sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

PUDERA, O TEMPO NÃO É MAQUINARIA MANUSEÁVEL!




PUDERA, O TEMPO NÃO É MAQUINARIA MANUSEÁVEL!


Se o tempo fosse um moinho de café
Poderia triturar as horas, como se faz aos grãos,
Equilibrar a moagem aos meus minutos,
Em fases suculentas, recostado no canapé!

Sei que, seguramente teria todo controlo
Sob o tempo! Teria presente e até passado
Meu, assim como, futuro consoante o estado
De espirito, seria um autêntico consolo!

Pudera, o tempo não é maquinaria manuseável!
É algo concreto, que se afirma, imutável,
Sendo eu grão, engendrado pela sua engrenagem,
Faz de mim, tipo grosso ou fino numa só passagem!

© RÓ MAR


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"DIA DOS NAMORADOS"...




"DIA DOS NAMORADOS"...


Tal como um passarinho,
O Amor anda no ar...
Procura abrigo num ninho,
Onde ele possa morar!...
Debicando corações,
Como alfinetes dourados;
Faz despertar as paixões,
No peito dos namorados!...
Esvoaça de mansinho,
Ao de leve...e de vagar;
Até encontrar um ninho m, 
Onde se possa abrigar!...
Quando as setas de cupido,
Nos atingem de repente;
A razão não faz sentido,
E até a verdade...mente!...
O Amor é sentimento,
Que não se pode explicar...
Dá prazer e sofrimento,
Nos alegra e faz sonhar!...
É Dia dos Namorados,
Dia das recordações...
De casais apaixonados,
Unidos p´los corações!...

António Joaquim Alves Cláudio

É RIDÍCULO




É RIDÍCULO 


Tenho o teu silêncio
preso na chama(da)
caída no meu ouvido.
Nunca te liguei.

Desconheces a minha morada
por isso,
a caixa de correio
nunca trouxe Amor
rabiscado numa folha.

Seria um Amor registado
com aviso de receção.
Seria um envelope selado
com o teu cheiro a mofo.

Estaria de mãos abertas
para te desvendar.

Nada disto seria ridículo. 

Com sentimentos esdrúxulos,
com palavras agudas,
prenderias o meu coração
com a corda da possessão
em todos os espaços
da imaginação.

Nada disto seria ridículo. 

Iria passar os dedos na tinta
e folhear-te,
e isso iria deixar-me faminta
de ti.

Todas as Palavras
seriam beijos
nos lábios.

Nada disto seria ridículo. 

É raro ver química
em pedaços de matéria.

Hoje fecho a gaveta
onde tenho as folhas brancas
com as palavras que
nunca me disseste.

Isso sim.
É ridículo.

Ana Pereira


CAMINHO




Caminho...
 

Passamos pela vida coleccionando alegrias e tristezas 
que arquivamos nas gavetas da memória, 
num lado as lágrimas vertidas, 
as cicatrizes na alma,
as desilusões,
no outro os sorrisos
e o afecto recebido...

Gosto do simples,
abomino o complexo,
embora não fuja às dificuldades…

Sou de choro fácil,
a emoção sempre à flor da pele, 
comovo-me facilmente com a alegria de terceiros,
mas as lágrimas que me aliviam mesmo 
são as derramadas pela raiva 
de me aperceber da crueldade 
com que alguns de nós passam pela vida
calcando o seu semelhante, 
não descansando enquanto não o vêem no chão,
passando por eles, sobranceiros, 
olhando para o lado, 
exultantes com o resultado da ignomínia...

Por isso te digo que gosto quando me bates à porta,
trazes contigo o fulgor do teu sorriso,
o juntas ao meu e ambos regamos as flores lá de casa,
colhendo o doce perfume das mesmas...

Hamilton Ramos Afonso

MINHAS CARTAS DE AMOR




MINHAS CARTAS DE AMOR


Uma missiva para ti amor
pois muitas cartas
eu te escrevi, eras meu protector,
hoje sinto a falta de ti,
eras a minha força
aquela que eu
já tinha perdido,
eras o pilar que me segurava
eras o meu amor querido,
partiste tão cedo
meu amor, tanto que nós
tínhamos para viver
o amor continua,
sufocado na dor, escondido,
hoje porque me pediram
poesia de amor,
voltou tudo à memória,
e tudo foi reviver
sempre que a poesia, seja o amor
sinto a mágoa a tristeza e a dor
de saber que não te tenho mais
onde nos amá-mos tanto
neste nosso ninho de amor,
onde não te encontro jamais.

Joana R. Rodrigues

DIA DOS NAMORADOS




“DIA DOS NAMORADOS” 2016 


Dia dos Namorados, ó glorioso Dia,
Que já foste uma força de gravitação,
Uma força perene de envolvente energia 
Nas ondas sonhadoras da humana condição…

Dia dos Namorados, ó reino de fantasia,
Qual cavaleiro andante nas asas da emoção,
Buscando aquele troféu repleto de magia
Ornamentado de grinaldas e devoção.

Dia dos Namorados, ó dia de inocentes,
Dia de marés-vivas de curta densidade,
Estórias sempre novas, sempre efervescentes
Em traços projectados de virtual saudade.

Dia dos Namorados, que dia, que amores – 
Nascidos hoje, contraídos amanhã –
Que personagens, que espaços e que ardores,
Que sentido e razão é que nisto haverá?

Se algum sentido ou alguma razão houver (?)
Apenas, e tão só, se “negócio” acontecer!

Frassino Machado
In RODA-VIVA POESIA


ESTA, MINHA, JANELA





ESTA, MINHA, JANELA


As janelas são fontes de energia que camuflam
E também desprendem os mais diversos sentimentos;
São passagens sustentáveis a todos ares que circulam
Proporcionando o misto do que somos e imaginamos.

Nelas não há certezas de tempos, mas, há as vividas
Que originam uma complexidade de comportamentos;
Ora fechadas, ora abertas, são sempre cartas fechadas
Onde a escrita tem principio, meio e vários desfechos.

Por elas respiramos e viajamos, em múltiplos sentidos:
Ora à frente, ora à retaguarda; na horizontal, vertical, diagonal;
É tudo uma questão de posicionamento dos ângulos
Sujeitos, pretendidos e outros que sobrepõem ao visual!

© RÓ MAR


SEM INSPIRAÇÃO





SEM INSPIRAÇÃO


Quero um poema fazer 
Onde não possa dizer 
Mais que uma vez esta palavra, 
Ela se chama saudade, 
E eu não vou escrever 
Mais que uma vez 
Esta verdade, 
Ela vive no meu peito 
Muito sofrida a seu jeito 
Mas hoje dou-lhe liberdade, 
Para sair do meu peito 
Hoje não sinto a poesia 
Tal como sempre eu a sentia, 
Talvez por defeito ou teimosia 
Eu quero acabar este texto 
Para procurar alegria 
Pois não encontro um pretexto 
Para escrever poesia, 
Talvez seja o meu coração 
Que não me dá inspiração 
Por não sentir essa alegria 

Joana R. Rodrigues 

PENSAMENTOS




Pensamentos…


Penso quando não o devia
Mas te devo o pensamento
Porque em ti sinto a alegria
Na passagem dum momento
Um momento tão crucial
Para a vida saber-me bem
Neste mundo sem igual
Pois por ti eu sou alguém
Emergi nessa tua verdade
E já lá vai algum tempo
Hoje vivo esta saudade
De viver um bom momento
Há momentos neste mundo
Que me levam a reflectir
No que há de mais profundo
Que na vida se possa sentir
E eu tenho esse sentimento
Já vai longe a minha lembrança
Procurei sempre um momento
Para na vida ter esperança
Por isso lembro-te aqui
Com todo o meu fulgor
Tu és tudo quanto senti
E também o meu amor!

Armindo Loureiro

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

NA SOLIDÃO DA NOITE




“ NA SOLIDÃO DA NOITE “


A noite é sempre triste e a tristeza
É toalha que se estende pelo chão
Mesmo sem eu querer, senta-se à mesa,
Vem partilhar comigo a escuridão.
 
Fica dentro de mim esta certeza,
Que tudo não é mais que uma ilusão,
De nada vale um homem ter riqueza
Quando a vida é apenas solidão.
 
Fosse eu o que não sou, mas quero ser,
Houvesse alegria em meu viver
Numa envolvente e pura f’licidade.
 
Não tinha esta triste companheira
Que fica em minha casa a noite inteira
Para falar de dor e de saudade.
 
Abílio Ferradeira de Brito


SILÊNCIO




Silêncio


No silêncio procuro respostas
para me conhecer melhor,
pese a contradição
de nesta fase ainda admitir
a necessidade de buscar respostas…

É no silêncio que penso na vida,
nos espinhos que ela nos reserva
nas angustias
de tantos e tantos amigos
a passar horas difíceis
por causa da sua condição de cidadãos 
dum País sem Rumo, transformado
em Nau sem Timoneiro…

É no silêncio que me conheço
e ganho forças
para resistir ao desespero de, 
muitas vezes não poder ajudar
porque aqueles que me são próximos
já não têm forças para pedir ajuda…

É no silêncio, 
que peço Respeito
pela minha necessidade
de ter silêncio, 
mesmo que o meu silêncio
cause ruído a terceiros…

Hamilton Ramos Afonso

sábado, 6 de fevereiro de 2016

ESTA, MINHA, JANELA




ESTA, MINHA, JANELA


Perco-me, não no teu corpo, esse é ausência!
Fazes-me perder, pela tua alma distante,
No teu querer desencontrado à minha essência!
Porque foges ao coração que te quer contente!?

Porque queres esconder-te de mim, meu amor,
Quando o que sentes, não é meu desamor,
É a saudade que bate à porta todos os dias
E te deixa a viver entre os meios-dias!?

Porque, não te deixas respirar pleno,
À luz do dia, contestas ao minuto o desafio
De um coração, obstando o que é tão óbvio!?
Perco-me sempre no nosso abraço ameno!

© RÓ MAR

SORRISOS DE ALGODÃO


Foto: Kemal Kamil


SORRISOS DE ALGODÃO


Talvez nunca perca
o alcatrão
das palavras
mastigadas,
mas nunca engolidas em seco,
que se agarraram aos dentes.
Alastra mas não mata.
Apenas desgasta.
Desvitaliza-me.

Na fissura da raiz
encontro o abismo.
Nas escadas caligráficas
mantenho as mãos
estendidas para a dança
com o pó.

Conserva o que existe.
Revela que estou só.

Nesta espécie de céu
em que os sorrisos são de carvão,
as sombras despendem-se do chão.

Apago o que está na cabeça
para que nada eu esqueça.

Mesmo com as mãos molhadas
de ternuras,
não coloco os pontos nos is.
Não são pontos fortes.

Deixo-te com razão,
um sorriso de algodão
que não engana ninguém.

Ana Pereira


EU VIAJO EM CADA PALAVRA EM CADA PINTURA


Pintura _ Mila Lopes


EU VIAJO EM CADA PALAVRA EM CADA PINTURA



Eu
Viajo em cada palavra em cada pintura 
e fechando os meus olhos
entrego-me
aos meus sonhos
e sinto poder do silêncio em mim
silêncio
que acalenta a minha alma.

Assim voo na luz 
voo no amor, voo no espaço 
e sinto paz em mim 
que me acalma e não tem fim.

Mila Lopes

VOU ESCREVER MAIS UMA VEZ




VOU ESCREVER MAIS UMA VEZ


Vou escrever mais uma vez
E outra, e outra talvez,
Porque adoro escrever
Escrevo até ao amanhecer
Assim faço de quando em vez
Até que consiga adormecer !

Não sou poema de ninguém
Meu poema, minha vida,
Escrevo tudo o que me apraz
A minha vida não esquecida
Aquela que a memória me traz
Enquanto a lucidez tiver vida,

Hoje sou eu o tema, da poesia
Não tendo algum problema
Em escrever tudo o que quero
Porque hoje sou eu o tema,
Da vida que eu já não espero
Sou poema da minha poesia...

Dou por mim, a escrever as memórias
De um passado distante e sombrio
Minha vida são livros de histórias
Em que nelas poucas vezes eu sorriu
Mas conto as minhas memórias...
Em sufoco, com lágrimas, mas com brio.

Amei e fui amada, feliz e mulher honrada
Hoje Deus algumas coisas me tirou
Com outras me abençoou,
O tempo passa, e eu sou um poema do nada,
De recordações vou vivendo,
Minha escrita é meu poema, com ela me entendo!

Da minha poesia hoje sou eu o tema
E assim vou escrevendo,
Minha poesia meu poema,
Como este meu poema compreendo.
E vou escrever mais uma vez,
E outra e outra, quiçá, talvez.

Joana R. Rodrigues

AOS MEUS AMIGOS...




Aos meus amigos…


Nos tempos da era moderna
Criaram-se dias para tudo
Mas nossa pena não é eterna
E por isso ninguém fica mudo
Dão-se vivas indiscriminados
Por nesses dias se viver
Como se fossem abençoados
Por qualquer Deus, podem crer
Mas não…Foram humanos
Que assim o entenderam
E com isso ficaram ufanos
E às festinhas se prenderam
Hoje é o Dia da Amizade
E eu aqui ponho uma questão
Um dia só? Que saudade
Eu dela tenho outra opinião
Sempre vivi para a amizade
Não precisando de um dia
É disso que eu tenho saudade
E não quero perder a alegria
A alegria de ser só amigo
Uma vez em cada ano
Podem crer é isso que eu digo
E do que digo me sinto ufano!
Por isso contem comigo
Hoje e sempre como sou
Sempre serei amigo
E esta amizade vos dou.

Armindo Loureiro 

EU NÃO EXISTO...




EU NÃO EXISTO...


Eu não existo a não ser na brisa carinhosa que penteia os cabelos do tempo...
a não ser na procura das pedras que saltei...
nos sonos que adormeci em mim...
não existo para além do cheiro da viagem livre e solta...
na voragem dos cantos que me embalaram para lá do breve choro de nascer...
não existo por mais de me dar à vida de sorriso despudorado...
de acreditar que respiro..
Que choro...que grito...que canto...
sem medo de cair...
porque me aguento firme na escada íngreme de amanhecer...

r.r.- Rosa Ralo