domingo, 25 de setembro de 2016

TIQUE-TAQUE...





TIQUE-TAQUE...


Tique-taque, tique-taque, 
É o bater do relógio de parede,
Único som que se faz ouvir,
Ao ritmo do meu coração,
Que bate de tristeza e emoção.
E que é o meu único sentir.

Tique-taque, tique-taque,
Prossegue o relógio sem parar,
Até as duas horas da manhã a tocar,
E eu desperto, sem dormir,
No sofá sentado a poesia produzir,
Com a companhia do silêncio da noite.

Noite profunda, com salpicos de luz
Espalhados pela cidade,
Gente adormecida, outra desperta,
Becos e ruas desertas,
Como ilhas rodeadas de água,
Num oceano de mágoas.

Mágoas profundas,
Emanadas por vulcões,
Que entraram em erupção,
Em noites quentes de verão,
Deixando almas a queimar,
Em lume branco a palpitar,

Tique-taque, tique-taque,
O relógio continua a bater
E eu deixei de escrever,
Receio de ter um ataque,
Sem ninguém para me valer,
Nesta noite solitária e de silêncio.

Ruy Serrano