sexta-feira, 4 de julho de 2014

VIOLINO




VIOLINO


Silêncio... 
Só no silêncio ouvirás a voz de fulgor imenso...
O mágico som de um violino ao longe
A traduzir todas as vozes da falange
Quatro cordas como uma orquestra no alvor
Impera nos concertos apadrinhando o amor
Mesmo a mercê da morte no naufrago Titanic, tocado
Brilhante e estridente som, danço pela música embalado
“Violino de Ingres” me contagia a leitura encantada
Um clássico viver, numa redoma de vidro me enfada
Nas superações e entraves, do agudo ao grave sofrimento
Quero mudanças, trocar o encordoamento
Sentindo um odor de falta de patriotismo, ajuste
Enquanto Nero tocava violino, Roma queimava... Embuste
E assim mergulho num som mais aveludado, singular
Deixa o Erudito imigrar o grito agudo da ânsia popular
Dedilha as canções pautadas de singelezas do amar
Quero ser o maestro e minha orquestra comandar
Crinas dos lindos cavalos que já percorreram seus espaços
Agora dão som as cordas á um violino clássico
Por que eu, criatura dos mais poderosos compassos
Não configurarei um violino ilustrando Picasso?
Não fugirei do côncavo e do convexo e serei Garibaldi?
Não arrebatarei o som de Bach ou de Vivaldi?
Tartine na ilusão do sonho e se sentindo inspirado 
Compôs a “Sonata do Diabo”, por mitos enfeitiçado
Pois os mistérios de Stradivari, jamais foram revelados
Ouvirei a sua voz a florescer o mundo encantado
Violino... Sucumbi aos teus sedutores encantos
Só de incomensurável emoção será o meu pranto
Música, divina música das lágrimas em profusão
Som que seduz a alma e arrebata o coração...