domingo, 8 de novembro de 2015

UM POEMA SEGUROU-ME AS MÃOS




UM POEMA SEGUROU-ME AS MÃOS 


Estava eu sentado, a escrever um poema,
quando o poema – esse mesmo poema –
me segurou as mãos e me disse que eu as tinha frias.

“Tens as mãos frias”, disse-me o poema que escrevia,
e eu, levando nelas o poema – esse mesmo poema –
juntei-as, e entrecruzei os dedos delas sobre a mesa.

Olhei as mãos, descruzei os dedos e separei-as,
e larguei o poema que escrevia, para escrever outro.
Larguei o tema «saudade» e peguei no tema «amor».

Senti, logo depois, que o poema – o novo poema – 
me puxou pelas pernas. “Levanta-te”, disse-me ele.
E eu vim, amor – para que me segurasses as mãos.

Sérgio Lizardo

In "Poesia com nomes de mulher"

A ALMA DO OUTONO




A ALMA DO OUTONO 


O Outono é uma estação de força interior,
Essa força emanada da mãe-natureza,
Onde palpita a vida prenhe de beleza
Brotando dela, a cada hora, um grão calor.

Ali mora do Outono a alma e a verdade
Que dão sentido à vida em toda a circunstância,
Ali mora também o sonho na distância
Que traz ao ser humano a sua identidade.

Ali palpita a alma em choro de arvoredo,
Ali palpita a saudade de alguém ausente,
Ali perpassa a voz da brisa que se sente
E que agita a memória vestida de segredo.

Ó alma, que és do Outono genuína poesia,
Diz-me qual é a causa desta nostalgia?

Frassino Machado

In ODISSEIA DA ALMA

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

APENAS PASSADO...


Imagem-google

Apenas passado...


Ninguém esquece um grande amor. 
O que acontece é que ele deixa, 
aos poucos, de ser grande. 
Fica pequeno. 
Fica quase imperceptível. 
Mas não existe amnésia pro que mudou 
nossas vidas um dia. 
O que existe é superação. 
E o tempo nos revela um outro amor,
pequeno, que começa crescer e se torna grande. 
Fazendo do passado apenas passado e histórias pra contar...

Madalena Lessa

domingo, 1 de novembro de 2015

PALCOS DA VIDA




PALCOS DA VIDA


Sonhei eu um dia ser actriz
De teatro e de revista,
Mas o destino não me quis
Talvez, não tivesse alma d`artista.

Ao longo da minha vida não imaginava
Num palco declamando poesia.
Não era isso que me desviava,
De tentar fazer aquilo que mais queria

Mas deixei passar os anos sem magia
Sonhos da vida foram desviados
Alguns foram realizados,
Mas dos palcos apenas vibrava com o que via,

Recebi palmas e muitas flores
Também algumas rosas com espinhos,
No meio dos palcos de tantas dores
Viajo na cultura por outros caminhos.
Não seguindo os sonhos que gostaria
Mas uma porta se abriu,
Escrevo nos palcos da poesia,
Um sonho que mais tarde se concluiu

Sempre fui uma sonhadora
Não de voos muito altos
Já me senti uma declamadora
Recitando poesia em palcos
A vida é feita de retalhos
Momentos de alguma euforia
Reformei-me dos meus trabalhos
E hoje não vivo sem a poesia.

Joana R. Rodrigues 

ALMA ROXA… PÁLIDA VIOLETA


Imagem- Open Art 


ALMA ROXA… PÁLIDA VIOLETA


Alma roxa como o vento que se semeia no meu pensamento,
Cipreste articulado como o tempo que vence o meu coração.
Não tenho grandes ilusões, foi apenas um momento…
Vejo, nitidamente, os lilases a crescerem pela paixão.

Foi um tempo louco, cumplicidades que já não voltam,
Eram rosas e muitos cheiros, agora uma pálida violeta
Que já não exala odores, mas ainda há os que amam,
Os que dão vida às suas asas de borboleta.

© RÓ MAR