sábado, 20 de dezembro de 2014

NATAL (I)




NATAL (I)


Caem farrapos de neve,
De branco, as folhas cobrindo…
E numa passagem breve,
Uma aragem fria e leve,
Da branca serra vem vindo…

Arde um madeiro imponente,
No chão de cada lareira,
Onde a brasa acesa e quente,
Acalma o frio que se sente,
Que pelas frestas se esgueira!...

É o Inverno a rigor,
Sempre a si próprio igual,
Que no frio, trás o calor
Dos corações com amor,
A celebrar o NATAL!...

© José Manuel Cabrita Neves

NATAL



Poema e Imagem de Paula Delgado


O DEBATE DA LAPINHA




GLÓRIA A DEUS, DIGNO DE UM AMOR PROFUNDO 
E PAZ AMIGA A TODOS OS SERES DO MUNDO!

 O DEBATE DA LAPINHA


Muito perto de Belém
Fica a Casa do lamento
A quem a muitos convém
Dar nome de Parlamento.

Parlamento, pela grei,
É tribuna de verdade
Ali nasce toda a lei 
Num berço de raridade.

Os eleitos da Nação
Brilhantíssimos alunos
Assumem digna função
Na qualidade de tribunos.

Em todo e qualquer problema
Da vida da cidadania
Debate-se tema a tema
Na melhor democracia.

Nesta quadra de Natal
O que talvez mais convinha
Era fazer tal e qual 
Ao debate da Lapinha.

Falam os progenitores
Que deram vida à criança:
- Ai José, dos meus amores,
Onde puseste a Esperança?

José, de olhos reféns,
Apontou para o Menino:
- Ó Maria, aqui a tens,
É este o nosso destino!

Diz Maria, desolada
Sem cobertores nem pão:
- Ó José, não temos nada,
Qual a melhor solução?

E José, imperturbável
Olhando ao longe a ribeira:
- Temos água admirável,
Palha e leite mesmo à beira.

Respondeu logo o boi bento,
Cheio de brio e enfeite:
- Dou a minha para alimento
E tu, vaca, dás o leite…

Disse o pastor do cajado:
- Já dei ao Menino um beijo
E trago no alforge guardado
Um naco de pão com queijo.

- Junta-te a mim, diz o bento,
Bafejemos a manjedoura 
Pro Menino o aquecimento
E um sorriso a cada hora.

Não reza a história dos fracos
E os fortes só vêm riqueza
Mas têm a alma em cacos
E um coração de pobreza.

Em toda a santa Lapinha
A luz do amor renasceu
E num hossana, em ladainha,
A Esperança à terra desceu.

Neste Natal benfazejo
Brilhe na terra mais Luz
Num só e único desejo:
José, Maria e Jesus!

Frassino Machado

In CANÇÃO DA TERRA

O ESPÍRITO DO NATAL (2014)



 

O ESPÍRITO DO NATAL (2014)


Estava escuro. 
Havia uma necessidade acima de qualquer desejo.
Pensaram num bem maior, talvez num ser.
Faltava encontrar aquilo ou aquele que os transcendia.

Encontraram símbolos, longe do que queriam,
mas havia um sentido apesar de equivocado. 
Jamais pensaram que outro igual nascesse, 
que de imenso se tornasse o mais pobre dos iguais. 
Fez-se luz na imensa escuridão, 
que escolheu o estábulo para nascer,
forma humana onde o Ser se escondeu -
acendeu-se a luz indiferente à condição
que a muitos envolvia.
Vieram pobres e reis para ver o símbolo
realidade do sonho que foi até àquele dia –
todos se ajoelharam perante Aquele que nascia.
Aniquilaram-se as desigualdades,
o Amor vencia.
Passou a haver igualdade na descoberta
que movia o espírito para a transcendência.
Riqueza e pobreza conviviam 
como coisas limitadas ao tempo passageiro
onde o amor as suprimia.
Houve um primeiro onde há a razão
para todos assim serem.
Há um Natal que sempre se repete
enquanto houver amor 
capaz de transbordar para outro igual
semelhante ao maior.

Fernando Figueirinhas

UNA FLOR QUE NOS LAMPEJA!


    Imagem - Beautiful world. Nature, love, art.



        UNA FLOR QUE NOS LAMPEJA!


        Tocam as doze… os sinos lá, na Igreja,
        Una flor que nos lampeja!
        É estrela alva que a todos nós sobeja;
        Luz que ilumina o que tão se deseja!

        Paz e amor… o que reina lá, na Igreja,
        Não há porta que veja!
        Em nós a mão pequena, que tão almeja
        Gentes de tanta cor, que se festeja!

        É o nascimento do tão Salvador;
        É o Natal… na terra e lá… no céu! O amor
        Faz-se… e, escutam-se os corações; tal sóror
        É, digno de louvor, hino ao Senhor!

        ® RÓ MAR