quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"CARRIÇA"


"CARRIÇA"


Extravaso na música e poesia
As saudades que tenho da relva molhada.
Das flores de várias cores,
Do Noveleiro estremunhado
Quando acordava no meu jardim.
Ai! pássaros de penas leves
Por onde andais neste dia?
Não vos vejo saltitar nos galhos da cerejeira,
Nem debicar na figueira os figos pinho de mel.
Onde estarão as formigas que faziam os carreiros?
No meio dos meus canteiros, pintados de cores garridas.
E as toupeiras que viviam no fundo da terra fresca, e a deixavam movediça?
Onde andará a Carriça. tão pequena e deslumbrante,
Que fazia o seu ninho no buraco do tijolo, redondinho e bem forrado.
Que será do Melro negro!
Não sinto o seu cantar, nem o vejo a brincar na roseira amarela,
Aquela que me sorria, quando abria a janela.
Nada mais pra recordar,
Porque não quero pensar, e cansar a minha memória,
A vida é uma história, que se vai afundando no horizonte,
Onde um dia havia uma fonte, e hoje um rio, tão seco, tão seco,
Que não tem uma gota, para regar uma papoila perdida no meio do monte.

Margarida Fidalgo

BREVE LEITURA...


Breve leitura…


Recuperei a tua página
Onde nada estava escrito
E no meio d’alguma amálgama
O que vi era tão bonito

Saltavam palavras aos molhos
Que me diziam algo de ti
Algumas nos seus escolhos
Prometiam mais como o senti

Continuei a procurar ler
Tudo aquilo que não se via
Impregnada do teu ser
Naquela carta o amor vivia

Senti uma ligeira brisa
Num adeus muito breve
A lapiseira foi tão precisa
Numa escrita de tão leve

Despedi-me assim da carta
Despedi-me num breve adeus
Dessa página bastante farta
Em dizeres que eram só teus.

Armindo Loureiro 

"MOINHO DA ARQUEOLOGIA"


"MOINHO DA ARQUEOLOGIA"


As pessoas morrem, mas as coisas ficam.
As casas, as cidades e os monumentos que as pessoas constroem podem resistir durante milhares de anos.
Às vezes, estes edifícios estão extraordinariamente bem conservados ao fim de séculos, outras vezes escondidos sob vegetação ou ainda debaixo de estruturas construídas posteriormente.
Um dia poderão ser estudadas por arqueólogos do futuro.
Que histórias irão c...ontar?
A vela do "moinho da arqueologia" gira lentamente.
.....................

In Anéis De Fogo
Áurea Justo

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ESTRELAS DISTANTES


ESTRELAS DISTANTES


Duas estrelas brilhantes a morar no mesmo céu
Separadas pela sorte ofuscadas pelo véu
De distâncias não pedidas que fazem o amor penar
Desiludir desta vida, peito triste a soluçar
No giro dos pensamentos, duas vidas e o encanto
E o apaixonado lamento vira cascata de pranto
E nesses longos cabelos da cachoeira do amor
Vamos construir um castelo para desnudar a dor
Uma casinha singela numa ilha do oceano
E ter o viver mais belo enfeitado pelos sonhos
No jardim só de quimeras passarinhos vem cantar
Florirão jasmins tão belos com a prata do luar
E o sussurro de nossas almas no fascínio deste amar.

Elair Cabral

domingo, 3 de agosto de 2014

É ESTE MEU AMAR!


Imagem - Bellissime Immagini


É ESTE MEU AMAR! 


A noite é sempre longa, não por ser Agosto 
Noites de luar… sim, porque é meu desgosto 
Não ter o meu amor ao lado. Um mês de conquistas 
Que vejo quão sombrio o céu é e as horas infinitas. 

A noite é sempre longa, uma longa espera 
Que tanto desespera, um calor abrasador 
E o mar revolto de tanto bracejar a atmosfera! 
É o tempo mais dissecável... não o quero, é dor. 

Não, não quero os pedaços de Janeiro 
Sem ter o amado a meu lado, é um frio de rachar! 
Mas, não consigo olhar o imenso luar 
E não ter como dividi-lo… Ó Deus quero-o inteiro! 

A noite não acalma e o luar oscila entre a lua e meu penar. 
Coitado, triste sina, vê meus olhos tão distantes 
Que se interroga se será bem-vindo nestes instantes! 
Ó Luar não tens porque te preocupar, é este meu amar! 

® RÓ MAR