcermos…

Pediste a minha ajuda; solicitei a tua 
e com afecto e carinho ambos fomos capazes de dar a volta,
funcionando eu como haste que se agarra, firmemente à terra, 
e enlenado-se ao caule da frágil planta
a ajuda a crescer direita…

Na minha firmeza encontraste forças para cresceres,
com confiança, brotando de ti o perfume próprio 
das mais belas rosas e o viço e a cor de pétalas bem orvalhadas, 
pela seiva do afecto.

Esse teu perfume e viço serviu-me para manter o rumo
e a firmeza que te serviu de amparo em completa e útil simbiose, 
como os líquenes que sobrevivem
e protegem as cascas das árvores onde vivem.

SOL, CHUVA, ARCO-ÍRIS...




Sol, chuva, Arco-íris...


Quando o meu coração está junto ao seu 
nada mais importa.
Esqueço o sol deitando-se, derramando calor.
Quanto o meu coração está junto ao seu...
eu apenas deixo-me nadar nas ondas do vento
me afogar nas nuvens...
Roubo todas as cores do arco-íris.
Esqueço que o dia apagou com a noite
e que já escureceu.
Quanto o meu coração está junto ao seu...
Os relógios param, não há tempo, 
está tudo mais sem tempo e pouco me importa.
Os momentos surgem e os vivo em plenitude...

Madalena Lessa


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

IMPRESSÃO DIGITAL




IMPRESSÃO DIGITAL


Abro os caminhos
ladrilhados pelos passos
que não dei.
Mantenho a verticalidade
mas permaneço na perdição.
Para onde vou, não sei.

Ultrapasso os muros
que me cercam.
Num passo em falso,
sei da robustez do chão.
Fico a seus pés.

Da terra posso ver as estrelas
e as pedras choram por mim.
Suportam o peso
e o que sou.

Fico à distância do estender de mão.

Amparo-me
na impunidade
que se mantem firme.

Não subo degraus.
Elevo-me
para ficar vertical.
Foge-me a língua
para os olhos.

Vejo a serenidade
quieta da existência.

Deixo o sorriso sofrido
enroscado nos murmúrios
das ruínas 
do meu corpo
retorcido.

Não voltei a pisar
as pedras da rua
que me possuíram
e onde deixei a minha
impressão digital.

Ana Pereira


POR ONDE CAMINHAIS, Ó GENTIL ALMA?




Por onde caminhais, ó gentil alma?


Por onde caminhais, ó gentil alma?
Quedada no silêncio das palavras...
As que trouxeram a melodia e a calma
Desperta nos mil desejos que lavras…

Em que mares, em que rios, ó alma?
Desaguas de infinidade e inquietude...
Este poema que redijo e me acalma...
É o teu ser que me visita e alude?

Ah, esta saudade tão forte em mim
É faísca viva que cintila a jeito…
Feita flor perfumada de jasmim
Suavizando a dor que trago no peito…

E caminhando nos teus passos, a vida
Vai e disfarça, tão solenemente, 
A brisa suave dos ventos na partida
E o aljôfar que me cai docemente…

Helena Martins


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

UTOPIA DE VENDAVAIS




UTOPIA DE VENDAVAIS


Há uma alma mística no teu regaço
Que difunde em baladas no espaço.
É roseira bravia que enlouquece, porém,
Seu perfume nos leva aos mistérios do além.

Tempestuosas e rubras paixões
Esvoaçam pelos largos corações
Em tamanhos violinos e outros mais
Orquestras das sifónias multiculturais.

Há um verso, metáforas em diacronia
Que enlaçam divinal e agilmente nos reais
Palácios que se acharam à poesia.

Há uma alma mutante que é o dia
E também utopia de vendavais
Que te assoleiam as entranhas de magia.

© RÓ MAR


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

MORNAS E COLADEIRAS...




Mornas e Coladeiras...

 
A Saudade 
geme nas cordas 
dos cavaquinhos e do violão 
e nas cordas vocais
da bela mulata 
de olhos verdes
que a canta no quente langor
da morna...

O estertor 
dos ultimos raios de luz
do Astro Rei, 
nas cambiantes cromáticas 
que só nos trópicos vislumbramos ,
dá lugar à escuridão 
rapidamente dissipada
pela argentea luminosidade 
da Lua...

Na praia 
sentado à beira mar 
ouço o sussurro 
das pequenas ondas
que se desfazem em espuma
aos meus pés, 
juntando o seu marulhar
ao toque da saudade...

Lágrimas caem-me salgadas 
em mistura de saudade,
alimentada pelo extenso oceano
que nos separa
e a comoção
da recepção daqueles
que me trataram sempre
como um dos que aqui nasceram...

Calada a lenta harmonia da saudade , 
a morna dá lugar á alegria contagiante da coladeira, 
levanto-me determinado a viver de novo 
a alegria de ter voltado
e prometo dar de mim o meu melhor
por quem me recebeu com fidalguia, 
de braços abertos...

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

AMIGOS




AMIGOS


Noite escura como breu
Não se vê uma estrela no céu 
Na rua o silêncio é assustador 
Da lareira sinto o intenso calor

Minha sala está completamente vazia
Tento fixar a minha atenção na leitura
Num livro muito antigo de bela poesia 
Escrito com quadras de amor e ternura 

Mas o meu pensamento está solto
Desejando velejar num mar revolto
Elevar-me e pelos céus poder voar
Ser feliz e ter amigos para abraçar 

Paulo Gomes


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

SÃO VENTOS QUE INVADEM A ALMA




SÃO VENTOS QUE INVADEM A ALMA


São ventos que invadem a alma
Em beijos de seda pelos poros ávidos de primavera;
São rochedos de flor de açucena, quimera
Que volve a luz e cintila a sôfrega alma.

Pelas noites esvoaçam os cabelos de fino linho
E se acariciam as melodias que o coração soletra,
O olhar é alquimia e o pensamento é sonho
Que se vence ao amanhecer no corpo que leve desperta.

Entre a noite a lua que se desenhou cresceu no brocado
Adamascado que saciou os desejos recônditos
E beija o dia na amenidade dos lábios
Que são sóis que vencem o Mundo.

© RÓ MAR


AMO-TE


Arte: Vidan


Amo-te
 

Amo-te,
a cada dia que passa 
com a força acrescida 
da convicção 
de quem não tem dúvidas
do seu afecto, 
porque a alma, 
a minha alma me grita
todos os dias 
o nome desse afecto...

Amo-te,
com a força telúrica
que aprendi a conhecer
e a gostar de ter 
mal me encontrei
com o sorriso gaiato
que apenas conhecia 
do mundo virtual...

Amo-te, 
como declinei 
em sussurro ao teu ouvido
quando envolvidos
no nosso primeiro abraço,
encostaste a tua cabeça ao meu peito 
e senti o perfume do teu corpo
a misturar-se com o meu,
em aromas de alfazema, 
canela, madeiras, e jasmim 
no calor em fusão
de dois corpos
que se alapavam
um no outro
no laço das duas almas
que se amam...

Amo-te, 
sem ter de dar outras razões 
que não sejam essas
a de te amar,
a cada dia que passa
mais e mais...

Hamilton Ramos Afonso
In, Amor como o primeiro..., Chiado Editora

LÁGRIMA PERDIDA




LÁGRIMA PERDIDA


Perdi uma lágrima entre tantas,
Foi a lágrima mais amarga 
Que chorei,
É a minha sina, minha saga,
Tantas lágrimas eu perdi,
Que as esgotei.
Os olhos secos me ficaram,
Já não sei chorar,
Os meus beijos me roubaram,
Até um abraçar.
O tempo que passou,
Foi o vento que o levou,
Já não há estórias para contar,
Perdi a memória,
Não as consigo decorar,
Passou tudo à história.

Ruy Serrano 

sábado, 12 de dezembro de 2015

TENHO MEDO DOS SORRISOS...


Imagem - Bellissime Immagini 

Tenho medo dos sorrisos....


Tenho medo dos sorrisos....
mas quero-os.

Há nos sorrisos traições
e noutros, obscenidades
e, ainda, noutros
pedidos de satisfazer carências encobertas.

Os sorrisos
são sempre sorrisos, 
mesmo os de escarneo.

Nada melhor
que ver e sentir 
um sorriso duma virgem
ou de uma criança.

Carlos Lacerda


COMO COLHER A BELEZA...


Imagem - Aimer la Nature (Love the Nature)

Como colher a beleza…


Há gente que sabe ser gente
Aqui ou noutra terra qualquer
Eu o sei e não o tiro da mente
Porque é isso que a gente quer
Há quem se meta pelo olhar
Dessa gente que o sabe ser
Dão azo a que o seu amar
Seja tido no maior prazer
Mas também há os outros
Que se metem com uma certeza
Julgando os outros loucos
Para colher a sua beleza
E eu nesses não acredito
Por muito que digam: boa gente
Eu sei que da minha parte não é bonito
Mas não gosto de quem me mente
Há por aí aldrabões compulsivos
Que se julgam reis e senhores
E há motivos intuitivos
Que não colhem os meus amores
Por isso muito cuidado
Com aqueles que se nos oferecem
Podem com eles passar um mau bocado
Em atitudes que transparecem
Suo a bom suar
Quando assim me acontece
Não descuro o meu olhar
No que, a amizade até se parece
Mas é só o parecer
Porque o resto até faz falta
Nesse olhar não há prazer
Nem nada que faça admirar a malta
Alerto-vos para o efeito
Digo-vos isto com sinceridade
Podem às vezes julgar este mau jeito
Mas nunca julguem esta verdade
Na verdade assim eu vivo
Julgando os outros por mim
Botem pois o vosso sentido
Nas palavras do meu jardim
Palavras que vos são dadas
Do fundo do coração
Em acções que são votadas
E repletas de paixão

Armindo Loureiro 


A LIBERDADE DE VOAR




A LIBERDADE DE VOAR


Vivendo de saudade
Deixei morrer a alegria
Deixei chegar a idade
A pensar no que perdia.

Vivi anos da minha vida
Em que o sol escureceu
Fui tragada pela dor,
E a vida em mim morreu.

Hoje recordo tudo em mim
No dia em que o sol escureceu
Foi meu karma que quis assim
E a vida em mim se perdeu.

Deixei passar o tempo
Esperando o anoitecer
Apenas a brisa do vento
Voltava para eu não esquecer

Hoje esquecida no tempo
Vivo meu tempo de saudade
Espero pela brisa do vento
Para voar em liberdade ,

Joana R. Rodrigues


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

HOJE




Hoje 


Meu Jesus enviaste-me chuva 
em forma de beijos molhados 
e em forma de lágrimas
e para me fazeres relembrar 
as lágrimas perdidas no tempo.

Não, não é tristeza que sinto
e que no meu coração se fixa 
é alegria de esperança 
ainda por florir. 

Mila Lopes



ESTRANHAS-ME




ESTRANHAS-ME


Estranhas-me como eu a ti. 
Somos diferentes em tudo e estranhamente parecidos;
no sentir intenso das diferenças que nos separam,
que acabam por nos unir.

Há algo misterioso que nos atrai pelas diferenças.
Há algo de diferente que nos atrai misteriosamente.

Assim somos, eu e tu.

Fernando Figueirinhas


COMO UM GRÃO DE MILHO




Como um grão de milho


Como um pequeno grão de milho
que em terra fértil caiu,
é assim o meu amor por ti…

Germinou,
deu origem a uma pequena 
e frágil plantinha acarinhada todos os dias
para a defender do ciume,
da duvida 
e das dificuldades próprias
das diferenças que entre nós existem…

A verdade é que com ternura,
carinho,
persistência
e perseverança,
a planta cresceu,
enrobusteceu
e vai dar fruto, 
multiplicando o grão de milho
que lhe deu origem…

E para cumulo do amor entre almas,
calaremos as nossas palavras
falaremos apenas por linguagem gestual 
e com mestria
escreveremos o mais belo poema de amor 
na fusão dos nossos dois corpos…


UMA GRAVURA BEM MOLDADA EM TODA A OBRA




UMA GRAVURA BEM MOLDADA EM TODA A OBRA 


Um olhar bem descaído que tem tudo.
Um frio translucido e um aperto ao coração;
Uma alma grande numa berma de alcatrão;
Um penteado bem vincado que lê o mundo.

Um retrato bem nítido a carvão.
Um lápis a grafite em mina apurada;
Uma palete de cinza, branco e escuridão;
Um pintar de olhar miúdo e saia rodada.

Um artista que esboça um só olhar.
Um esquiço que tem branco de sobra;
Uma modelo bem fêmea para pintar.

Um desenho vivo de muita mão de obra.
Um retrato deleitado em eterna mão;
Uma gravura bem moldada em toda a obra.

© RÓ MAR


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

UMA QUESTÃO DE HONRA




UMA QUESTÃO DE HONRA


A vida vive-se com honra e palavra
É direito e dever, de todo o cidadão,
Que não deve ser simples aldrabão,
Que a mentira da verdade o afasta.

Fui sempre pessoa de honra na vida,
Ninguém me pode acusar de mentir,
Gosto com a minha palavra cumprir,
Não induzindo as pessoas de magia.

Os bens materiais são secundários.
A moral e a palavra são prioritários,
Não alimento polémicas por achar
Que sou senhor da razão, sei tolerar.

Verdadeiro, compreensivo e amigo,
É o meu lema, quero ser entendido
Como de bom carácter e dialogante,
Rejeitando a postura de arrogante.

Serei a vida que me sobra, altruísta,
Escrevendo minha poesia, a missiva
Que sobre a natureza poder remeter
Aos meus bons destinatários virtuais.

Ruy Serrano

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

NÃO TE VOU ESQUECER...




Não te vou esquecer…


Não… Não vai ser fácil esquecer
Mesmo olhando para o Céu
Onde uma estrela está a correr
Para um olhar que também é meu
Olho esse Céu a sonhar
E te vejo como te quero
Jamais esqueço o meu amar
Ao lembrar um sorriso que em mim espero
Vivo pois nesta ilusão
Do sonho que tenho em mim
Não e fácil pró coração
Esquecer-te pois assim
Lembro-me do teu meigo olhar
Lembro-me da tua simpatia
No nada que há agora para amar
Perco-me e nada me dá a tua alegria
É a vida, dizem os amigos
E tenho que nisso refletir
Porque o mundo é dos seres vivos
É assim que tenho que sentir
Mas não será fácil o sentimento
Com essas atribuições
Esquecer-te jamais… Seria um tormento
E também a morte das minhas paixões
Habituei-me a te gostar
Desde o dia em que te conheci
Hoje, não será fácil deixar de te amar
Por aquilo que a teu lado eu vivi
Vivi eu e outros mais
Na tua eterna bondade
Nunca de ti ouvi uns ais
Que me remetessem para a saudade
Deste-me a força do momento
Para eu sempre aguentar
Todo e qualquer sentimento
Que me viesse a desgostar
Há pois que aguentar
O que de ti em mim falhou
Jamais deixarei de te amar
Porque o teu viver me encantou!

Armindo Loureiro

domingo, 6 de dezembro de 2015

SENTIR E AMAR


Art by Mila Lopes


Acróstico SENTIR E AMAR


S  ou uma mulher que sonha
E  entre muitas outras coisas, eu
N  avego nos meus sonhos e imaginação
T  enho amor a tudo o que faço
I   sso me faz sentir viva e feliz
R  esumindo assim sinto-me assim amo-me.

E  namorada estou de ti minha arte

A  h! como amo tudo o que faço
M  uito grata eu sou sempre, pois é
A  mando e criando que vou vivendo
R  esta-me agradecer a Deus pelos dons que tenho.

Mila Lopes


MELANCOLIA




Melancolia...

 
Nos breves momentos em que no firmamento 
o dia se esconde e a noite mal começa, 
vais banhar teus olhos plenos de melancolia, 
junto ao mar que te ouve os desabafos
e onde esperas ver reflectidos no argênteo lençol de água,
os milhões de estrelas onde buscas o brilho, 
carregado de doçura,
dos meus olhos trémulos de tanta saudade...

Em comum o sal com que se rega a ausência,
em lágrimas de saudade
e o sal do mar que nos separa...

E a melancolia toma conta de ti,
toma conta de mim , 
com o cordame e os nós da saudade 
a embargar a voz...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

GÉLIDAS ÁGUAS





Gélidas águas


Não sei de onde tu vens, oh, gélida água,
Assim dourada pelas fagulhas do dia
Que te atravessam o mel, e as minhas mágoas,
Sem saber vais levando em tua agonia...

Não sei se de uma rocha teu ventre fizeste 
Ou se entre raízes profundas, seculares,
Nasceu filete, e farto do frio agreste,
Teu solitário caudal quer buscar os mares!

Em ti me banho e por mim passas, friamente...
Somos iguais, pois, na luta vã e constante
De descobrir o que nos torna aparentes!

Meu corpo quente, tu aquecida nos galhos,
Se vão perdendo, quanto mais morno e distante,
For o deserto, e além da fonte, os atalhos...

Luciana Nobre



PENSAMENTO DE SOLIDÃO




PENSAMENTO DE SOLIDÃO 


No calor de uma noite fria
Um sentimento de solidão 
O pensamento que esquecia
O bater do tristonho coração 
Um querer sem motivação 
Uma vontade meio contida
Um desejo de agarrar a mão 
Da sua paixão muito querida 
Um sonho para nunca acordar
Uma vida cheia de muita fantasia
Um desejo de poder o mundo abraçar 
No nascer de um fantástico novo dia
Tudo isso está intrínseco no pensamento 
Gravado a quente no meu singelo coração 
Como as mais belas estrelas do firmamento 
Que habitam na impressionante constelação 

NÃO ME VOU DESCUIDAR...


Imagem - Bellissime Immagini


Não me vou descuidar…


Nesta vida passageira
Que cada um vive “per si”
Quando a alma se aligeira
Há verdades que eu vivi

Verdades bem sentidas
Vividas por cada um de nós
Em oportunidades perdidas
Que nos fazem perder a voz

Mas me deixam bem feliz
Por isto tudo conseguir viver
Eu sei que nem tudo assim o quis
Mas para mim foi um belo prazer

Ando por aqui há longo tempo
A tentar algo semear
Para colher aquele momento
No tempo que quero amar

Nunca jamais pisei uma flor
Bem pelo contrário a resguardei
Cá dentro dei-lhe todo o amor
Deste coração que eu lhe dei

Colhi algumas flores em botão
Flores com uma certa vivência
Enfeitaram-se na sua ilusão
Deram de si toda a apetência

Olho para esse belo jardim
Que rodeia o meu olhar
Colho flores que são assim
A beleza que quero amar

A flor que há em ti
Que um dia me quiseste dar
Que beleza, eu o senti
Quando assim te pude amar

Hoje mesmo sonho contigo
Com essa beleza imberbe
Honro-me de ser teu amigo
És a flor que a mim me serve

Sei que o meu tempo está-se a esgotar
Pois já vivi mais do que viverei
Mas não me esqueço de te gostar
Porque o amor em ti sempre encontrei

Armindo Loureiro

O QUE TENS MEU AMOR!?


Imagem - La estrella del Cisne


O QUE TENS MEU AMOR!?


Estás tão estranha Amor...!?
Quase não te sinto,
A tua voz um breve rouco,
O teu rosto um pálido aterrador.

O que tens Meu Amor!?
Será o desalento do dia,
Ou o coração em tormento,
Mas que alma esguia!

O que te fizeram Amor!?
Que já nem lágrimas vejo,
Apenas uma sombra ao vento,
Sem norte, que me deixa louco!

Amor deixa-me dar-te um beijo!

© RÓ MAR
 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

ESCREVO




ESCREVO


Escrevo de noite e de dia
Escrevo sem conseguir parar
Escrevo linhas de poesia
Escrevo o que o coração mandar
Escrevo sobre o céu e o mar
Escrevo como se estivesse possuído 
Escrevo até a tinta terminar
Escrevo no silêncio do ruído 
Escrevo quadras de Amor
Escrevo versos infantis
Escrevo em que local for
Escrevo aquilo que sempre quis
Escrevo até a mão me doer
Escrevo poemas com paixão 
Escrevo por vezes sem saber
Escrevo com a tinta do coração 

Paulo Gomes

SOFÁ VERMELHO



SOFÁ VERMELHO

 
Um edifício antigo, 
Um sofá colorido (vermelho)
Um carinho no devido momento 
O calor no declamar de um poema
Com a voz que tinha um dia o vento!

Com palavras pinceladas
Os olhares encantei
Como se fosse versificada aguarela
Um sorriso de admiração…
Quanta dedicação assim se revela!

Pouco importa o lugar
Até a distância se pode suportar
Se uma paixão existe
Só pode ser sincera, bela…
Só a poesia o revela!

O sofá era relíquia rara
Numa casa antiqua, linda
Vermelho como a maçã
Alongado, com encosto lombar
Envolto de veludo vermelho, caro!

Neste contexto de lugar antigo
Havia poesia, música, dançava-se o tango
Um poema em dissertação…
Uma flor de cor vermelha com cheiro a cravo
Tinha este facto em consideração!

A televisão filmava o facto
Estampado num vídeo vi meu retracto
Sempre tão atenta, tão presente e forte
Pernas delgadas, trançadas, descontraída
Tudo aquilo faz parte de minha vida!

Se em troca de tamanha felicidade
Eu pudesse concertar um coração despedaçado
Acordar na madrugada, 
E manter a mesma chama acesa…
Ah! Como teria mil razões para ali ficar!

Naquela casa maravilhosa, 
Onde me pude livremente sentar
Num sofá de veludo vermelho conversar
Com cheiro de cravo e rosa no ar
E em todo o lugar daquela casa!

NAZARÉ G. (NANÁ)