sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O QUE PENSAS DO OLHAR A DESCOBERTO?


Imagem - Gardenia by Gardenia 


O QUE PENSAS DO OLHAR 

A DESCOBERTO?


Nem tudo o que se diz é sentido;
Nem tudo o que se escreve é vivido;
Nem tudo o que se lê é compreendido;
Nem tudo o que aparenta é devido.

Mas, tudo tem a sua razão de ser,
Tudo tem o mistério que é viver;
Tudo tem alma, coração e qualquer parecer;
Tudo tem tempo, espaço e algum caráter.

O que pensa a razão do pensamento?
O que pensa o mistério ser no momento?
O que pensa a alma do coração sujeito?

O que pensa o tempo neste espaço indireto?
O que lê o mundo neste livro aberto?
O que pensas do olhar a descoberto?

® RÓ MAR

NOS NOSSOS (A) MARES...


Imagem - Beautiful Word Nature, Love, art 


Nos nossos (a)mares…


Entre dois istmos
Dois (a)mares diferentes
Entrecruzam-se
E nasce um novo (a)mar
É a beleza da vida
Quando assim vivida
Cruzei-me contigo
Numa onda em crescendo
Não te deixei naufragar
Pois em ti me entendo
Nesse belo canal
Fizemos o cruzamento
Sei que não fez mal
E que foi um alto momento
Nesse (a)mar verdadeiro
Navegamos ao cimo da onda
E a quilha por inteiro
Descobriu essa monda
Um (a)mar esbranquiçado
Devido ao sulcar
Em ondas de rebuçado
Devidas ao (a)mar
São assim os istmos
Que os (a)mares separam
Mas nos dão os ritmos
Que os navios gostaram
Navegar sobre esse (a)mar
É uma beleza por demais
Cruza-me que é salutar
Mesmo que hajam alguns ais!


Armindo Loureiro

VOU CHORAR...


Imagem - © Dariusz Murański


Vou chorar...


Vou chorar...
onde andas amor ? Escrevi-te um poema que o leio e releio-o e choro sempre. Ai que saudade tenho de ti. Até o silêncio quer entrar. Mas fecho-lhe a porta. A solidão é que não me larga. Visita-me a toda a hora só para perguntar por ti, parecendo que, também, tem saudades tuas. Mas, antes que por ti me pergunte, eu digo-lhe logo que nada sei de ti e que não fique para me atormentar mais do que o tamanho e peso da saudade tua. Mas ela responde-me... que a... dor não me pertence e que vive fora de mim, como as lágrimas vivem foram dos olhos. Por isso já não choro, por não valer a pena !

Sabes, amor...
a tua, a minha ou a dor de mais alguém, não é humana. Ela é a porta voz da morte ignorada, assim como o silêncio é o contorno das incertezas e da imperfeição que não se admite ter ou sentir e que nos fazem ranger os dentes.

Por isto, amor...
a tua ausência e não saber por onde andas, é tirar-me a noite e o dia e sentir-me cuspido pela saudade como se fosse um traidor a carregar o pesadelo no cansaço da tua ausência, que já a não suporto mais. 

Diz-me onde andas.
Tenho saudades tuas, meu amor !

Desculpa... vou chorar. Beijo, meu amor !

Carlos lacerda

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

TU, MULHER

 

TU, MULHER


Tu, e as tuas doces palavras que arrasam qualquer argumento racional. 
Tu, e os teus puros sentimentos que envolvem de ternura as mais rudes agruras. 
Tu, e os teus ilusórios sonhos que fazem a vida ser real.
Tu, e a tua aparência que revestida de veludo brilha, inspira, atrai.
Tu, e a tua inteligência própria que derruba todas as outras. 
Tu, e o teu humanismo que exaltas qualquer gesto. 
Tu, e a tua realidade que transforma o mal em bem. 
Tu, e a tua índole que te faz mãe dos teus, dos outros.
Tu, mulher, poetisa de sublime poética.
Tu, mulher, sentimentalismo de puro sentimento. 
Tu, mulher, sensualidade da mais ousada veracidade.
Tu, mulher real, mãe, humana - tu, mulher.
Poética, sugestiva e suave.
Poética imagem subjetiva, 
Poética realidade sensual, 
Poética, sugestiva e suave imagem, subjectiva realidade sensual. 
Tu, mulher.

AMANDO OS SEUS OUTONOS


Imagem - Divergent 


AMANDO OS SEUS OUTONOS


Espreguiçando-se à janela...
Entra o vento de outono
Com cheirinho a canela
A desafiar as teias do sono.

Xícara d’ alma e coração
Que comtempla a estação
Num despertar quase ímpar
Que a natureza tem a dar.

Um sorriso nos lábios…
Amanhecer-se ao vento
Conquistando o momento.

Uma frase afirmativa…
Degustar-se contemplativa
Amando os seus outonos.

® RÓ MAR