domingo, 25 de setembro de 2016

A MORTE DA SOLIDÃO




“O drama do poeta”


Já o escreveu Diderot,
Acerca da Comunicação,
“Com ela ninguém está só
E dela nasce a criação”.

Neste mundo embriagado
Com tanta comunicação
Anda tudo mascarado
Envolvido em solidão. 

Palavras voam sem fios
Pelas mil encruzilhadas
São como as águas dos rios
Correndo desencontradas.

Ninguém conhece ninguém
Neste palco virtual
Cada mensagem que vem
Sai frágil como o cristal.

Vê-se p´ la crista da onda,
Que rola cheia de espuma,
E mesmo ao esticar da sonda
Ninguém topa ideia nenhuma.

Neste mar encapelado,
Em dia e noite com drama,
Voga o poeta angustiado
Numa jangada sem chama.

É certo que não está só,
O seu palco é sua escrita,
Tritura com branda mó
Esta tragédia maldita.

Sonha por dentro e por fora
Alcançar a criação
E procura a cada hora
A morte da Solidão.

É esta a sua jornada,
É esta a sua viagem,
E, mesmo que não valha nada,
Dá sempre voz à mensagem.

Não se trata de um dilema
Mas de uma alma tenaz
Que se mascara de poema
Ficando consigo em paz!

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA