segunda-feira, 27 de abril de 2015

ILUSÃO


Foto: King Douglas

ILUSÃO


Estendo-te os lenços
que puxo da cartola
para te vendar.
Rendo-me de personificação
Serei o que te ditar
a tua imaginação.

Sei que me vês nua
com os meus cabelos
de tinta
permanente.

Abrimos arcas proibidas:
estrofes escondidas
na fantasia.
Algemo-te ao verso
que se torna viril
com o toque mágico das carícias.

Destilo letras para o papel
para te embriagar
com o perfume
liquido de um corpo
que não vês.
Apenas te alimentas da sua nudez.

Desfolhas pétala a pétala
todas as sílabas
da rosa.
Palavras mudas mas claras
como água pura
que recolhes da raiz.
Nada fala.
Tudo diz.
Foges para dentro de mim.
Vamos além da página.

E num passo de mágica
Tudo se torna real.
O sol sucede no meu corpo.
Mostro-te o mistério
escondido
debaixo do vestido.

Nada sai para as tuas mãos.
É tudo uma mera ilusão.

Ana Pereira

PENSAMENTO




PENSAMENTO


Olho fixamente para o longínquo horizonte 
Tento vislumbrar o sol de tom avermelhado
Vejo a água límpida brotando de uma fonte
Imaginando a passear contigo a meu lado

Nas copas das árvores vejo imensos passarinhos
Chilreando todos em coro como uma serenata 
Fico com uma enorme saudade dos teus beijinhos
Que do sabor dos últimos já não tenho quase nada

Com imensa força enchi de ar os meus pulmões 
E gritei muito alto quero Amar-te muito minha Fada
Os passarinhos assustaram-se fugindo aos milhões 
O chilrear parou ficou silêncio não se ouvia nada.

Paulo Gomes

terça-feira, 14 de abril de 2015

...AS ESTRELAS QUE PROMETI...




...AS ESTRELAS QUE PROMETI...


Ao teu sorriso, por uns tempos arredio,
retornei serenamente, recuperando de novo,
o alento para varrer, para bem longe

o espesso manto de nuvens que, teimosamente,
me retiravam o brilho dos meus olhos,
impedindo-os de acenderem as estrelas
que prometi brilhassem para ti... 

Hamilton Ramos Afonso

E, NEM SEQUER UMA LÁGRIMA VERTE…


Imagem - Bellissime Immagini


E, NEM SEQUER UMA LÁGRIMA VERTE…


Foram anos de uma suposta união!
Foram sonhos que se consumiram
E empurraram as portas do coração
Para um ténue feixe de solidão.

E, nem sequer uma lágrima verte…

À janela o tempo é vidro embaçado
E o velho espelho partiu-se, a sorte!
Nada se vê, nada se sente do mundo,
Respira-se uma essência qualquer, inerte.

E, nem sequer uma lágrima verte…

As lágrimas que tinham direito à vida…
Há-as nas palavras que não proferiram;
Há-as nos cansaços dos que sempre amam.
Fecham as portas e eis a despedida!

E, nem sequer uma lágrima verte…

® RÓ MAR

SOBRAM-ME OS GESTOS...




SOBRAM-ME OS GESTOS...


Já me faltam as palavras
para te dar notícias do meu amor
gastas que estão na sua exiguidade
o verbo exaurido de tanto o usar
adjectivos esgotados para o quantificar

Ficam-me os gestos
tão mais eloquentes
as mãos para te acariciar
os braços para te acolher suavemente
cabeça encostada ao meu peito
corpos frementes de desejo
alapados abandonando-se ao doce langor
mistura de desejo e bem estar
lábios que se procuram e desfloram
na volúpia do beijo ensalivado...

A ternura suprema de descansar
a cabeça no teu colo
os teus delicados dedos 
em volúpia acariciando-me o rosto

Faltam-me as palavras para te confessar amor
mas porque usar as gastas e repetidas
palavras se os gestos inesgotáveis
são bem mais eloquentes.

Hamilton Ramos Afonso

TU ÉS ILHA ONDE ME SINTO...


Imagem - Bellissime Immagini


Tu és ilha onde me sinto…


És Ilha onde me sinto
És ilha onde me faço
Quando em ti jamais minto
Porque em ti o tempo é escasso

Quero-me em ti mais tempo
Quero as tuas dunas percorrer
Só de te olhar és um tormento
És uma visão que me dá prazer

Nunca quiseste nada comigo
Não sabes o que estás a perder
Dar uma volta com este amigo
É o mesmo que ir ao céu, tu podes crer

Gosto de ti por seres deserta
Mas contudo bem apetrechada
Um dia se a tua fome aperta
Tu vais querer ser por mim amada

E então nesse dia te direi
O que é um belo pensamento
Por mim chorarás, eu bem o sei
Só de me veres, serei teu tormento.

Armindo Loureiro

ALMAS ABRAÇADAS




Almas Abraçadas


Mergulho-te na alma 
pela porta escancarada
do teu olhar onde cintilam estrelas 
que acendi para ti com a luz do meu olhar...
… e acendo nela a fogueira da paixão.

Nos teus lábios
procuro o alimento da fogueira, 
feito de mel,
no conforto do perfumado abraço 
que une pelo calor,
dois corpos de almas
que se enlaçam « em magia»...

E a serenidade, 
toma conta de mim,
porque existes
e tomaste conta do meu querer,
da minha vida,
da minha vontade 
de permanecer na tua... 

Hamilton Ramos Afonso

domingo, 12 de abril de 2015

V E N T O !!!...


Imagem - Aimer la Nature (Love the Nature)


" V E N T O !!!..."


Vento, que ruge na alma;
Levanta paixões esquecidas!...
Quando se cala...ou acalma;
Leva pedaços da vida!...
Quando o vento sopra em brisa ,
O coração adormece!...
São as saudades esquecidas;
Das outras...que nunca esquece!...
Se vier em tempestade;
E a alma nos destrói ...
Não só arranca saudades...
Deixa uma dor...que já dói!...
Quando passa a tempestade;
E aparece a bonança...
Renasce em nós a vontade;
De viver...e ter esperança!....
...........................................
Se o nosso pensamento;
Tivesse a força do vento...
Por vezes...arrasaria!...
Quantos sins...ou quantos nãos;
Iriam no turbilhão!...
E meu Deus...o que seria ???!!!...

António Joaquim Alves Cláudio


O MEU DIÁRIO





O MEU DIÁRIO


O meu diário, aquele que a vida me fez escrever
São palavras que em cada dia,cada momento, e hora,
Que na minha cabeça mora, e me fazem tremer
São anos de escrita, num diário que também chora,

Mas hoje reli, minhas palavras escritas e de aflição
Foram tantas noites em que sem dormir as escrevia
São palavras saídas do meu coração,
Mas mesmo recordando, os momentos que mais sofria.

Não será certamente minhas palavras escritas em vão
Pois desse diário comecei a escrever minha poesia
Mesmo não sendo aquela que eu mais gostaria.
No meu diário, está parte da minha vida de solidão,

Passaram anos e meu diário não abria,deixei de escrever
Mas na vida nada acontece por acaso,hoje escrevo poesia
Porque a escrita é uma das razões do meu viver,
E aquele diário! que eu escrever não queria,

Hoje já consigo olhar para ele, e uma página terei que ler
Porque modifiquei as palavras, e passei a ler simplesmente
Tudo aquilo que queria ver, e fazer dele a minha poesia,
No meu diário de tantos anos, aquele que escrever eu não queria.

Joana R. Rodrigues

POR TI ME PERCO...


Imagem - Bellissime Immagini


Por ti me perco…



Estou só e não o quero
Porque quero estar contigo
A teu lado, sempre espero
Que me julgues teu amigo

Estar só e não o querer
É motivo a enaltecer
A teu lado, há o prazer
De quem quer e saber ser

Sou feliz quando te tenho
Aqui ao lado de mim
Eu sei que te convenho
Também gosto de ti assim

Há coisas que gostaria de fazer
Para te ter sempre a meu lado
Hei de um dia na vida acontecer
Para dizer: anda cá ouvir um fado

Este fado quero cantar
Seja lá quando for
É sinal do muito amar
E que me faz sentir dor

É uma dor um pouco ingrata
Não é do corpo mas da alma
Nunca vi coisa tão chata
E é nela que perco a calma.

Armindo Loureiro

CÓPULA ENVENENADA PELO DESTINO, OU ATÉ NÃO!


Imagem - Bellissime Immagini


CÓPULA ENVENENADA PELO DESTINO, OU ATÉ NÃO!


Foram sonhos… quais mundos de magia!
Foram mentiras… quais celestes liras!
Quanto valia, se é que até algo valia!?
Foram enganos… quais ledes injúrias!

Tudo foi aquele vento do destino…
Quer queiramos quer não, foi tudo em vão!
As malditas palavras apunhalaram,
Ou até não, quiçá desígnio divino!

Foram vidas… quais que tanto amaram,
Ou até não, quiçá Ilusões planearam!
Trapaças que pelo presente assobiam...
Promessas a pique…eis a despedida!

Tudo foi abocanhado… aquele rubro
Declinando…corações que dilaceraram!
Partes tais que nem vejo, as redescubro
Pelas penas, traça-cinza, que assoleiam!

Foram mentiras…quais se revelaram
Lérias…que quantos sonhos acabam!
Esperanças que findam, as almas voam!
Cópula envenenada pelo destino, ou até não!

® RÓ MAR

sábado, 11 de abril de 2015

NA MINHA CONCHA

 
 
 

NA MINHA CONCHA



 Vou esquecer o meu mundo
Tenho vontade de hibernar
Vou meter-me numa lancha,
E seguir para alto mar,
Levando a minha prancha
Seguir a onda que chegar

E assim bem longe do mundo
Esquecendo a terra imunda
Eu no meu ser mais profundo
Esquecia também,a dor profunda
Neste mundo já nauseabundo,
Neste mundo que se afunda,

Na minha concha me fechava
Ouvindo as ondas do mar
Quem sabe se uma sereia cantava
Enquanto eu estivesse a hibernar
E a lua para mim dançava,
E adormecia, ouvindo a sereia cantar.

Joana R. Rodrigues

sexta-feira, 10 de abril de 2015

EU QUERIA SER UMA FLOR

  
 foto - Cristina Vieira 
 
 

EU QUERIA SER UMA FLOR

 
Eu queria ser uma flor
só um bocadinho...
uns minutos apenas
de ser terra, água, perfume e cor...
depois colhias-me
sopravas-me as pétalas
devagarinho
para me fazeres arrepiar
e eu abria a corola
e deixava-te entrar...

r.r. - Rosa Ralo

quinta-feira, 9 de abril de 2015

«SER OU NÃO SER»


 Arte - José Royo
 

« Ser ou não ser...»

 
 O ser humano, na sua complexidade,
assume um de diversos tipos de caracteres
e como tal agem e interagem,
com os seus semelhantes...

Há aqueles que são como são
outros fingem que são
há quem pense que é
umas querem ser
outras que nunca chegam a ser
até há quem precise muito de ser
as que desistem porque se cansaram de ser
mas também as que vão ser

Contudo nada melhor
do que aqueles e aquelas
que são e que nos completam
de tal maneira
que fazem com que sejamos...
 
Hamilton Ramos Afonso

ANSIEDADE

 
 
 

ANSIEDADE

 

 Talvez amanhã seja tarde
para ocupar um coração
vazio!
Amanhã, talvez não exista
o firmamento, tropeçaremos
nas estrelas...
Seremos descontentamentos.
O amor é atrevimento...
O amanhã é incerto...
A ponte congelada, seus passos
sem rastros...
Ou talvez o vento soprasse a
solidão no mar...
Alagando as estradas, molhando
a saudade...
Isolando a felicidade...
Talvez é muito distante, quando
a ansiedade é constante...
Amanhã talvez não haverá tempo
para vivenciar tantos sentimentos...
Para conter a febre que arde sem
doer...
 Para o amor acontecer...
 
Rosely Andreassa

NAS TUAS PÁGINAS


NAS TUAS PÁGINAS


 Nas tuas páginas em branco, imaculadas
Deposito a minha expressão mais pura
A minha simples forma de dizer…

Conheço-te hà muito, desde os verdes anos
Contigo descerrei portões mágicos
Passeei em paisagens de encanto
Fui personagem activa em tantas histórias
Que povoam as tuas inapagáveis memórias

Muitas vezes terei sido sobranceiro
Sem uma explicação me afastei de ti
Tu sempre presente, nem por um único instante
Uma palavra de decepção em ti eu li

As rugosidades do tempo que ostentas na tua face
Escondem o sofrimento da pele nas tuas páginas
Mão Inquisidora que sem qualquer contemplação
Decretou em livre arbítrio a teus pares a imolação

Foste vítima de tantas guerras, perseguições
Sem sequer tomares partido em nenhuma das partes
Apenas por recusares palavras em escravidão
De tentares trazer alguma luz na escuridão

Carcomido pelo tempo ou mesmo cercado pelo bolor
Ainda assim guardarás nas tuas páginas o Testemunho
Amigo que não trai, és fiel depositário

 Da eterna sabedoria que em ti confiaram.


A JANELA DO CORAÇÃO

 
Imagem - Alonso Pereira - Open ArtGroup
 

A JANELA DO CORAÇÃO


A janela do coração tem orbitas
Lunares e galáxias de cometas
Que ao Lusco-fusco pela humanidade
  Celebram bistres olhares às têmperas de planetas
Que têm luz e vida própria. Quando
O pensamento invade tal lustre
As retinas abrem de par em par
Num desejo de serem terra e mar
Pelas encruzilhadas de seu caminho.
O mundo que é outro volve a sonho
Pelos lábios que palmilham felicidade
Sem olhar à outra face amarela,
A que tem a vista do velho mundo.
E, pelo ecrã vê-se a soberba aguarela
Que leve pinta a janela do coração.

® RÓ MAR

PLENA PLENITUDE

 
Pintura -  Auber Fioravante
 
 

Plena Plenitude


 Eras,
Oh, Doce quimera 
Trazes em tuas brisas
A tal primavera
Em suas flores,
Em seus olores
Em seus ditos
Multicores, pois
Meus reversos
Dobram-se
Ao renascer!

Janelas abertas,
Cortinas ao vento,
Perfume de jasmim
Da malva pelos jardins
Do outrem como os lábios
Endossados pelo batom,
Vermelho de crepúsculo,
Morango de aroma,
Poesia de beijar
Ao desnude da nudez!

Sobre a seda escarlate
Sussurros, falsetes,
Corações em mentes
Numa mesma galáxia,
No parapeito,
O cantador sabiá!

Noite alta,
Céu em grinalda,
Do silêncio,
O poema guardado
Entre as colinas
Sob os lençóis,
O universo
Em um verso!

 Auber Fioravante Júnior

O BEIJO DO VENTO LEVADO PELO TEMPO


Pintura - Mila Lopes
 
 

O BEIJO DO VENTO LEVADO PELO TEMPO


O beijo do vento levado pelo tempo
tempo, que partilha comigo a sua luz
a leveza das nuvens soltam as suas maravilhosas cores
que engrandece a minha alma
e que vagueia nos meus pensamentos.
Os tons do céu parecem chuva dourada
e eterno é o meu céu onde nas nuvens vejo pinturas
de fragrâncias elaboradas e rostos esculpidos
fragmentos semeados pelo vento que se soltam na tela
e nas folhas de papel, e que escorre na tinta do pincel
que seguro com a minha mão.
A solidão essa…eu não a sinto não!
Mas os sentimentos que sinto em mim são muitos.
Sentimentos que incendeiam o meu coração de muitas sensações
são memórias escondidas que iluminam a mente e o meu ser
e fazem-me fazem sentir e ver como eu sinto e amo
verdadeiramente a minha arte
são sentimentos vertidos nesta folha
e emoções sentidas no fundo do meu coração.

 Mila Lopes

TUA SOMBRA ME ASSOMBRA...

 
Imagem - Loui Jover  
 

Tua sombra me assombra…

 
 Sou a sombra que se quer
Dizes-me tu com amizade
Na sombra duma mulher
Vive o amor e a saudade
Saudade de assim viver
Junto de ti meu amor
És a sombra desse prazer
Que me traz o seu calor
Se pões o teu sombreiro
Para tapar os raios solares
Sob ele teu corpo inteiro
Faz sorrir os meus olhares
Nos meus olhos te vislumbro
Duma maneira bem diferente
É nos amores que eu assumo
Que na sombra fico contente
Tua sombra de tão airosa
É esbelta até não mais
Ao me veres ficas chorosa
Teu amor é por demais
Uma sombra sombreada
Em teu olhar vive a ternura
Só pode ser o daquela amada
Que se me dá na noite escura
Apanho-te nessa Viela
Onde se ouve cantar o Fado
Cubro-te ó coisa bela
Na certeza do bem-amado.
 
Armindo Loureiro

SE A NOITE ASSIM ME AMAR SEREI SUA

 
Imagem - Bellissime Immagini
 
 

SE A NOITE ASSIM ME AMAR SEREI SÓ SUA


Se a noite se quiser deitar comigo
Eu a receberei em leito desposado,
A abraçarei como um ente mui amigo
E beijarei a alma à lua sempre a seu lado.

Se a noite assim me quiser namorar
Eu lhe escreverei versos de cetim
Tais quais sua boca irá saber amar
Até ao romper do dia em flor de jardim.

Se a noite vier outra vez serei sua,
Bordarei o sol do dia pelo travesseiro
E outra vez e mais uma vez serei sua,
Eternizará seu olor companheiro.

Se a noite assim me amar serei só sua.
Luz dos meus olhos, que sonham jasmim,
Amor de minha vida que nem lua.

® RÓ MAR

BRISA

 
 
 

Brisa
 

   Chão de lava, 
transmite ao corpo a telúrica energia
do ventre da terra feita ilha
e me recorda a tua indomável força,
a ígnea energia que apenas
o teu doce sorriso ameniza…

Do mar chega-me uma brisa
leve , serena que me afaga o rosto
como as tuas mãos o acariciam
e se encosta aos meus lábios
entreabertos num sorriso,
que corresponde ao teu…

É a brisa da saudade
que me abraça,
me trás o teu cheiro,
a frescura da tua idade
e me recebe na volta a esta terra
que é tua , e um dia,
bem breve será minha…


Que a brisa que me acariciou
 vá até ti e te leve nas suas asas 
 o leve perfume do meu amor…
 
Hamilton Ramos Afonso

ANAIS DA MEMÓRIA


 Imagem -  Google


ANAIS DA MEMÓRIA


 Buscando em anais dos registros sagrados,
Memórias distintas, saber e atitudes,
Matéria a repor nossos sonhos vergados,
Que gritam por gestos que flamem virtudes.

E assim construir o mais nobre castelo,
Com chamas de amor nas janelas floridas,
Ornadas de vida, viver tão singelo,
Galgar as escadas por nós construídas.

Se agirmos com fé, num caminho seguro,
Jamais sofreremos com medo do escuro,
No livro da vida cunhamos a história.

E foi construída a feliz travessia,
Que escreve a mais linda e fiel biografia,
Registro a luzir nos anais da memória.

Elair Cabral


https://www.facebook.com/elaircabral.cabral

MEUS OLHOS RASOS D' ÁGUA...

 
Imagem -  Google
 
 

Meus olhos rasos d´água…


Corre no rio do meu ser
Eternas brisas de mar…
O alvor do dia por nascer,
Etéreo no verbo amar:

- Minh’ alma vestindo a mágoa…
Bebe o luar da noite, em vão,
Vazando o seu coração,
Os meus olhos rasos d´água…

Helena Martins

DA NOITE PARA O DIA

 
 
 
DA NOITE PARA O DIA

 
Mais uma noite passou e eu tão saudoso,
Não me deste atenção, má sorte a minha,
De te amar tanto como grande é o Mundo,
Mundo onde nós não cabemos, é a sina.

Noite longa que se arrastou até à aurora,
E eu sem te falar, sem te ver, a hibernar,
Sentiste prazer em me deixares suplicar,
Por teus beijos tão doces, como outrora.

Vejo os minutos e as horas a passar,
Sem ter imaginação para os agarrar,
Afaguei meu travesseiro, sensação
Tive eu, de sentir pulsar teu coração.

Ilusão, sonhos duma noite acordada,
Em que as aves noturnas agouravam
Tua ausência, maldade, sabor a nada,
E as pessoas reais já se levantavam.

Mergulhei então num sono profundo,
Sonhei que viajava por todo o Mundo
Para te encontrar e te poder acariciar,
Foi apenas a minha vontade de beijar.

Ruy Serrano

HOMENAGEM A HERBERTO HÉLDER

 
 
 

“Homenagem a Herberto Hélder”


 “Meu Deus, faz com que eu seja um poeta obscuro!”
Será que o lídimo poeta cria em Deus,
Sabendo bem o quanto escrever era duro
Sendo poucos os que liam versos seus?

Toda a escrita gerada pela excelsa lira,
Cuja ténue fronteira entre prosa e poesia
Qualquer leitor atento a descobre e admira
Num patamar de praia em pasmos de agonia…

A própria confissão do poeta fica obscura,
P´ la contingência do seu horizonte baço,
Num país onde medra e bem a incultura
E onde a Arte se evapora passo a passo.

O seu grito sincero é gémeo do silêncio
Paredes-meias com a fiel constatação
De que o mundo poético, qual vazio imenso,
Nunca lhe sustentava a identidade, não.

Se a escrita herbertiana é uma fortaleza,
Devido à perfeição da arte que contém,
Ela é poesia, ela é prosa, ela é certeza
E é Virtude que voa sempre mais além!

Frassino Machado

 In MUSA VIAJANTE 

QUERO SER NOITE

 
Imagem - Tutt'ART di @ Maria Laterza
 
 

"QUERO SER NOITE"

 
Quero ser noite!
 Para com ela ir vaguear
Pelas ruas sombrias e sem luar
Afagar o rosto dos sem abrigo
Que estão aninhados, num cantinho a chorar.
...
Quero ser noite!
Relâmpago para iluminar
O chão que tateia o velhinho
Ao regressar ao seu casebre
Que fica junto ao mar.
 
Quero ser noite!
Para limpar a lágrima amargurada
Que corre no rosto de uma mulher maltratada
Sem comida pró jantar, nem amor pra partilhar.
 
Quero ser noite!
Levar comigo uns alforges
Cheios de abraços e beijos
Chocolates e pão quente
Para aconchegar o ventre
Dos que sofrem sem desejos.
 
Margarida Fidalgo

 

terça-feira, 7 de abril de 2015

FASCÍNIO

 
 
 

FASCÍNIO

 
O meu fascínio por ti é do tamanho do meu coração,
És pra mim um ser transcendente que me dá emoção,
Tua beleza é estonteante, como duma Deusa do amor
Que não se deixa apaixonar, causando-me grande dor.

Levaste-me às nuvens no meu sonhar, o meu namorar
Veio do fascínio que senti por ti, meu longo sustentar,
És diferente, surpreendente, tens um fascínio especial.
Que me prende a ti, tu és a minha bela musa natural.

Esse fascínio que tu espalhas com o brilho do teu olhar,
Deixa-me extasiado, não sabendo o que devo eu fazer,
Para te agradar, sem me rejeitares a minha confissão
Do amor que tenho por ti, nesta tão tremenda confusão.

O verdadeiro fascínio só tu tens, é um encanto pessoal,
Que nenhuma outra reclama, é teu exclusivo e imortal,
Gostaria de levar comigo esse teu inverosímil fascínio,
Para outro mundo, meu sonho, meu efémero desígnio.

Ruy Serrano
 

ASSIM SEJA!

 
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ASSIM SEJA!


 A velhice não é um velho estado de alma,
Um qualquer coração raso de vida,
Um trapo amarfanhado de outro tempo.
Assim seja!
Que seja ruga tão bela e vincada
E grisalho cabelo, que segredo flama,
Sabedoria a perpetuar outro tempo.
Assim seja!

A velhice é sempre aquele vento agradável
A qualquer olhar. É um mistério à vida,
Lágrima e alegria d’um tempo saudável.
Assim seja!
Que seja tão bela aos olhares quanto ao tempo,
Que nem beija-flor, pena suave e açucarada.
Assim seja!

® RÓ MAR
 

CHUVA...

 
 
 

 Chuva…

 

As lágrimas dos céus que se desprendem
em forma de chuva,
agua benfazeja,
é acolhida de forma sôfrega
pela terra seca,
como uma mulher acolhe
as caricias do seu amante.

O cheiro a terra molhada
que inebria os sentidos
lembra o cheiro almiscarado
do corpo e da pele desprendido
pelos preparativos do acto de amor carnal

Depois a terra oferece-se desejosa,
às mãos experientes e calejadas de quem,
com muito amor, e carinho a amanha,
a semeia e cuida para que esta se multiplique
em frutos que se transformarão
no nosso pão de cada dia.
 
 Hamilton Afonso
 

COMO VIVER...

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Como viver…

 
Vive-se na terra queimada
Sem se saber o porquê
Ouve tempo em que ela era amada
E neste tempo nada se vê
Já não homens como antes
Falta-lhes a pujança do rigor
Quase todos são uns infantes
Que desconhecem o que é amor
Amor palavra tão querida
Mas que alguns a desconhecem
Seu significado entra nesta vida
Em palavras que a amor se parecem
Não sei porque é assim
Pois poderia ser diferente
E que ninguém me diga a mim
Que sendo assim anda contente
Não… Não poderá andar
A não ser que não seja ninguém
Porquanto o saber amar
É no outro ser o que nos convém
Mas apenas se vive pró dinheiro
Neste mundo tão conturbado
Em que o amor já não é verdadeiro
Pois apenas o vil metal é adorado
Não me quero ver assim
Não me quero junto de outros
Antes ser flor num qualquer jardim
Mesmo que isso seja de loucos
Pelo menos terei quem me cheire
E me dê um pouco do seu amor
Quando de mim alguém se abeire
Colherá em mim o meu odor
Esse odor forte e sereno
Que sai de um homem tão a sério
É pujante e tão ameno
Eu vos digo… Não é mistério!
 
Armindo Loureiro
 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

COMO UM GRÃO DE MILHO

 
 
 

Como um grão de milho
 

Como um pequeno grão de milho
que em terra fértil caiu,
é assim o meu amor por ti…

Germinou,
deu origem a uma pequena
e frágil plantinha
acarinhada todos os dias
para a defender do ciúme,
da duvida
e das dificuldades próprias
das diferenças
que entre nós existem…

A verdade é que com ternura,
carinho,
persistência
e perseverança,
a planta cresceu,
fortaleceu
e vai dar fruto,
multiplicando o grão de milho
que lhe deu origem…

Para cúmulo do amor entre almas,
calaremos as nossas palavras
falaremos apenas por linguagem gestual
e com mestria,
escreveremos o mais belo poema de amor
na fusão dos nossos dois corpos…
 
Hamilton Ramos Afonso
 

"PALAVRAS AO VENTO"

 
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"PALAVRAS AO VENTO"

 
Às vezes, precisamos descalçar os sapatos de salto alto, o vestido de rendas, o casaco de pele sintética, jogar fora a máscara que nos envolve para fingir o qu...e na realidade não somos.
Jogar ao rio os caprichos inúteis, as palavras soltas ditas sem sentido.
Mudar!..
Calçar umas sapatilhas e um fato de treino, e deixar que os caracóis fiquem rebeldes e possam voar ao vento, ou à brisa matinal.
Levar um sacho, caminhar e dar um cavanhão na terra molhada, e inalar o cheiro que se desprende das suas entranhas.
Limpar com as costa da mão, os olhos molhados, e deixar os sentimentos correr livres por entre as saias da serra, onde a paz da natureza espera por nós.
 
Margarida Fidalgo