sábado, 13 de julho de 2019

O SILÊNCIO DAS FLORES




O SILÊNCIO DAS FLORES


No silêncio as fragrâncias a emergir
no remanso da brisa sobre o mar.
Minha alma obedece ao meu sentir
deixei de observar flores no meu olhar.

E o mar que me dava tanto sossego
onde mortificava as minhas mágoas,
neste meu viver há um desapego,
como o desmaiar da espuma nas águas.

Na onda e no silêncio flutuam flores
vindas com o vento que ali passou
e as poisou levemente e sem odores...

Na enchente a breve maré floriu
e a maresia com elas dançou
num abraço… o silêncio sorriu...

© Maria Lúcia Saraiva

POESIA FRIA, POESIA QUENTE




POESIA FRIA, POESIA QUENTE 


Dizem pra aí que quase ninguém lê poesia
Preferindo a ficção ou mesmo algum ensaio.
Poemas e outros versos apenas de soslaio 
Ou, porventura, por uma mera cortesia…

Mas, livros de poesia… vai mesmo uma razia
À laia de mercado, estilo papagaio…
A poesia que importa – e desta não me saio –
É aquela que se faz com paixão e maresia.

Poesia fria, não! Mas, sim, poesia quente
É aquela em que o poeta dá a sua vida:
Lendo as coisas e o mundo de forma sentida
Com um empenhamento vivo e incandescente.

As hodiernas tendências não vão por aí,
Os tempos mudam e as ideias desvanecem
Mas a boa poesia e os poetas permanecem
E as “mentes dominantes” sofrem de alibi.

O que interessa, porém, e em lugar cimeiro,
Independentemente de ser poético ou não
Ainda que pareça ser uma ilusão,
É tudo aquilo que à carteira der dinheiro!

Frassino Machado
In RODA-VIVA POESIA

sábado, 20 de abril de 2019

DEI-TE OS MEUS LIVROS DE POEMAS


Aguarela de Antonieta Castro


“DEI-TE OS MEUS LIVROS DE POEMAS”


Dei certa vez a alguém
Que desejava conhecer a Vida, também,
A face da beleza e da sinceridade,
Num livro onde a Verdade

Difundida em virtude e meditação,
Irradiava para a alma e para o coração
Cintilações de luz, que lhe deram frescura!
Essa formosa e estranha criatura,

Ainda nova, esbelta e cheia de carinho,
Tinha um pudor subtil de arminho
E oceanos infinitos para transpor!

E como o sentimento dela se transformou!
Comecei por lhe dar o livro que a informou,
E agora a essência é o alvo deste meu novo amor!

© Alfredo Costa Pereira

AMIZADE


Imagem: Zzig.comunidade


Amizade


A música que tocas,
Não saem d' um Flautim
São notas dos teus beijos,
Que envias-te só pra mim.

É o mais divino soar,
Este, que meus ouvidos escutam.
São o som do repicar,
Na minha fronte que toca,
Os lábios da tua boca.

Em minha face rubra,
Que teu carinho recebeu,
Deixo cair de mansinho,
Fingindo que foi um cisquinho,
Que entrou em olhar meu,

Duas bolinhas lampejadas,
D' um sentimento maior.
Que senão uma amizade,
De duas almas calejadas,
D' um amor interior!

E como não quero que se descubra,
Guardo-a só pra mim,
Embrulhando-a com muito amor,
Num lençinho de cetim!

SERÁ QUE VAIS GOSTAR?


Foto: Amendoeira em flor | Algarve em fotos


Será que vais gostar?


Esta flor eu te dou
Com profunda amizade
Ela é deste que de ti gostou
Porque de sempre te amou
Com toda a sua vaidade

Tenho vaidade neste amar
Que apenas é só meu
Um dia tu vais gostar
De meu amor te poder dar
Porque em ti ele aconteceu

E depois dele acontecer
Vamos até às últimas consequências
Colher todo o nosso prazer
Com um pouco de saber
Nessas virtuosas apetências

Quero-te assim desta maneira
Quero-te como mais ninguém
Tu que julgas que é brincadeira
Respondes-me com uma asneira
E meu amor isso não me convém

domingo, 14 de abril de 2019

BEIJO DE TROFÉU


Imagem: J'ad' OR


BEIJO DE TROFÉU


Meus lábios, de lira silvestre,
São fruto de todo aquele amor
Que algures toca a brisa extraterrestre
Em fino beijo de uma nobre flor.

Meus olhos, tardam a tarde fiel,
São noite de anil e algumas cores
Que lêem estrelas lá do alto céu
Em fino olhar de todos os amores.

Teus lábios, são meu desejo,
Que reitero serem parte de mim,
Têm fino porte a parte de beijo.

Teus olhos, são o céu adamascado,
Que guiam as estrelas que há em mim,
Têm fino olhar que há em teu nobre lado.

Meus-teus lábios moscatel
Têm meus-teus olhos, sonho mel,
Em fina taça | beijo de troféu.

© Ró Mar

FUI À FONTE BEBER POESIA




FUI À FONTE BEBER POESIA


Fui à fonte beber poesia,
Trouxe comigo lindos poemas,
Beijos de muitas tricanas,
Momentos de muita magia.

Trouxe também crónicas,
Da minha longa e cruel vida,
Do que vivi com sabedoria,
Que são lindas histórias.

A minha fonte ameaçou secar,
Se eu não a fosse visitar,
Consegui que ela mais poesia
E crónicas desse de magia.

Tantos e lindos poemas
Eu vou beber à minha fonte,
Ela me oferece temas
Para eu alcançar o horizonte.

A fonte não se cansa,
Está sempre a jorrar poesia,
Tal se tece uma trança,
E se canta uma bela cantiga.

Sinto imensa vaidade,
Em ter uma fonte tão generosa,
Que me brinda com a verdade,
Da sua poesia e prosa.