domingo, 3 de agosto de 2014

OLHOS PERDIDOS!


"OLHOS PERDIDOS"


Olhos perdidos!
Vastos horizontes
Janelas abertas
Ao perfume dos montes.

Olhos perdidos!
À procura de um rosto
Que cante palavras
Com sabor a mosto.

Olhos perdidos!
De estios passados
De rumores vazios
Nos campos lavrados.

Olhos perdidos!
Salgados de dor 
Com fios viajantes
Num leito sem amor.

Margarida Fidalgo

CHOVE EM TI...


Chove em ti…


Chove de mansinho
Neste mês de Agosto
Há um pé de Rosmaninho
Que te leva o meu desgosto
Não gosto de ver chover
Neste mês que é o meu
Se chover não quero crer
Que te posa levar ao Céu
Já não és aquela pena
Que inebria o meu olhar
Mete pena a tua cena
Não é tempo para se amar
Queria levar-te comigo
Queria sentir o teu odor
Tu sabes que sou amigo
E te quero ó meu amor
Quero limpar as lágrimas
Que escorem de teu rosto
Acender as tuas chamas
Para um belo mês de Agosto
Quero que sejas a minha rosa
Quero tirar-te os aguilhões
Em mim és a mais famosa
Tu adoças os corações
Assim te mando o meu recado
Impregnado de alegria
Quero passar um bom bocado
Ao te ler a minha poesia.

Armindo Loureiro 

LÍRIO BRANCO


LÍRIO BRANCO


Alvo como flocos de nuvens...
Seria, apenas mais uma flor...
Tesouro das artes naturais
Mas, era mais..., bem mais!
Beleza singular, selvagem!
Ao toque do malicioso vento, irreverente tremular...
Esplêndido destaque a embelezar 
um canto por astros iluminado
do jardim, por mãos de fadas criado!
Louvou cada grão de areia a deslizar pelo relógio do tempo
Mais um grão, um grão a mais no caule dos puros sentimentos 
Magia pela nobreza, natural perfume
Mantra de beijos, algar de queixumes...
Vísceras a purgar desencantos, passo impossível
A revesti-los com fios de amor, sedução irresistível
Vem, livra-me lírio, do enfado da falsa paixão
Liberta das correntes do descaso, meu coração
Escudo do jardim dos sonhos encantados
Lírio que florescestes do desespero de Eva, que sem opção
deixou sementes de saudades em lágrimas no chão
Ao abandonar o jardim do Éden e voar para um viver contido!
Cascata de lágrimas, vazio sentido... 
E nasceu você, com suas flores brancas, majestoso lírio!
A simbolizar a deusa do amor, Isis 
Véu de brumas, branco como o leite 
que amamentou Héracles
Branco como a santidade
Puro como a verdade
Em grinaldas de momentos
Em sonhos de casamento!

Elair Cabral

E À LUA FALOU


E à Lua Falou
 

E então, 
À lua ricocheteou
Feito fogos de São João,
Quicou
De nuvem em nuvem,
E entre as estrelas
Brincou como criança
E enfim,
Viu-se espelhada
Pela imensidão!

- Hoje estou cheia 
Esplendorosa, mensurada, 
Pois sou a dona das marés, 
Das semeaduras, 
De transformar a noite 
Em quase dia, poesia?
Quem sabe!

- Em algumas letras
Tenho o meu próprio quarto,
Posso ser a testemunha ocular
Do pecado, do pecar 
Sem o dito pecado, 
Junta as cortinas 
Sou a dona da brisa, 
Sem ela não há balé
De tecidos e corpos!

- Pelo poeta 
Sou descrita, escrita, 
Sou o alvo para o sentimento, 
Ora solitude, ora plenitude, 
Regras ou leis não existem, 
Todavia, o olhar
Em lágrimas, 
De admiração, 
De encantamento, 
Do beijo de amor
É meu verdadeiro dono, 
Sou de todo céu, de enamorar!

Auber Fioravante Júnior
Porto Alegre - RS

AMO-TE, ASSIM,


amo-te,

assim,


leve, livre, solta...
com cheiro de flor na boca,
e uma alma tão louca,

que me tira do lugar,

amo-te,
assim,

menina, mas já mulher,
o corpo não sabe o que quer,
mas o instinto já fala,
numa boca, que resvala
na vontade de amar,

amo-te,
assim,

na perfeita imperfeição,
e se a mente me diz, não,
afirma-se o coração,
na emoção que me embala,
o corpo cede, devagar,
e o teu desejo é o mar,
que com um beijo me cala...

amo-te,
assim,

menina minha, caprichosa,
de pele fina, sedosa,
com lábios cheios, de cetim,
que sorriem para mim,
com uma boca de rosa...

amo-te,
assim...

rosamar