domingo, 10 de agosto de 2014

O MAU BANQUEIRO





O MAU BANQUEIRO 


“Alegoria satírica”


Era uma vez um banqueiro
Um banqueiro generoso
Que amava o País inteiro
E de todos o mais poderoso.

Plantou árvore frondosa
No meio do seu Jardim
Dela nasceu uma rosa
Cravejada de jasmim.

As pétalas eram fracas
Mas cresceram coloridas
Transformando-se em patacas
Cada vez mais renascidas.

Toda a gente quis colher
Os frutos do bem e do mal
E o que veio a acontecer
Foi mesmo fenomenal.

O banqueiro estando fraco
Com ideias que emergiram
Fez no Jardim um buraco
E as patacas se sumiram.

O anjo do mal o inspirou
E o esperto do banqueiro
O seu Jardim replantou
Noutro país estrangeiro.

E o maioral deste País
Acordando tarde demais
Dobrou ao banqueiro a cerviz,
Que lhe desse patacas reais.

- Não tenho Patacas, patrão,
O anjo mau mas retirou
E agora nem um tostão
Na minha arca ficou.

- Ai anjo mau, anjo mau,
Que fizeste a esta gente?
Vais levar com o varapau
E porei outro anjo à frente.

- Patrão, eu tenho um alforge
E algumas patacas que atesto
O anjo mau, esse não foge,
E o bom ficará com o resto…

- De acordo, mas fica por perto,
Pra responder à chamada
Se o anjo bom ficar certo
Já não pagarás mais nada.

E o Banqueiro desta estória
Esfregou as mãos de contente
Mas ficar-lhe-á de memória
As sequelas de toda a gente.

E o maioral desta Aldeia
Que de anjo bom travestiu
Aprovou a genuína ideia
Que a outros banqueiros sorriu!

Frassino Machado

In RODA-VIVA POESIA