domingo, 31 de agosto de 2014

SETEMBRO DE UM ANO QUALQUER!


 Imagem - Helen Schlegel
Voyage au coeur de l'Art - Travel to the heart of the Art


SETEMBRO DE UM ANO QUALQUER!


 Setembro de um ano qualquer
 É sempre o majestoso nono mês;
 Grávido ao luar e repleto de ser,
 Que a bem parecer é mui mais que um mês!

 É o Outono a desfolhar pétalas
 Das demais flores, aos verdes campos
 Segue o rumo ocre e demais aguarelas
 Que pintam o ano em cálices que amamos!

 São as chuvas miúdas que ao ligeiro embate
 Segregam a abençoada essência, veste
 Vitral enraizada à terra a prometer
 Que será primavera um ano qualquer!

 E, somos Setembro pelo ano que quer
 Ser mui mais que um ano, é vida a ser;
 Um mundo a conhecer, o que amamos,
 Setembro de um ano qualquer!

® RÓ MAR


A POESIA



Imagem - net (autor desconhecido)


A POESIA


A Poesia é balsamo de ferida,
colora a alma mais descolorida,
e abraça a criança, mais desprotegida,
que vive na nossa dor,
o acto de escrever gera o amor,
e o amor é o balsamo da vida...

A poesia, é um louco pensamento,
antes de nascer, tormento,
mas depois beleza, quando é lida,
bate o coração no momento,
sorri a boca ao lamento.

A Poesia, amada minha, tão querida,
por mim sofrida e vivida,
moras nas asas da mente,
e voas, num de repente,
em Palavras, definida,
sentida.

O acto de escrever gera o amor,
e o amor é o balsamo da vida...

rosamar 



É...


É...

Sabes, ou lá se sabes,
Pois então…
Também
Gostaria de saber,
Porque bate meu coração.
Como poderei então
Esquecer?
Esta tão linda paixão.
Nunca se sabe, quando chega
E se veio para ficar…
Ou quando se vai embora
Ainda que a nossa alma,
Chore e se canse de sofrer!
Mas é…
É a paixão, a alma e o desejo,
É a vida em plenitude,
É a saudade de um beijo,
É a nova vida a despoletar,
É a alegria para amar.
É o desejo a renovar,
É um reviver de novas cores,
É apreciar mais as flores,
É pensar em ti a qualquer hora,
É um renovar de valores,
É tudo o velho e vivido,
É tudo o que foi sofrido,
É o que se será esquecido.
É pegar e mandar embora!

© Maria de Lurdes Cunha


AMAR-TE É...



Arte : Christopher Cart Tutt'Art@ (39) 


Amar-te é...


 Amar-te é...
deleite
paixão
entrega da alma
sem pedir nada
prazer intenso
cor e luz
vida em tropel
desalinho no coração
vontade de brincar
gostar de abraçar-te-me

Amar-te é o mais belo
e leve
dos compromissos
que assumi...

É desígnio de vida...
a Esperança a renascer
e cumprir 
a mais nobre missão...
…ser feliz…
fazendo-te feliz 
também...

Hamilton Ramos Afonso

 

sábado, 30 de agosto de 2014

TÃO BELA PAISAGEM!



Imagem - Iridi (Irina Kuznetsova) - Voyage au coeur de l'Art - Travel to the heart of the Art 


TÃO BELA PAISAGEM!


O amor é uma corda bamba
Que vacila ao mínimo descuido,
Cautela a dançar samba…
É prática de quem tem bom ouvido!

É preciso o equilíbrio preciso
Para desvendar os nós
Que suspendem a vida num sorriso
Inventado por nós!

Que as estrelas iluminem o caminho
À esperança e coragem
Dos que ainda se aventuram pelo sonho
De tão bela paisagem!

® RÓ MAR


VAZIO DE SONHOS


Imagem - net (autor desconhecido)


VAZIO DE SONHOS


Chegou a noite calma e serena
Vou sentir aquela amarga acalmia
Esperando a vinda do novo dia
Que o descanso seja numa paz plena.

Lá fora o vento sopra baixinho
Parece não me querer acordar
Não sabe que meu sono é pequenino
Apenas é um leve e pequeno dormitar

Fiquei vazia de sonhos,não existe sonhar
Partiram todos numa madrugada,
Em que, nem me deixaram acordar
E do meu sonhar, não quero lembrar nada

Sonhos perdidos, confusos e doentes
São aqueles com que adormeço
É ter o coração e a alma que sente
Mas um paradeiro que desconheço.

Joana Rodrigues 


QUE A COR DAR-TE...





QUE A COR DAR-TE...


 Neste dia que agora começas,
espreguiçando-te, com a ternura
no teu rosto, sorrindo-me, pensei
que cor te dar para colorir o teu dia.

Num abraço, deixo-te o aroma anil 
da alfazema que me perfuma a pele do corpo
e o vermelho bem vivo do meu amor por ti...

No meu sorriso vê o amarelo intenso da ternura
com que to ofereço, para que te acompanhe todo o dia
e nele o verde da Esperança de que ele seja teu, na busca
da felicidade que ambos almejamos, aliança celebrada 
numa tarde de magia.

Ofereço-te o laranja neste jarro de sumo de laranjas,
espremidas com carinho, para que te sirva 
de alimento e energia colhida do sol que dá luz ao dia.

Ao abrir-te os cortinados de par em par, janelas abertas
para que a brisa do mar adentre o quarto e te encha
de ar com aroma de maresia, franqueio-te a cor pura e límpida 
do céu sem nuvens e do azul do mar orlado do branco 
da espuma que vem prestar-te vassalagem a ti menina do mar...

O Violeta deixo-to no vaso de violetas selvagens floridas 
que te ofereço para que perfumem o teu quarto...

Optei não por uma, mas pelas sete cores do Arco-Íris
cores que quero sejam as nossas, para nelas nos recordarmos
da aliança que ambos fizemos naquela tarde de magia
em que escrevemos poesia um no outro, com gestos de 
ternura, carinho, cumplicidade, ingredientes do nosso afecto.

Não podia porém deixar de te trazer o Branco da serenidade e
da paz com que encaramos os nossos dias, e assim encho-te 
a tua vida de rosas brancas, as rosas que tu mais aprecias, 
orvalhadas pelas gotas da ternura com que as colhi. 

Hamilton Ramos Afonso


OLHEI O LUAR E AS ESTRELAS


Imagem - net (autor desconhecido)


OLHEI O LUAR E AS ESTRELAS


Olhei para a lua, e para as estrelas
Vi as cores do universo,
Pedi com fé para poder vê-las
Minhas estrelas no inverso,

Queria muito tê-las na terra
Minhas estrelas que brilham no céu
Deus me disse, que este capitulo encerra,
E sua mãe, as estrelas cobre com seu véu.

O intenso brilho do luar, junto com as estrelas
Quem me dera que pudesse ser iluminada ao vê-las
Pudesse eu, ter a liberdade de em cada uma tocar.

Sentir a magia de tantos sonhos que foram desfeitos
Em cada estrela sentir,o aroma de amores perfeitos
Cada canto, cada lugar, estivesse uma estrela a brilhar.

Joana Rodrigues


ENTARDECER...



Imagem - net ( autor desconhecido)


ENTARDECER...


 Cambiantes de cores, 
veladas pelas escassas nuvens
que escondem o astro-rei
no estertor do dia 
e a chegada da noite
no halo final de luz
para que as trevas reinem...

É nesse halo de luz que a ternura
do nosso olhar acende o pavio da chama
do nosso desejo e ambos ardemos na 
doce fogueira da paixão...
...celebrando o dia na penumbra 
do lusco fusco... 

Hamilton Ramos Afonso

 

SER POETA




Poema e Imagem de Paula Delgado


ROUBEI-TE UM BEIJO...


 Imagem- All is LOVE 


Roubei-te um beijo…


Esse beijo que te roubei
Soube-me a maresia
Outros mais, eu te darei...
Dessa forma que só eu sei
Com toda a minh’alegria.

Esse beijo que te roubei
Impregnado de bom sabor
Eu nem sei como to dei
Mas era doce como eu sei
Repleto de muito amor.

Roubei-to porque gostei
De ti e da tua boca
Tu és mel… Doce que eu sei
Foi por isso que eu to dei
És amor, ó minha louca.

Vou continuar a roubar
Os beijos que poder ter
Porque neles te quero dar
A vertigem do meu amar
Que em ti sente tal prazer.

Armindo Loureiro


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

QUANDO TE OLHO




Quando te olho 


Sei-nos diferentes
Os laços que nos unem 
São perfeitos, 
Mas só em nós existem
E em nós persistem
Não se fabricam nos corações de quem ama
Um querer como o nosso
Sentimento incomum que nos une e acorrenta
Mais duro que o ferro que o diamante puro
Este viver assim, solto. livre
É uno e só nosso
Amar neste estar e ser contente e belo
Viver lado a lado e num abraço ter a lua a olhar-nos
O sol a sorrir- nos
O amor a brotar de nós 
Como chuva do céu depois de longa seca 
É sublime, oferta da natureza
Estamos carentes de tudo o que resta
E depois?
Que importa o que hoje nos falta
Se o importante é o que agora passa ...?

Inês Maomé

terça-feira, 26 de agosto de 2014

SPECULUM (O ESPELHO)





Speculum (O Espelho)


Esta noite olhei para ti
E vi...reflectido aquele abraço inacessível
Mostras-te-me o caminho para um amor inatingível.

Reflectem...
A verdade...a pureza...
O desgosto que trago na alma
A ilusão desfeita é uma estranheza.

Estando coberto de pó
Mostras o espírito obscurecido pela ignorância
Esta dor...é o sonho perdido...
Uma luta interior pela abundância.

És a miragem solar de manifestações
Sucessão de formas que Transportas
A limitada mutabilidade dos seres
Procuro-te nas minhas recordações.

Símbolo de pureza perfeita da alma
Do espírito sem mancha...
A tua força de atracção me acalma
Faz-me amar a vida numa avalancha.

A descoberta da minha própria essência
O reflexo de mim mesma na consciência
Os meus olhos são uma porta aberta
Ao encontro da alma certa!

Áurea Justo


ESCRITO NA AREIA



ESCRITO NA AREIA
 

Escrevi meu nome na areia
para que o mar me possa levar
para bem longe, com ondas
para que tu não me possas encontrar.

Escrevi meu nome na areia
sem sentido, e com paixão
sonhando que um dia
ainda podia abrir teu coração.

Escrevi meu nome na areia
para não esquecer dos sonhos
as ondas do mar irão levá-lo
e apenas eu saberei que estou
no mar, correndo em sonhos.

Escrevi meu nome na areia
para só apenas eu ver
sei que para ti é indiferente
que o meu nome vai morrer.

Escrevi meu nome na areia
com raiva e indiferença
meu nome escrito na areia
me lembra tua presença.

Vitória Oliveira

O LAGO DA GARÇA


Imagem - Morten E Solberg Sr 
Voyage au coeur de l'Art - Travel to the heart of the Art



O LAGO DA GARÇA


O lago da Garça tem espelhos que leio…
Em suaves pinceladas levo o olhar que enleia;
Ao meu peito escorrem águas divinas…
Penas que entrelaçam almas-meninas.

O lago da Garça tem jardins que passeio…
Em suaves pisadelas levo o olor que enleia;
Ao meu olhar espelham flores serenas…
Pétalas que beijam almas-colinas.

O lago da Garça tem um mundo azul-marinho…
Em níveas penugens borda o que tanto anseio;
Tem desejos ocultos que me são sonho…
Quais me deleito e descrevo o que ceio.

® RÓ MAR


CANSEI...


CANSEI...


Cansei de ler de escrever
De estar neste meu afazer que não leva a nada
Chega de inventar e olhar parada
O que se passa aqui e ali já não me importa
Estou esgotada neste quarto
Que apesar da sua enorme varanda rasgada
Me atrofia, me prende e amarra
Me sufoca e deixa paralisada
Estou enjoada de tudo
De todas as coisas estou cansada

Metida comigo, comigo vivo horas a fio
Sem ver ninguém, sem dizer ou ouvir palavra.
Quero gritar, mas para quê? 
Setá que sem ninguém me ouvir eu aliviava?
São muitos meses que voaram e eu neste estado
À espera do tudo, de algo, de nada 
Falta-me tudo
Quem sabe não me falte nada de nada
Mas não estou bem, isso eu sei
Estou cansada desta solidão
Deste vazio que me envolve, me atrofia e tolhe.

A minha casa nem a percorro
À minha varanda rasgada
Nem vou
Olho de dentro o céu e vejo-o enevoado
Deve estar como eu, cansado
Triste, porque à noite nunca está estrelado.


Que foi que aconteceu,
Que se passa na minha rua?
Que se passa comigo?

Por aqui tudo se desmancha
Tudo se modifica e transforma
Nada parece ter mais graça alguma
Nem eu, nem a minha casa, nem a minha rua
Nem de dia o céu nem de noite a lua
Quem sabe porque alguém roubou as estrelas 
E as levou para alguma rua 
Mais triste e escura que a minha
Mais desgraçada ainda...

Inês Maomé

APRENDI


APRENDI


Para agradar aos outros
tinha de me reinventar todos os dias
mas eu gosto de ser assim genuína
e deixei-me dessas agonias.

Quem gostar tem de me ter como sou
pura, alegre, verdadeira e serena
Gostam assim tudo bem
quem não gostar temos pena.

Neste mundo de faz de conta
eu ainda sei quem sou e posso vir a ser
Não quero levar uma vida de teatro
quero crescer tal como merecer.

Aprendi tanta coisa na vida
que de nada já tenho medo
A minha vida está exposto no meu rosto
não sou nenhum segredo.

Vitoria Oliveira 

DUPLO ARCO-ÍRIS...






Duplo Arco-Íris...


Neste entardecer de serenidade...
pleno de ternura dos nossos olhares, 
ao usufruíres do meu colo acolhedor
cabeça a descansar no meu peito
derramamos os gestos que fazem crescer
a planta, cada vez mais forte do nosso afecto.

Amanhã quando dos nossos lábios
em sorriso se soltarem os sons habituais 
de um sonoro bom dia em uníssono, 
nas nossa vidas fica presente um arco-íris, 
de cores intensas que nos lembra a aliança 
que ambos fizemos em nome das nossas almas 
que se amam...
...a promessa de caminharmos em direcção 
à nossa plena felicidade.

Hamilton Ramos Afonso


IMENSAMENTE TU


Stanislav Sugintas - Sensuality in Art


IMENSAMENTE TU


Acho-te quando me perco
nesse teu intenso ser.
Grande alma que do peito sai
encantas-me mesmo sem te conhecer.
Irradias alegrias imensas 
que saltam ao meu olhar perdido em ti.
Dás-me alento e crias-me vontade por mais
encontro-te quando menos espero. 
Sei-te assim desse teu jeito de ser
em muito igual ao meu. 

Fernando Figueirinhas


POR, SOBRE O SILÊNCIO




Por, sobre o silêncio, 


existe a noite,
existe o beijo da despedida,
existe o som do primeiro toque,
existe a cor da dor sofrida,
existe o sabor do amor,
existe o cheiro da pele,
palpável, sentida,

e vi, 
perdida,
que,
o sabor do amor,
era a minha,

vida...

rosamar


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

QUERO VIVER…ESTE E AQUELE TÃO MUNDO!


Imagem - Vincent-van-gogh - OpenArtGroup



QUERO VIVER…ESTE E AQUELE TÃO MUNDO!


Quero viver… este e aquele tão mundo!
Acordar e amar…toda a beleza,
Respirar o ar puro que é a natureza!
Viver para viver em cada segundo.

Viver para amar tudo e toda a boa gente!
Acordar e amar…poder ser amado
Pela flor que és e o que tenho sonhado!
Viver para viver como teu uno amante.

Quero viver…este e aquele tão mundo!
Acordar e amar…ser sol, lua e tão teu
Meu amor!…És a flor que quero acordado!
Viver para viver o sonho tão meu.

® RÓ MAR



NÃO SEI SE FOI DE DIA...




Não sei se foi de dia…


Perguntei-me um dia
Se sabia quem eu era
E a resposta já a sabia
Era a que estava à espera
Era um Zé Ninguém
Que andava aqui engando
E que se julgava alguém
Ao ouvir de vez em quando o Fado
Era o Fado da desgraçada
Aquele que eu mais ouvia
Mas contudo a engraçada
Já dizia que me conhecia
E eu ficava admirado
Com tudo o que me dizias
Perguntava-te o que era o Fado
E tu, outra pergunta me fazias
Não te querias pronunciar
Sobre quem eu seria
Apenas dizias gostar
De me ver com alegria
Era um copo e outro a seguir
Era assim durante a noite
E tu me julgando a mentir
Dizias para eu não ir afoite
Mas a conversa ia sempre ter
Àquilo que mais convinha
Juntava-te a mim… Ai que prazer
Eras tu a minha tontinha
E assim não te importavas
De saber quem eu sou
Toda assim tu te davas
Àquele que te amou…

Armindo Loureiro



A LIBERDADE





A Liberdade


A liberdade conquista-se
Correndo desenfreadamente solta
Sem amarras do passado abespinhado
Pensamentos fluem sem correntes em volta
Sonhos desprendidos embrulham-se
Ardentemente e sem pudor eu sinto
A liberdade vem ao meu encontro.

Áurea Justo 



domingo, 24 de agosto de 2014

EMPRESTO-TE


Imagem - Stan Moeller - OpenArtGroup


EMPRESTO-TE


Devolvo-te o barquinho de papel
e ofereço-te pedaços da minha utopia.
Quero-te por perto dos sonhos que vivo...
versos que constróis durante meus escritos –
acaso ou sorte encontrada ao longo do caminho
abre a senda de lugar único –
templo teu reservado em herança para mim.

Fernando Figueirinhas



ESTA TUA BELA CARTA...


Foto: Dany Poirier
«Pour combattre l'hypocrisie les meilleures armes sont la franchise et la simplicité.»
 Citation de Saint Vincent de Paul
Imagem - Aimer la Nature (Love the Nature)


Esta tua bela carta…


Abri o envelope devagar
Não trazia remetente
Aberto logo quis amar
Era a tua letra de presente
Fiquei algum tempo parado
A apreciar a tua caligrafia
Assim um pouco deitado
Desanuviei… Que alegria
Era mesmo o que eu queria
No momento de infelicidade
Toda ela impregnada de magia
De quem de mim tinha saudade
Li tudo ponto por ponto
E depois voltei a ler
Agora sei… E não te conto
Esse ponto do meu prazer
É tão belo o sentimento
De quem sabe o que quer
Ao ler-te… Ai que tormento
Só tu… Ó linda mulher
Tens beleza incomensurável
Num corpo descomunal
Minha vida é memorável
Por princípios sem igual
Um dia vou-te encontrar
E não haverá esta necessidade
Teus escritos até lá me vão dar
Para matar de ti essa saudade
Saudade em que vivo
Desde que de teu lado parti
Tanto queria ser atrevido
Eu a ti jamais menti…

Armindo Loureiro



VERSOS QUE ESCREVO…


Imagem - Voyage au coeur de l'Art - Travel to the heart of the Art


VERSOS QUE ESCREVO…


Versos que escrevo são pedaços meus;
São sílabas que descrevem o coração
Que me é familiar; são recados meus
Que o vento surripia do velho sótão.

Versos que escrevo não são alma de poetas;
São mensageiros alados ao meu amor…
Que são meu contento, ainda que violetas;
São os primorosos suores em flor.

Poemas que ao mundo dou estendendo a mão,
Deixando escorrer a última emoção,
Esperançando, quiçá, alguns caminhos.

Que são parte de mim e desejo
Que sejam o olhar dos que ainda beijo.
Versos que escrevo são apenas sonhos.

® RÓ MAR


SAUDADE





SAUDADE


Não te chamei, porque me persegues?
Será que não entendes, ou não consegues
Sabes que a palavra saudade vive comigo
Não a tornes num castigo vê se percebes.

Mas já falei de ti tantas, e vezes tantas
Que nem sei quem procura quem,
Se sou eu que, de me lembrar te levantas,
Saudades de quem se perde, quem não tem?

Quem sabe apenas sou eu a culpada
Por ti, nunca me senti abandonada
Oh saudade! liberta-me desse fadário

Todos os dias, me sinto por ti perseguida,
Estou condenada! para o resto da vida,
Saudade que do meu peito, fizeste um calvário.

Joana Rodrigues 


TANTO...





Tanto…


 Nada te peço…
e apesar disso 

és-me
nada me pedes…
e apesar disso 
sou-te
num olhar,
num abraço 
damos ao outro
o que de melhor
cada um tem
para dar…

Vida…

O Sol na Terra…

Amor…

Sem nada pedirmos, 
com tudo 
para nos darmos…

Hamilton Afonso


EXCLAMAÇÃO



 EXCLAMAÇÃO 



Não escrevo, junto pedaços de sonhos, tal como uma criança
que ponteia panos encantados em bonecas...
Ou descrevo o brilho no olhar de menino que infla balões com
pensamentos...
Deveras imagino-me de encontro com a insónia em noites de isolamento,

de aflição...A caneta na mesa em prantos azuis, eu sem compasso para
delinear seus traços, perco-me nas teclas, inverto os sentidos, exalo ansiedade...Esquivo-me da realidade!

Quisera poder desvendar-te nas entrelinhas, saber da sua vida, vitórias, pelejas perdidas, lágrimas ocultas, as estradas, moldes dos seus pés...
Talvez sorvendo o vinho da taça dos poetas, eu poderia atinar o mundo
que lateja em você, sem brincar de escrever...
Eu não sei escrever....Apenas traduzo as melodias que sintonizam seu
ser...Transporto-me para perto de você...
Ou tento escrever....Uma fusão de sonetos e poemas para decifrar você...
Quero escrever você!!!

Rosely Andreassa  

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

QUE VERMELHO…!


Imagem - Aimer la Nature (Love the Nature) 


QUE VERMELHO…!


Que vermelho…o que me queres dizer!?
O silêncio da pele é meu desejo
Que intento desvendar pelo alvo beijo
De tais pétalas, guiando a seiva a ser.

Ancorando ao olhar tão nobre botão
Sinto teus lábios que me desejam
E sussurro o quanto te quero ter…
São caricias que dão tanto prazer!

Quanto desejo enleio ao teu veludo…
Volúpias…quais mais ternas fantasias!
Seja lá de que terra for…é um mundo!

Que vermelho…o que me tem ávido
De ser amante! Que ensejo às poesias
De amor…és paixão! Rosa, sou teu amado.

® RÓ MAR

 

JARDIM NA ALMA





JARDIM NA ALMA


 (…) Fizeste jardim, no quintal da minh' alma...

 Bruno de Paula 


Em cada sorriso molhos de girassois
em cada caricia, mãos cheias de rosas
em cada abraço o perfume da alfazema
alecrim, jasmim e salva do campo.

Todos os dias quando me dizes do teu amor
da forma gaiata, dizendo-me que gostas
de mim de uma maneira muito especial
muito tua, vens cuidar do jardim que 
plantaste na minha alma, e que cuidas 
com generosa ternura, mondando
a erva daninha, regando as plantas, 
desbastando-as para que cresçam 
em liberdade e abram em flor colorindo
as nossa vidas…

A cada beijo desabrocham com vida
mais rosas de todas as cores...
A cada abraço ficam os nossos corpos
perfumados a alfazema e jasmim
em floral serenidade...

Hamilton Ramos Afonso

 

EX-LÍBRIS



 EX-LÍBRIS


Associo-te uma imagem, retrato de uma essência
com quem trato. 
Vejo o lado de fora, tento em vão ver-te por dentro
encobrem-te as roupas, fantasias compradas à moda
desfile de vaidades que o vento leva.
Mas há o fim do dia cor de breu
translúcida aparência envolve-te por inteiro.
Pedes ao mundo surdo, cego a teu ver
que repare naquele retrato pendurado na parede.
Fecha-se a porta, sais e levas contigo os sonhos
breves momentos da criança que foste.
Pende o prato da balança do amor desprendido.

Fernando Figueirinhas

SEREI POETA?


Imagem - Bellissime Immagini 


Serei poeta?


Será que o saberei ser
Ou apenas sou um aldrabão
Aqui só vos posso dizer
Que o que escrevo é com paixão
Se minha escrita tem beleza
É coisa que eu não sei
Apenas sei que na minha natureza
Há uns genes que eu amei
Meu falecido pai era poeta
Um Poeta Popular
Na poesia dava-lhe a métrica
Que eu aqui não sei usar
Costumava-lhe dizer
Que escrevia a metro
Era assim, podem crer
E no fim estava tudo certo
A mim só me importava
Saber se tinha leitores
Sabê-lo eu adorava
Era assim ó meus amores
Hoje continuo a escrever
Sem ter meu pai a meu lado
Para de vez em quando me dizer
Ó rapaz, este não é o teu Fado
Tanto eu gostaria
Que isso acontecesse
Teria mais alegria
Se a poesia à dele se parecesse
Sei que ele escrevia tão bem
E tenho até os resultados
Na poesia ele era alguém
Que nela perdia os seus bocados
Perdia ou encontrava
Isso, só ele o poderia dizer
Por aquilo que ele falava
Na poesia sentia prazer…

Armindo Loureiro



SEM A DITADURA DO TEMPO...





Sem a ditadura do tempo…


 Horas a fio a falar contigo,
sem dar conta do escoar do tempo, 
descontraído e bebendo as palavras, 
antevendo a luz que se apodera do teu rosto,
sem a tirania do relógio a cortar-nos as asas
ao encanto…

Ouço-te rir com despudor
sempre que a conversa se desvia 
para temas que dizem respeito ao futuro,
um futuro que ambos queremos seja nosso,
donos que somos das nossas vontades, 
sem nos incomodar os que 
possam censurar-nos…

Que insensatez a daqueles
que nos criticam por termos esta cumplicidade,
por gostarmos de saber um do outro,
para nos encantarmos 
no fluir fácil das palavras,
que nos desnudam de forma mais clara
e cristalina,do que se estivéssemos
em frente um ao outro,
sem qualquer peça de roupa…

Minha querida, sabes bem 
como é gratificante desnudar-te
a minha alma, sem estar preocupado
com a ditadura do tempo, 
nem me preocupar com a censura 
dos que não sabem amar…

E quando, finalmente 
desligamos e nos desejamos , 
um ao outro o melhor
que nos queremos, 
então, 
damos conta do muito tempo 
que estivemos a falar 
sem darmos conta do tempo 
a passar…

Aí eu digo-te quase a ciciar,
bendito seja o teu feitiço, 
minha querida feiticeira… 

Hamilton Ramos Afonso


CHUVA DE PRATA


Imagem - Imagens do Mar



CHUVA DE PRATA


Foi o sol e veio a lua espelhar a escuridão
Que tem o mar à noite, é um só coração
Que teima em ler as entrelinhas pelas águas
Mascavadas de iodo e sal de lágrimas.

Vê-se o céu a pratear emprenhando
A noite ao luar e chovem fios tecendo
A areia que penteiam em seu entrançado a alma
Pelas ondas de tal mar azul calma!

Foi a saudade e veio o milagre de ser
Uma nuvem passageira que presságio
Tem! O amor em seus braços para crescer.

Foi a magia e veio a paz, que felicidade!
Uma lua cheia de sonhos e não é plágio,
Tem o inédito que é o sol da mocidade.

® RÓ MAR


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

ENTRE MUNDOS...


Imagem - Beautiful word. Nature, love,art.


Entre mundos…


Entre as noites e os dias
Vagueio por mundos diferentes
Às vezes colho alegrias
Que vivem em corações contentes.

Nem sempre o meu coração
Vive a vida que eu queria
Vejo-te e ao te olhar a paixão
Diz-me que em ti há magia.

E essa magia, quero colher
Num sorriso do teu olhar
Só tu para me dares o prazer
De um dia o poder amar.

Sou sempre a mim igual
Mesmo que não o pareça
Sou aquele… Sou o tal
Que te dá cabo da cabeça.

Mas tu ficas contente
Que eu seja sempre assim
E não me tiras da tua mente,
Tu és a flor do meu jardim.

Armindo Loureiro


PASSOS FIRMES...





Passos firmes...


Tempos houve que os nossos pés
caminhando na direcção um do outro
sangravam da rudeza do caminho
recheado de escolhos,
uns naturais, outros plantados por terceiros,
movidos pela inveja e pelo ciúme.

Hoje, 
debeladas as dúvidas,
desfeitas na ternura de um olhar cúmplice 
nos braços do abraço tão desejado e
finalmente feito realidade,
no desnudar completo das almas
sustentados os olhares profundos
em sondagem na busca da verdade auditada 
tornou-se bem plano e mais fácil de palmilhar
os passos em direcção convergente 
passaram a ser seguros, bem ritmados, confiantes, 
com os pés sem feridas, entretanto saradas
na maré de ternura que tomou conta
das nossas almas.

O futuro é preparado diariamente, 
contando os sonhos, 
a saudade mitigada em longas conversas
virtualmente ao colo ora de um ora de outro, 
braços em laço de afecto e os
lábios que falam e nos trazem as nossas vozes
que vêm pousar em beijo sussurrado
fazendo juras de amor... 

Hamilton Ramos Afonso


ENSINA-ME





Ensina-me,


ensina-me a sobreviver a hoje,

do meu peito tudo foge,
menos a dor de ver ao longe,
a floresta encantada,
de onde não sobra mais nada,
do meu peito tudo foge...
a praia está deserta de beijos,
onde enterrei os meus desejos,
do meu peito tudo me foge,
ensina-me a sobreviver a hoje,
apenas ficou a dolorosa lembrança,
aquela que o esquecimento não alcança,
não por estar longe,
mas porque foge,

ensina-me,

ensina-me a sobreviver a hoje...

rosamar


CORAÇÃO SEM DONO



Imagem - Lady Sybile 


CORAÇÃO SEM DONO


No limiar das manhãs vê-se um leve sorriso,
Um triste olhar que desvanece ao fim do dia.
Caiu a noite e o dia levou a esperança
De ter onde ficar…dorme ao relento e não era preciso!
Desnuda-se e levanta a poeira…vestem-se as pedras da calçada
De lágrimas que comportam a lagoa verde, cor de esperança.
E, é um outro dia…e, cada dia que passa o seu olhar
Mais desfalece! Não se vê vivalma
E os dias contam-se e somam-se as noites
Às mais belas iguarias…e, não há que o consolar!
Pobre coitado viaja só pelo universo tremulando ao abandono!
Cansado está de tão sôfrego viver…
Traz a velhice plissada pelo rosto e o desgosto a alongar 
Seus cabelos que urgem uma casa onde morar.
Continua a travessia pelas ruas e apronta-se nas ruelas…
Olha à esquerda e à direita e o que vê é mais uma jornada
A palmilhar o desesperante cansaço de todos os dias!
Precisa de paz, pois de amor já nada espera pelo caminho.
Não se vive pela metade
E, de sonhos e utopias não se sente o puro ar!
Que melodias fantasiam e não encobrem o olhar ao céu sem par
Sempre sabemos que é desviar e não olhar!
E, é nem mais que um pobre coitado precisando 
De um tecto onde possa ainda morar!
Ai, o amor que foi outros tempos, e, agora resta a esperança
De ter um pouco de paz que espera o cansaço de todos os dias…
Quiçá, as portas do céu se abram e deixem o coitado lá ficar!
Caiu a noite e o dia levou a esperança
De ter onde ficar...
Vagueia pelo paraíso e seus delírios o desencaminham
A ser completo, e é-o, em trova ou em verso vai trauteando
As letras de uma sina que tanto teme e pelejam 
Um tecto onde morar!
E, sonha uma casa pequenina e fermosa que tecto azul tem 
E abraça a lua escrevendo o que lhe vai na alma...
Que são frases completas de uma vida que não é 
E vive o que é pela metade
Que tem a noite em troca para dar. 
Uma casa pequenina que fermosa é, 
Um palacete ao seu olhar
E no hiato vê as estrelas pelo céu a brilhar!
As lágrimas sucedem-se…um cisco no olho, e volvem-se os dias 
Todos e as noites a completar o pobre coitado! 
Não sabe viver em metades que sempre sonha…
A vida não é seu contento, diz-se que não o amam!
E todos os dias se somam a tantas noites, o vazio preenche o luar
Enquanto não chega o seu bem complementar!
O pior é ser malogrado ao amor…que em metade nada é!
É a vida que tem 
E o que espera dela pouco é…
Vê-se pelas letras que desenham o lacrimejado
Azul, que lago é, onde ainda se habilita a viver!
E, é mais um dia onde perfuma seus longos cabelos 
Pelas velhas janelas
Que têm a ser um qualquer dia.
O pobre coitado é um coração sem dono!

® RÓ MAR