segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MEU PEQUENO TEATRINHO


Imagem - net (autor desconhecido)

Meu Pequeno Teatrinho


Meu pequeno teatrinho de ópera
Desde pequena na noite amena
Os sons são maiores que todos os sons do mundo
Deixo que penetres a minha alma serena

Traviata, Aida, Falstaff, Barbeiro de Sevilha
Acompanharam-me toda a vida embalando-me
Num acorde, que me fez acordar para a arte...e brilha!
O teu brilho resplandece meu pequeno teatrinho...rendo-me

Ouço...Apaixono-me...
Pelo som que sai da garganta perfumada do violino
Ele está triste...o som agonizado é um prenuncio
Ouve-se um sussurro irresistível na plateia

Sotto Voce!
Voz feminina ecoa através das tuas paredes meu pequenino
Sinto-me arrebatar...a voz,essa...encontra-se com o som do violino
E juntos riem...e o meu coração salta agitado em ti meu menino
Música sublime!!!Momento perturbante...só tu meu pequeno teatrinho!

Áurea Justo

A FOLHA CAÍDA


A FOLHA CAÍDA


Eu sou aquela folha que tombou,
Ressequida e votada ao abandono,
Arrastada p’ los ventos do Outono,
Para longe da vida que habitou…

No chão ao frio e à chuva dorme o sono,
De quem já foi feliz, já vegetou!
Durante a curta vida em que abanou,
No ramo, entre o mês três e o mês nono…

Cada ser vivo é escravo da rotina,
Que a própria natureza lhe confina,
Tendo uma variante duração!

Mas no fundo, que importa se a vida,
É para alguns mais curta ou mais comprida?
Importante é vivê-la com emoção!...

José Manuel Cabrita Neves

domingo, 21 de setembro de 2014

PAZ E FELICIDADE


Imagem -  Bellissime Immagini


PAZ E FELICIDADE


Paz e felicidade são cesta de alfazema
Recheada a amor, fragrância natureza!
O abraço mestre ao universo, gente d’alma,
 Uma caricia de sorriso, beleza!

São atitude, espiga que fortalece
O mundo, que tão circunscreve ‘esse’
Que todos querem e muitos sonham,
Arco-íris, a todas as estações amam!

No rosto, estampado de sete cores,
O espectro solar, níveo coração,
Habitat de mil emoções, amores!

No regaço, mãos serenas d’uma criança
Que traz pelo olhar verdes, esperança,
Ventos que solfejam vidas, união!

® RÓ MAR


SAUDADE


SAUDADE


Tenho saudade
de ser criança
sem deveres, nem obrigações

Tenho saudade
de brincar na praia
rebolar na areia com paixão

Tenho saudade
dos tempos de menina
dos amigos de escola

Tenho saudade
dos conselhos dos meus pais
para me portar bem

Tenho saudade
do que fui, de como era feliz
do que sou e do poderei ser

Tenho saudade
daquilo que poderia ter feito
e não fiz

Ah que saudade
de poder saltar e correr
hoje já não posso
porque sou mãe e mulher

Tenho saudade
do incerto que há-de chegar
e me mostrar quem fui

Porque hoje
não sei quem fui
não sei quem sou
nem para onde vou.

Vitoria Oliveira 

UM CANTEIRO PRESENTE, FLOR QUERIDA!




UM CANTEIRO PRESENTE, FLOR QUERIDA!


O reflexo do universo não é nítido,
Ciclone de constelações, passado!
Que pelos olhares se aflore a vida,
Um canteiro presente, flor querida!

Tão nítida ao olhar quanto a margarida,
Que tenha vértices azuis ao além!
Que nós bem sabemos, que são também
Passado e até futuro, que são vida!

Multidões, tanto de um tempo passado,
Ao presente capitulo encerrado!
Que nós bem queremos, que haja vida,
Tão nítida a ser quanto a margarida!

® RÓ MAR

CÉU ABERTO



CÉU ABERTO


Rasga-se a terra
abre-se o céu 
memórias infinitas
que ali se mostram.

Ouvem-se brados 
canções 
músicas
gemidos abafados em sons 
que se misturam ao tempo.
Muros antigos desfeitos em pó
mármores cinza indiferentes ao tempo
perfumes que o ar levou.
Vida entranhada na terra
quando o céu se mostrou.

Fernando Figueirinhas


sábado, 20 de setembro de 2014

OUTONO...DA VIDA


Arte: Leonid Afremov 



Outono…da vida


 A paleta de cores em tons de
amarelo, castanho e vermelho terra
as folhas caindo, as árvores preparando-se
para o Inverno e suspirando pela Primavera

As primeiras chuvas, o cheiro, bom a 
terra molhada, os cogumelos a nascerem em 
tufos de vida no chão, juncado de folhas mortas
das florestas de carvalhos

As sementeiras do pão de centeio e trigo, os nabais
que servirão de forragem aos animais, no Inverno
os soutos com os seus castanheiros prenhes de ouriços
que em partos esforçados se oferecem em castanhas
que aquecem as noites já frias,a telha vã branca da geada

Tudo isto faz parte das minhas recordações da 
minha infância e juventude, quando as aldeias
nortenhas tinham vida, gente, jovens percorrendo 
alegremente as ruas empoeiradas do Verão, enlodadas
das chuvas que caem, com os pés calçados com os
socos de solas de pau de amieiro, e as suas taxas metálicas.

À noite à volta da lareira, conversando e ouvindo
Respeitosamente os seniores transmitindo-nos
A sua imensa sabedoria caldeada na escola da vida.

Saudade?
Melancolia?

As duas coisas, mas sobretudo o enorme respeito
por aqueles que me moldaram o carácter, que me ajudaram 
A ser homem

A minha gratidão e ternura a todos eles
Os seniores da minha infância que tratávamos
com respeito.

Hamilton Afonso


QUANDO SE AMA AMA-SE, NÃO SE AMA SÓ!


Imagem - Bellissime Immagini


QUANDO SE AMA AMA-SE, NÃO SE AMA SÓ!


Quando se ama ama-se, não se ama só,
Ama-se sempre algo e também alguém!
Ainda que só ama-se, não se ama só,
Ama-se gente e lugares também!

Não se ama só, ama-se o dia, o tempo, a noite,
A madrugada e o outro dia que não é só!
É sol, vento, chuva e mui mais que gente,
A Terra, o mar, o céu, não se ama só!

Quando se ama ama-se, não se ama só,
Ama-se sempre algo e também alguém
Sobretudo a vida que é mais que além,
Lua, desejo de ser, não se ama só!

Não se ama só, ama-se o homem, a mulher,
A criança e outras gentes que não vêm só!
Trazem amizade, amor e mais pró,
Humanidade que é berço ao amanhecer!

Quando se ama ama-se, não se ama só,
Ama-se sempre algo e também alguém!
O sonho, a esperança, não se ama só,
Ama-se a ideia e doutrinas também!

Não se ama só, ama-se cousas, universos
Onde o centro é ego e outros demais são versos!
Onde há paz, harmonia, prazer, mundos
Que têm o poder de serem amados!

Quando se ama ama-se, não se ama só,
Ama-se sempre algo e também alguém!
Sobretudo a vida que é mais que alguém
É prazer, mistério, não se ama só!

® RÓ MAR


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

QUE ME IMPORTA A CHUVA...SE SINTO O SOL!


Imagem - Svetlana Valueva __Sensuality in Art



Que me importa a Chuva… Se sinto o Sol!


A chuva não me consegue arrefecer
Porque teu Sol entranha-se em mim
Tu não sabes qual seria o meu prazer
Se o teu Sol fosse meu dessa forma assim.

Gostaria mais de o demonstrar
Do que pedir que tu mo desses
Um dia se teu Sol poder amar
O frio da chuva tu logo esqueces.

Incendiar-te-ei com meu calor
Na chama que chama por ti
Dando de mim todo o amor
Que arde cá dentro como senti.

Não esperes colher meu Sol
Se nada fazes para acabar com o frio
Levanta-me este corpo que anda mole
E te alagarei com as águas do meu rio.

Meu rio em ti quer desaguar
Quer fazer de ti seu porto
No calor do meu amar
Está um Sol que me deixa absorto.

Armindo Loureiro 


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

CHUVA INQUIETA, MEUS VERSOS



CHUVA INQUIETA, MEUS VERSOS 


A chuva inquieta que por esta terra cai
E antecede o outono em tons de sol e dó
Clama por mim na fina liquidez do pó
Lavando a mágoa da incerteza que se esvai.

O seu caudal intermitente me atrai
Deixando-me cismar amargurado e só
Num ´stranho remoinho d´ inquietante mó
Entre esta espada e a parede que contrai.

Vou e venho na indecisão que m´ entristece
Não sabendo s´ escreverei mais estes versos
Salvaguardando a sua forma e conteúdo…

Eles vêm até mim qual chuva que acontece
Batendo à minha porta em toques tão diversos
Que abrem a minha alma em aturado estudo.

- Chuva tremenda, deste irreverente verão, 
Não aprofundes mais esta inquietação! 

Frassino Machado
In MUSA VIAJANTE

DIA DE CHUVA


Autumn by sorinapostolescu


"DIA DE CHUVA"


A chuva continua a cair!
Alaga os campos, ensopa a terra
fustiga os caminheiros e beija as flores.
As nascentes da serra jorram por todos os cantos.
Correm desa...lmadas montanhas abaixo
e vão cantando melodias para a floresta.
Choram e riem, quando abraçam os galhos.
fazem engrossar os caudais que estavam secos e tristes.
As sementes germinam, e agradecem a benção.
Faz bolinhas de sabão, e lava as pedras.
Faz rodar a mó do moinho, que rodopia a moer o grão.
Tantas imagens imaculadas, e telas que pinta no chão.
Comunhão de segredos enlaçados, no rosário de pérolas a correr...
Partilho o timbre da sua voz!
Deixo-me embalar num desmaio de sussurros.
beijo as gotas que me escorrem dos olhos,
redondilho os passos para que ela me beije os cabelos.
A luz é ténue, e sombreada de folhas que vão bailando ao cair.
Respiro fundo!
E deixo-me levitar...
No chão molhado, vou cair, e com a chuva vou sonhar.

 Margarida Fidalgo


O ABRAÇO


Arte: Elaine Murphy: Lovers Embrace

O ABRAÇO


Aquele abraço,
melhor
o abraço,
que mudou tudo
acabou,
com alguma centelha
de dúvida que restasse
do afecto que une
duas almas.

O abraço, 
que apresentou
o cheiro dos nossos 
corpos, 
um misto de alfazema
e madeiras, com travo
a canela.

O abraço 
que fez despertar 
os sentidos,
as mãos inquietas
e curiosas, explorando
o até aí desconhecido,
reconhecendo o superveniente
incomodo das roupas a esconder a pele.

O abraço
que nos deu a conhecer 
o calor dos nossos corpos
a vontade incontornável
de bebermos um no outro
os sucos do amor
deixando as peles nuas vestirem-se
com as roupas de gala
do amor, 
da paixão, 
da celebração da vida...

O abraço
que feito laço
mudou o rumo de tudo...

O abraço,
que me prende a ti
e onde, 
curiosa contradição,
me sinto o mais livre
dos seres...

Hamilton Ramos Afonso

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

SE A VIDA QUISESSE SER OUTONO EM ROSA!


Imagem - Tutt'ART@ di Maria Laterza


SE A VIDA QUISESSE SER OUTONO EM ROSA!


Se a vida quisesse ser Outono
Em rosa queria ser pétala avoada
Ao teu coração, uma abastada manhã,
Quiçá, Primavera tão ensolarada!

Pintar tuas artérias a tom pastel
E navegar em tuas ondas a mar
Sereno, conquistar a terra à lua,
Quiçá, Verão, cálice que quero amar!

Estrelar as tuas faces de amanhã
E ser vida plena em teu bem-estar,
Sentir navegar o nosso batel
Pelo mastro de flor a desabrochar!

Se a vida quisesse ser Outono
Em rosa queria ser pétala avoada
No teu coração, respirar paixão
Pelo ar que circula teu coração!

® RÓ MAR

INCERTEZAS



INCERTEZAS 


Perdida entre labirintos vazios,
procuro uma saída...
Meus pensamentos vagueiam 
por caminhos obscuros...
Apenas os ecos das minhas palavras
soam como respostas...
As mordaças encobrem meus lábios,
minha voz confinada é aflita.
Entre o real e surreal desperto entre
nuvens de algodão embaladas, orvalhadas
de água e sal.
Meus olhos encondem-se entre montanhas
avolumadas.
Volta, habita o meu sono, empresta-me seus
sonhos...
As rosas perdem o viço com o fel das saudades..
A minha realidade torna-se um fardo insano .
Procuro-me, não me encontro, não me basta 
apenas o amor platônico.
Necessito do ardor, das chamas que não causam
dor...
Vem, desvendas teu olhar, perceba uma borboleta
á te rondar com as asas lesadas, ansiosa para pousar
nas suas páginas intactas, permear na sua história, ser
o teu amor...
Quero-te sem demora, o nosso tempo é agora...
O depois é tão distante para um amor que eu não inventei...
E que sempre imaginei...

Rosely Andreassa 


SILÊNCIOS



Imagem - Aimer la Nature (Love the Nature)



"SILÊNCIOS"


Gosto dos silêncios que falam comigo!
Dos sons que eles me murmuram
dos segredos que me contam baixinho.
Falam a minha linguagem,
Não inventam, não criticam
nem derrubam os meus sonhos.
Gostam de ler a minha poesia
as minhas loucuras e alegrias.
A isto eu chamo:
Amigos de verdade.

Margarida Fidalgo



O QUE SÃO PALAVRAS...


Imagem - All is LOVE


O que são palavras…


Tenho ânsia de palavras
Para sair da escuridão
As palavras nos são dadas
Para alegrar o coração
Há palavras de tão belas
Que eu gosto muito de ler
Na memória quero tê-las
Para me darem esse prazer
Palavras, belas palavras
Aquelas que tudo dizem
Nem todos sabem dá-las
E até com elas se afligem
Por isso dá-me a tua palavra
De que me vais respeitar
Nessa palavra de tão dada
Que eu e tu queremos amar
Amo assim o que me dizes
Nessas tuas lindas palavras
Passo assim dias felizes
A ouvi-las, de tão amadas.

Armindo Loureiro 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

SERENIDADE



SERENIDADE


 Nesta caminhada
em direcção
de um para o outro
com o caminho recheado
de escolhos
algumas incompreensões
de parte a parte
atingimos a serenidade
baseada na ternura,
carinho,
cumplicidade
mas sobretudo
pelo respeito
das diferenças
que todos temos...

O que a força de um abraço realiza
retirando do caminho
as pedras que nos faziam
desviar-nos do rumo certo
retomando o caminho
agora atapetado pela ternura
perfumado pelos aromas do carinho
iluminado pelo seguro
farol dos nossos sorrisos... 

Hamilton Ramos Afonso

domingo, 14 de setembro de 2014

ENROSCA-TE EM MIM E OUSA ESTE TÃO AMAR!


Imagem - Michael and Inessa Garmash - Sensuality in Art


ENROSCA-TE EM MIM E OUSA ESTE TÃO AMAR!


    Enrosca-te em mim e ousa despertar
    Os sonhos que me adormecem! Pela vida
    Que há em ti alastra fiapos do teu olhar,
    Saracoteia-me e sussurra querida.

    Ao grito da noite sorve gemidos
    À pele impetuosa e ousa adormecer
    Nossos corpos, que respiram alados,
    Pela madrugada que quer amanhecer.

    Enrosca-te em mim e ousa este tão amar!
    Temos um travesseiro enfeitiçado
    Pelas fragrâncias rosa e vamos sonhar
    Que a noite é só nossa e somos tão amados.

    ® RÓ MAR

FAÇO-ME


Imagem - net (autor desconhecido)


FAÇO-ME


Faço-me
de estátuas,
de caminhos,
de pedras

mastigo-as
de forma
a
não perder
a força que perco
na voracidade
dos dias

cerco-me delas
para erguer muros
de resistencia
na avalanche
dos
rios de lama
e lava
que deixas
à passagem
tortuosa

escondo,
no
outono da
vida
o amor feito
inverno

nas estátuas,
nos caminhos,
nas pedras...

de
que me
faço...

rosamar


A COR DOS MEUS DIAS


Arte: Serge Marshennikov Tutt'Art@ 


A COR DOS MEUS DIAS
 


II

Os meus dias
passaram a ter mais cor
desde que passaste a existir 
na minha vida...

És-me melodia jubilosa 
na harmonia dos olhares 
que se encontram, 
dos sorrisos que se matizam, 
da cumplicidade que nos cumpre…

Tudo isso me importa e 
me faz pleno de ti,
seguro de que vale a pena
acordar para a vida…
...todos os dias ao teu lado.

Hamilton Ramos Afonso

A COR DOS MEUS DIAS


Imagem - net (autor desconhecido)



A COR DOS MEUS DIAS 


I

A cor dos meus dias
tem o brilho
das estrelas 
que vejo no teu olhar
do arco- íris
que se desenha
no teu sorriso
e da fruta fresca
que colho, 
avidamente 
nos teus lábios…

A cor dos meus dias
tem o cheiro a coco
da tua pele,
o calor 
do teu abraço 
e do teu corpo 
fremente de desejo…  

Hamilton Afonso


sábado, 13 de setembro de 2014

NOITE AZUL


Imagem - net (autor desconhecido) 


«Noite Azul »


 Na tua ausência, no pesado gume da saudade,
procuro encontrar o teu sorriso gaiato, nas 

enredadas recordações dos traços do teu
rosto iluminado pela luz do luar em noite
clara junto ao mar.

A luz prateada que empresta à calmaria da praia
um lindo manto ondeando ao sabor dolente das
ondas que vêm beijar meus pés, levemente enterrados
nos finos areais onde pulsa vida quando o astro-rei se
faz presente, ilumina a noite vestindo-a dum belo azul

E então a minha alma em silêncio, enche-se de felicidade 
e o meu rosto ilumina-se naquele sorriso que me encanta e 
que aprendi a gostar de ver no teu jovial rosto ,
o sorriso gaiato que me seduziu e me prende ao amor
que ambos jurámos um ao outro , pela vida fora…

O doce sentir da promessa jurada que um dia será cumprida
talvez , quem sabe ,em noite azul, numa praia onde estejamos
sós em enleio de amor, apenas testemunhado pelos ténues raios
de prata da lua.

Da lua cheia, como plena será a nossa entrega. 


Hamilton Ramos Afonso


HÁ SILÊNCIOS QUE SÃO QUÃO INFINITOS!


Imagem - Bellissime Immagini 



HÁ SILÊNCIOS QUE SÃO QUÃO INFINITOS! 


Há silêncios que são quão infinitos!
Trenando aos oceanos
Navegam barcas de quão destinos
 Que cruzam as vidas
Pelas ondas de olhares infinitos!

Respira o patamar
Que perpetua as profundezas do mar
Sal de águas navegadas!

® RÓ MAR



TEU SORRISO É FONTE DE VIDA



Imagem - Belissime Immagini


TEU SORRISO É FONTE DE VIDA


Nesse teu belo sorriso
Nota-se o teu gostar
O respiro, e dele preciso
Para assim te poder amar
Oferece-mo pois então
Cada vez que eu te veja
Tu és fonte da paixão
Deste coração que o almeja
Teu sorriso é fonte de vida
Que o tenhas no dia-a-dia
Gosto de ti por seres sentida
Num olhar repleto de alegria
Não te quero ver chorar
Quando olhas para mim
Teu sorriso quero amar
Faz isso que eu estou afim
Afim do teu belo sorrir
Afim do teu amor
Jamais te irei mentir
Se o fizesse era só dor.

Armindo Loureiro


EU, TU E O MAR…


Imagem - autor desconhecido 


EU, TU E O MAR…


Quando não estás perto de mim fujo
Para outro planeta, onde só há uma rosa
Vermelha a ancorar meu porto marujo
E ali fico, até o tempo voltar, em prosa.

Encontro-me no aconchego de pétalas
Que perfumam noites a laivos de um mar
Que é nosso e perco-me por ali a adora-las,
Remo até ao infinito de um recordar.

Quando não estás perto de mim amo
O universo que é tão nosso e respiro poesia
Pelos ventos de outro planeta, meu bálsamo.

Centelha pelo luar, leito de um amor
Que adormece ao meu lado até ser dia.
Eu, tu e o mar letra que desperta em flor.



® RÓ MAR 

INSÓNIA...



Imagem - net (autor desconhecido)


Insónia…


A lembrança do teu olhar tira-me o sono…

Por vezes dou comigo a pensar que 
nos teus olhos bebo a minha dose de cafeína que 
me leva a esta insónia…
...que me preenche o coração…
...de júbilo… 

Hamilton Afonso


SOMOS A LUA NA NOITE DOS BEM-AMADOS



      SOMOS A LUA NA NOITE DOS BEM-AMADOS


      Sou-te o rio que percorre as veias,
      És-me o doce regato que satisfaz. 

      Somos plenos de exuberantes ideias 
      Que se abrem pelas águas-furtadas 
      Das ávidas bocas e saciam as caminhadas 
      Que se elevam no horizonte ao coração. 
      Pelas correntes térmicas da nossa imaginação 
      Os corpos ondeiam-se de entusiasmos 
      Novos que vislumbram no audaz 
      E suculento néctar que nos excita. 

      Somos leves trapézios no azul que habita 
      O céu e estrelamos as águas, brilho 
      Contagiante dos olhares venturados. 

      Somos a lua na noite dos bem-amados, 
      Mutantes transparecem os corpos suados 
      Lubrificando o dia, vê-se o amanhecer, brilho 
      Que reflecte a luz dos nossos orgasmos. 

      ® RÓ MAR 


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

NÃO É POETA QUEM QUER



Imagem - net (autor desconhecido)


NÃO É POETA QUEM QUER


Eu só queria
poder escrever um Poema,
que aliviasse esta minha inquietação,
eu só queria libertar numa Palavra,
toda esta dor que me inunda o coração,
este vazio, que preenche a minha alma,
este torpor que me mata a emoção,
mas que fazer se me morrem as palavras
ainda antes de sentir inspiração?

Não é Poeta quem quer,
só é Poeta quem consegue dizer, Não...
só é Poeta quem pode escrever o Amor,
só é Poeta quem mastiga a própria dor,
só é poeta quem tem asas no pensamento, 
que faz do voo, o seu próprio alimento 
e nas palavras sabe usar o sentimento, 
e liberta desta forma o coração.

Mas se o meu peito, 
é menor que o meu tormento, 
e o sentimento uma mera ilusão,

morre a palavra, 
morre o Poeta, 
morre a canção.

Digo-te adeus, 
minha Poesia, meu amor,
talvez um dia tu me peças, por favor,
para voltar a libertar esta paixão...

rosamar 



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MEU POEMA IMAGINÁRIO


Imagem- net (autor desconhecido)


Meu Poema Imaginário


Era uma Deusa de nome luz
Olhos lindos brilho de luar
Encontrei-a só, e flutuava no mar,
Como era lindo o seu brilhar,
Mas tinha encanto, aquele que nos seduz.

Por algum momento
Me ocorreu um pensamento
Será a Deusa do amor?
Mas não senti sofrimento!
E não há amor sem alguma dor,
Nem sequer um pequeno lamento,

Fiquei a pensar, e ao contemplar
Fez-se luz no meu coração,
E não quis ninguém julgar,
Apenas quis fazer minha oração
Porque estaria aquela Deusa no mar
Sobre as ondas e o brilho do luar.

Joana Rodrigues  


ENQUANTO SABE A SAL O (A)MAR





ENQUANTO SABE A SAL O (A)MAR


Mergulhar pelo teu olhar
É (a)mar ao fundo do mar…
Sabes-me a sereia…Te navego pel’alma
Ao sal que se beija ao corpo, na calma
Azul repassa o vento do nosso olhar.


Mergulhamos pela onda que abre o universo…
Delírios prazíveis por inventar
Saciam os nossos corpos suados no imerso
E marulhado cálice que solta os gritos do (a)mar.

Vozes silentes…almas quão gritantes
Deslizam vulcanizadas pelas nossas ‘barbatanas’,
Ao ritmo alvoraçado de viscosas algas
Copulam-se nas ‘guelras’ excitantes.

As baladas que ecoam pelo fundo do mar-
O nosso desvairado amor carnal
Que esguicha labaredas d’ azul colossal
Enquanto sabe a sal o (a)mar.

® RÓ MAR

NOITE



"NOITE"


Ouvem-se ao longe
os cantares da passarada
a roçar as asas na folhagem das pereiras.
A noite chegou junto da fonte, 
que corre pelas entranhas da serra
Chocam-se vultos que baloiçam
nas margens do rio que já dorme.
Imponente é a luz que vem da lua
sentada nas nuvens,
canta uma canção de embalar.
O vento beija uma folha caída no chão
O meu olhar, afaga a noite mágica
como se ela fosse um rosário de oração.

Margarida Fidalgo

EU FUI O SONHO


EU FUI O SONHO


Eu fui a ave desbravando o espaço,
Eu fui o grito ecoando ao vento,
Eu fui o mar sereno e o violento,
Eu fui o beijo, o afago e o abraço!

Eu fui a eternidade e o momento,
Eu fui a caminhada passo a passo,
Eu fui a resistência e o cansaço,
Eu fui o desalento e o alento…

Eu fui a meta e ponto de partida,
Eu fui a paz e a raiva enfurecida,
Eu fui o horizonte da verdade!

Eu fui o amanhã da ilusão,
Eu fui o sonho desta geração,
Eu fui Democracia e Liberdade!...

José Manuel Cabrita Neves

ENSINA-ME COMO TE ESQUECER...



Arte: Michele Del Campo Tutt'Art@ (49) 


Ensina-me como te esquecer...


 Foi com o teu sorriso e
com o teu olhar transparente
que me franqueaste a porta da tua alma, 
que me determinei 
a entregar-te a minha…

Apossaste-te dela, 
desestruturaste a minha serenidade, 
desarrumaste o que estava arrumado, 
fizeste-me de novo acreditar
que era possível o amor, a cumplicidade, 
o encantamento mas esqueceste de me dizer
como posso passar sem ti,
vencer a distância que nos separa,
vencer a saudade do cheiro da tua pele, 
da tua voz a soar aos meus ouvidos, 
a tua falta numa cama desalinhada
por noites de insónia…

E se um dia, porque és livre de o fazer,
te fores embora regressando 
à bruma de onde vieste, 
peço-te que, 
antes me ensines
a esquecer-te…

Hamilton Ramos Afonso


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MEMÓRIAS


Juan Fortuny___Sensuality in Art


"MEMÓRIAS"


Trago nos olhos um cacho de uvas.
Tão negras, tão negras como azeviche 
cortadas à pouco na minha latada
que pende do muro para a estrada.

Trago nas mãos pêras madurinhas.
de uma pereira que está no quintal
foi o sol de Agosto que as pôs rosadas
e são sumarentas como madrugadas.

Trago no sorriso rosas em botão.
de pétalas vermelhas e aveludadas
que brilham nos lábios ao romper a aurora
e muito mais coisas que não digo agora.

Margarida Fidalgo


O TERRAÇO DO OUTONO É AZUL (A) MAR!



Imagem - Autumn Effect at Argenteuil - Claude Oscar Monet 



O TERRAÇO DO OUTONO É AZUL (A) MAR!


O terraço do Outono tem portões
Alados, mundo que espreita beleza;
Nuvens singelas que pelo céu beijam 
Acrescem ao mar uma outra natureza, 
Passeiam-se pelos espelhos a pasmar!

A vida, uma longevidade inigualável;
Árvores sobreiam passerelles de oceanos
E pelas pregas salgadas de tantas ondas 
Pisam o céu, (o mar) o azul inatingível,
Irrigam-se as almas de todo o universo!

Tais enseadas, vistas largas de humanos
Que dignificam a vida, flutuando 
Real e concreto atingem o espaço não pensado;
A Imaginação aos meandros da estação 
Germina ventilações que arejam corações!

O terraço do Outono tem uno vento,
Galáxias onde abundam tantas vidas;
Fisiologias mescladas de tons terra e pigmentadas 
A azul celeste desenhando orbitas sem conto,
Tais as causas da poesia que verso!

O terraço do Outono é azul a (mar)!

® RÓ MAR

 

ELA JÁ SE CHAMOU SILÊNCIO...




ELA JÁ SE CHAMOU SILÊNCIO...


Ela já se chamou ‘silêncio 
a brotar dos lábios debruados com um sorriso’.
Agora não. Agora tem nome. Pese embora cale tudo,
pese embora quando ela sorri ele não ouça mais nada
– e também não veja mais nada.
Na verdade, quando ela sorri, ele nem sabe
se quer ouvir ou ver o que seja. Para esses momentos,
não está previsto que ele tenha dois pensamentos,
só que ele se encante ao ponto de esquecer o acessório.
Quando ele a conheceu, o principal foi o sorriso. E ainda é.
Ela já se chamou ‘silêncio 
a brotar dos lábios debruados com um sorriso’,
mas é agora qualquer sorriso digno desse adjectivo
que traz em brado o nome dela. [Se é amor?]

Sérgio Lizardo

TEU CORPO ALI ASSIM...


Imagem - net (autor desconhecido)


Teu corpo ali assim…


Deitada sobre o canapé
Com teu corpo desnudado
Já não sei bem como é
Por teu corpo não me ser dado
Mas que gosto, lá isso gosto
De te ver assim deitada
E a teu lado até aposto
Que até eu nem veria nada
Não via nem o queria
Pois bastava o te sentir
Em teu corpo, ai que alegria
Na magia do meu porvir
Gosto tanto de te ver
Deitada nessa posição
Em meu olhar te quero ter
E te dar toda a paixão.

Armindo Loureiro 

BALOIÇO DOS MEUS SONHOS"



"BALOIÇO DOS MEUS SONHOS"


Gosto de baloiçar nos sonhos.
Fazer ninhos de afagos ao luar
chamar a lua, as estrelas e os pássaros
e pelas escarpas da serra
poder correr, cantar e voar.

Tão simples, tão belo e barato.
O incenso que dá luz tão perfumada,
nas noites dos meus sonhos vagueantes
que só dormem quando chega a madrugada.

E quando se calam as fontes.
já cansadas e fartas de correr
procuram do meu regaço encantado
o sol que espreita para amanhecer.

Margarida Fidalgo

terça-feira, 9 de setembro de 2014

DESCULPA-ME





Desculpa-me…


Tenho que te pedir desculpa 
por me preocupar contigopor querer saber e 
entender as tuas angustias, 
os teus silêncios
por me preocupar e 
tentar entender as tuas mudanças 
de humor, mas sobretudo 
por ter cometido o erro de 
me arrogar o direito 
de te dar conselhos e 
de forma leviana querer 
saber da tua vida…

Desculpa-me ainda 
por me ter apaixonado por ti e 
não saber como te esquecer, 
de não saber como se esquece 
um grande amor…
...nem saber como se faz, 
ou sequer se o quero…

Talvez me possas ajudar
a fazê-lo dizendo-me 
como se esquecem
as promessas de amor eterno, 
o sonho de encurtarmos 
as distâncias que nos separam, 
sejam as que se prendem especificamente 
com a distância física, 
ou aquelas que têm a ver
com a censura da hipocrisia social…

Ficarei aqui, em silêncio, a sofrer com angústia, 
a tentar esquecer, a tentar reaprender a viver sozinho.

Mas quero que saibas
que estarei sempre disposto a ouvir-te,
a ajudar-te a dar-te o meu colo
e o meu ombro, quando deles necessites, 
sem pedir nada em troca, incondicionalmente… 

Hamilton Afonso